quarta-feira, 15 de março de 2017




aos sete anos fui diagnosticado com a doença da feiura. Mas, ninguém me contou até que eu mesmo descobri aos dezoito anos de idade, quando ninguém queria me beijar. 
ninguém me contou também que o mundo era falso, que as pessoas dizem "abraço" mas não abraçam, que obrigado é mais um cacoete que uma obrigação. Que o amor endurece. De tantas esquinas, uma só me quebrou fazendo-me de pé pra China e cabeça pra baixo. E do amarelo a unica representação do amor. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Moro só:
Sou minha própria mãe agora,
E meu pai
E meus irmãos,
E meus amigos e
Meus ini(migas)
Só não tenho tempo pra ser
Eu
Moro só eu

Vivo só
Quando olhando meu reflexo em mil vitrinas
Eu me vejo só
Só eu me vejo, quando todos me olham...
Eu vivo só comigo-os ( minha voz, minhas mãos, minhas faltas)
(E como faz falta)

Quando não estou só, quero estar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

oh! Deus!

De um lado Nietzsche diz que Deus está morto, de outro o ateísmo afirma que Deus não existe, outros afirmam que ele não interfere porque respeita o livre arbítrio. Sugiro que pensemos em algo que todas essas afirmações tem em comum: Deus não está. Deus está ausente, do mundo ou pelo menos do interior dos homens. Então me vem a musica de Rita Lee “busco nele o que é mais EU que eu mesmo.” de um modo antropológico considero esse deus, buscado pelos homens, como aquela centelha que falta para incendiar o todo e assim completá-lo ou justificá-lo. Obvio que essa busca é eterna e jamais pode se completar, pois essa centelha ou está morta, ou não existe, ou sem ela o humano não é humano. 

sábado, 21 de janeiro de 2017

diário 21-01-14

Como pode? o amor mata, inferniza o coração daqueles que nunca serão correspondidos. O amor acaba com a esperança, com o sopro de vida, com a vontade de comer, dançar, sorrir. O amor, como um alvo para setas, oferece muitas mais possibilidade de erro que de acertos. No entanto somos levados a louva-lo por todo a vida. Engrandece-lo como um cruel senhor feudal “obrigado por suas migalhas, pelos pequenos carinhos, pelas leves esperanças”. O amor está reservado a poucos, pouquíssimos e eu não sou um deles...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Lembrete:

   Nunca se fie em anjos que aparecem nas suas tardes vadias.
   Nunca se fiar em anjos que lhe beijam a boca, de língua.
   Nem aceite caricias escandalosamente boas de anjos que lhe atraiam para trás do jardim, do Èdem.  
   Não aceite do néctar de suas angélicas bocas.
   Não sorva de seus suores...

   Não acredite em anjos! eles traem . 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Velha Uma.

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Numa aldeia, centro do mundo. As noites cálidas, as marcas das carroças, o sono intenso dos trabalhadores. Essa aldeia de paz e prosperidade, onde tudo que se planta dá. É o campo fértil pra milhares de estrangeiros sonhadores, cada dia chagam mais gente, com seus velhos e crianças. São recebidos pelos locais. Na outra manha todos estão trabalhando. As crianças na escola. O um sorriso em todos os rostos. Nunca se viu paz perpetua como essa. Mas um dia um... não: Uma. Senhora, cacunda, nariz enorme com uma verruga na ponta. Carrega uma bola de cristal e premedita: virá a desgraça, a guerra, a fome. Anda por entre as gentes a apontar os defeitos de todos, denuncia a culpa de cada um. Por que vocês são os culpados pela desgraça que virá, a guerra e a fome. Já nas noites ela sai de sua cama, cobre-se de negro, e avança pelo campo. Arrancando todas as mudas, as plantas, pisoteia nos vegetais. Destruindo o trabalho alheio ela volta ao repulso, com um largo sorriso de dentes podres. Tão logo amanhece inicia as acusações. São eles, os estrangeiros que fizeram isso, são eles os brancos, são eles os gordos, aqueles que capinam com a mão esquerda.  Não! são os da mão direita que nada trazem de bom.... Olha!Lá vem a velha Uma, ela estava certa. Ela sempre esteve certa. Devemos ouvir sempre a velha. E a velha diz: são todos culpados, todos devem temer a mão do destino, todos irão pagar por seus pecados..... culpados todos.