segunda-feira, 4 de julho de 2016

duas lembranças


Carta para A.

Olá, como vai você? Talvez essa mensagem depois de algum tempo até te surpreenda pois eu sei que não é costume as pessoas procurarem antigos casinhos depois de serem sumariamente descartadas. Porém eu sou de outro tempo, um tempo em que não se descarta um amigo apesar de tudo. Principalmente em momentos de intolerâncias e solidão. Então se você ainda tem alguma espécie de afeto por mim, me diga se está tudo bem, me fale de como tem levado sua vida e seus amores, me conte se ainda escreve musicas românticas ou político-sociais. Se está otimista com o segundo semestre. “Fora temer” ainda é uma frase agregadora? ou está lutando por alguma outra coisa? aquele cara que eu conheci e me identifiquei era ilusão? Era? já era?

Carta para J.

Oi como vai? É... talvez eu esteja insistente, e até inconveniente lhe mandando mensagens depois desse tempo todo sem respostas.  Mas, devo dizer que ha coisas mais importantes no que meu orgulho ferido, nossa amizade por exemplo - Pois creio que ainda somos amigos - De tal modo que me interessa muito saber sobre você, o que tem feito. Tem saído muito com os amigos novinhos? Tem pego muitos novinhos? Você ainda sorri timidamente quando alguém te elogia, ainda se veste de maneira impecável?  Eu teria muitas coisas pra lhe contar também, a respeito de minhas próprias lutas, do quanto foi difícil lidar com o silencio que de repente caiu entre você e eu, e do quanto eu me sinto forte por aguentar tudo isso, todos os dias, e ainda achar motivos pra rir de qualquer coisa. Pois a alegria é feita dessas “quaisquer coisas” e das lembranças boas e más que moram em nossa memória. Sim! Eu aprendo com as lembranças más, aprendo com o vazio deixado por você. E não é no vazio que o seu perfume se propaga melhor? 


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