terça-feira, 5 de setembro de 2017

jogando.



Eu não acertei os números da mega,
mas acertei quantos anos tem o Silvio:
santos e dias que falta pra acabar
o ano,

já acertei quantos pau faz uma canoa
e quantas overdoses teve meu pai:
oito

e os virais que eu compartilhei

será que acertaram o alvo? 

domingo, 27 de agosto de 2017

campiar

Nos escritores sabemos que toda a literatura é só uma nobre desculpa pra vender papel. E roubar tempo. As palavras sinônimas foram criadas pela indústria papeleira e pela de tinta. Porque você precisa de semáforo sinaleira farol e sinal? Apenas uma delas já dava conta da coisa. (seja lá como você queira chama-la) sabemos que uma tal companhia aérea economizou tantos dinheiros quando retirou uma azeitona da salada servida a bordo. Imagine quantos não ganhou a indústria das azeitonas quando insistiu em colocar uma delas no Martine? E pra que? Porque diabos uma azeitona nessa bebida com gosto de lava louças? As palavras nascem e querem viver muito mais tempo do que o necessário. Pare de usar sinônimos elegantes. Aceite o fim de uma palavra como quem aceita o fim do uso de abotoadoras. Abra a sua caixinha de relíquias e deixe esses pequenos tesouros de família ir embora. Eu mesmo confesso que roubei uma palavra de uma tia minha: campiá. Porque ela precisa disso quando “procurar” tem a mesma função. Eu fiquei algum tempo com ela e quando esse “campiá e campiando” surgiam eu a corrigia: “ a senhora quis dizer procurar e procurando, não?” até que ela parou de usar. E antes que você me acuse de preconceito linguístico eu te alerto que ouço melhor o silencio daqueles que realmente não podem falar. E você?

quarta-feira, 15 de março de 2017




aos sete anos fui diagnosticado com a doença da feiura. Mas, ninguém me contou até que eu mesmo descobri aos dezoito anos de idade, quando ninguém queria me beijar. 
ninguém me contou também que o mundo era falso, que as pessoas dizem "abraço" mas não abraçam, que obrigado é mais um cacoete que uma obrigação. Que o amor endurece. De tantas esquinas, uma só me quebrou fazendo-me de pé pra China e cabeça pra baixo. E do amarelo a unica representação do amor. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Moro só:
Sou minha própria mãe agora,
E meu pai
E meus irmãos,
E meus amigos e
Meus ini(migas)
Só não tenho tempo pra ser
Eu
Moro só eu

Vivo só
Quando olhando meu reflexo em mil vitrinas
Eu me vejo só
Só eu me vejo, quando todos me olham...
Eu vivo só comigo-os ( minha voz, minhas mãos, minhas faltas)
(E como faz falta)

Quando não estou só, quero estar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

oh! Deus!

De um lado Nietzsche diz que Deus está morto, de outro o ateísmo afirma que Deus não existe, outros afirmam que ele não interfere porque respeita o livre arbítrio. Sugiro que pensemos em algo que todas essas afirmações tem em comum: Deus não está. Deus está ausente, do mundo ou pelo menos do interior dos homens. Então me vem a musica de Rita Lee “busco nele o que é mais EU que eu mesmo.” de um modo antropológico considero esse deus, buscado pelos homens, como aquela centelha que falta para incendiar o todo e assim completá-lo ou justificá-lo. Obvio que essa busca é eterna e jamais pode se completar, pois essa centelha ou está morta, ou não existe, ou sem ela o humano não é humano.