domingo, 2 de outubro de 2016

Ela não me deu.

Quando me perguntam sobre o porquê da escolha pela filosofia sempre invento uma resposta nova. Algumas vezes falo serio, mas na maioria delas é apenas uma criação momentânea de acordo com a pessoa que pergunta. Afinal o que eu sei sobre escolhas? Sei no Maximo as consequências delas, o motivo sempre me pareceu obscuro ou, pelo menos, irracional. Entretanto refletindo esses dias sobre essa questão, percebi que em algum momento eu esperava que a filosofia me desse um motivo maior. Percebi que eu gostaria que ela suprisse o vazio deixado pela religião naquele espaço da vida que nos move e sustem. Algumas pessoas acordam cedo para lutar contra ou a favor de algo, outras lutam pelos filhos, outras pelo dinheiro. Eu não tenho nada, nenhuma paixão me impele, ou pelo menos, nenhuma em especial. E acho que foi essa falta que me levou a reflexão filosófica: de algum modo eu esperava que a filosofia me desse um motivo. Porem ela – assim como a arte – não me deu. Ando na vida com um personagem de Camus, tiro a força necessária para viver do próprio dia. Os problemas e pequenos desafios do dia me movem, e por eles me esforço. Como norte de vida? Como objeto de paixão?... Nada. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.