segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Velha Uma.

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Numa aldeia, centro do mundo. As noites cálidas, as marcas das carroças, o sono intenso dos trabalhadores. Essa aldeia de paz e prosperidade, onde tudo que se planta dá. É o campo fértil pra milhares de estrangeiros sonhadores, cada dia chagam mais gente, com seus velhos e crianças. São recebidos pelos locais. Na outra manha todos estão trabalhando. As crianças na escola. O um sorriso em todos os rostos. Nunca se viu paz perpetua como essa. Mas um dia um... não: Uma. Senhora, cacunda, nariz enorme com uma verruga na ponta. Carrega uma bola de cristal e premedita: virá a desgraça, a guerra, a fome. Anda por entre as gentes a apontar os defeitos de todos, denuncia a culpa de cada um. Por que vocês são os culpados pela desgraça que virá, a guerra e a fome. Já nas noites ela sai de sua cama, cobre-se de negro, e avança pelo campo. Arrancando todas as mudas, as plantas, pisoteia nos vegetais. Destruindo o trabalho alheio ela volta ao repulso, com um largo sorriso de dentes podres. Tão logo amanhece inicia as acusações. São eles, os estrangeiros que fizeram isso, são eles os brancos, são eles os gordos, aqueles que capinam com a mão esquerda.  Não! são os da mão direita que nada trazem de bom.... Olha!Lá vem a velha Uma, ela estava certa. Ela sempre esteve certa. Devemos ouvir sempre a velha. E a velha diz: são todos culpados, todos devem temer a mão do destino, todos irão pagar por seus pecados..... culpados todos.