quinta-feira, 21 de julho de 2016

Duas historias sobre meninos e seus jogos.


Rami. Um garoto de pele escurecida pelo sol, olhos negros, cabelos lisos  igualmente escuros.  Ele sozinho parado em frente a sua casa nos arredores de kabul, Afeganistão. Era como uma fotografia da natinal geografic. No olhar de Rami cabia caças ingleses e americanos que davam rasantes na sua aldeia, cabiam cabras que pastavam silenciosas, cabia os meninos dos arredores com quem brincava até mesmo durante a guerra. Ele não se assusta mais com quase nada. Apenas algo o deixou perplexo aquela manhã: sua mãe disse que era “hoje” o dia que iria a nova escola. Os americanos tomaram a região do poder dos talibans, assim as crianças voltaria á vida normal de sala de aula. Mas o normal pra Rami era ficar em casa, brincar, procurar pedras brilhantes... Era hoje: ele sairia de sua casa, esperaria o ônibus numa estrada próxima, e ia conhecer a escola. No caminho da sua casa até o ponto, um vento seco, uma pedra, ou qualquer outra distração o atrasou. Quando olha para estrada lá ao longe vem o ônibus e ele longe do ponto. Correu Rami o quanto pode, mas não alcançou. Passou o ônibus. Do outro lado da estrada alguns garotos de idade igual ou maior que a sua, carregam fuzis e juraram lealdade ao talibam. Quem vai a escola “dos americanos” deveria ser morto. Rami vira-se de costas, larga os cadernos no chão, corre o quanto pode, suas sandálias de courro enterram-se na areia quente, ele tenta escapar dos tiros – aqueles, um dia, foram seus amigos. Rami morreu com um tiro de fuzil nas costas. Seu corpo magro e pequeno está caído no chão do Afeganistão, sobre ele paira um silencio absoluto. Os outros garotos se vão....


Num imenso país da America do sul, havia uma grande cidade e suas periferias. Nele um clube de futebol, que disponibilizava seu campo de treinamento para os garotos da comunidade próxima. Uma vez por semana naquele gramado jogavam dois times os coletes vermelhos e os azuis. Como caridade tem limites, ambos os uniformes eram velhos. Para os garotos não havia diferença, suavam a “camisa” para defender o time, mesmo que na outra semana jogassem no time contrario. Mas, um dia apareceu um jogo coletes novos, azuis. Agora quem jogasse no time azul era melhor e não deveria andar com os outros, os vermelhos. 


imagem:Debret

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