segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Velha Uma.

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Numa aldeia, centro do mundo. As noites cálidas, as marcas das carroças, o sono intenso dos trabalhadores. Essa aldeia de paz e prosperidade, onde tudo que se planta dá. É o campo fértil pra milhares de estrangeiros sonhadores, cada dia chagam mais gente, com seus velhos e crianças. São recebidos pelos locais. Na outra manha todos estão trabalhando. As crianças na escola. O um sorriso em todos os rostos. Nunca se viu paz perpetua como essa. Mas um dia um... não: Uma. Senhora, cacunda, nariz enorme com uma verruga na ponta. Carrega uma bola de cristal e premedita: virá a desgraça, a guerra, a fome. Anda por entre as gentes a apontar os defeitos de todos, denuncia a culpa de cada um. Por que vocês são os culpados pela desgraça que virá, a guerra e a fome. Já nas noites ela sai de sua cama, cobre-se de negro, e avança pelo campo. Arrancando todas as mudas, as plantas, pisoteia nos vegetais. Destruindo o trabalho alheio ela volta ao repulso, com um largo sorriso de dentes podres. Tão logo amanhece inicia as acusações. São eles, os estrangeiros que fizeram isso, são eles os brancos, são eles os gordos, aqueles que capinam com a mão esquerda.  Não! são os da mão direita que nada trazem de bom.... Olha!Lá vem a velha Uma, ela estava certa. Ela sempre esteve certa. Devemos ouvir sempre a velha. E a velha diz: são todos culpados, todos devem temer a mão do destino, todos irão pagar por seus pecados..... culpados todos. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Tipo de coisa que anoto pra lembrar depois, dai nunca lembro porque anotei.


25-10-16

1-Falácia: arguir que o que o outro disse é parte de comunismo, ou facismo, ou (hodiernamente) politicamente (in)correto.

2- So quando a beleza vale dinheiro o artista é valorizado. E a arte só seria perigosa se a beleza substituísse o dinheiro, o seja, nunca. Ou sempre pra determinados espíritos.

3- “ai antigamente as pessoas riam dessas piadas” isso porque eu não estava lá pra mostrar o quanto essa piada é racista, machista, classista e sem graça.

 4 - a moda do Calvin crack.  Hugo bosta, armaniilista, fendi-do,

5 - Quem não crê em luta de classes é porque nunca saiu do centro. Ou por aquele que confunde luta com conflito.

6 - Tenho pensado o tanto que para mim a noção de classe não se transformou preconceito.  

7 - A escrava penteadeira: verdadeira artista trágica.

Cinderela versão tragédia grega: a gata borralheira faz o melhor vestido para as irmãs maldosas, uma delas se casa com o príncipe. Manda-lhe um cartão de Veneza agradecendo a cinderela. Ela chora de emoção / gratidão.

8 - O conservador precisa de barba e de muito mais pelos na cara pra esconder seu desejo análogo aos dos fascistas.

9 - Pois nada melhor do que não carregar a carga da culpa, ou carrega-la em comum com uma miríade de sujeitos.

10 - Cultura é quantas palavras voce sabe sobre a mesma coisa. Como amor, Love, amoré... ou bem, bensinho, doce, mozao...

11 - Um desejo se faz de varias paixões.

12 - Um bom governo autoritário se constrói de um bom rosto e uma boa fala. Eduardo tem o primeiro e seu pai Bolsonaro tem o segundo. Alias tenho bem a sensação de esse é o novo líder evangélico que não tem nenhuma relação com eles, e eles o ouvem como rato ouvem o chucalho da cascavel. 

13 - Quem controla o passado, ou o reescreve, controla o futuro. Essa revisão da ditadura não é nada mais que o primeiro sintoma da volta do governo autoritário. Agora na figura do filho do militar.

 13-1 - A monarquia hereditária teológica-e-sucular de bolsonaro; Brasil infelizmente. 

14 - Talvez o universo seja um grande pen-drive onde deus guardou nos como informação, pra depois imprimir na sua grande impressora 3d, mas nós (temos a esperança de tornarmo-nos sólidos).... já nos imaginamos assim. Curiosamente pesquisar sobre o resto do pendrive vazio não vai nos mostrar nada sobre quem somos. E a informação que carregamos é distribuída (de forma diferente) em cada um dos corpos. Entretanto essas informações podem ser totalmente apagadas, ou modificadas se atingidas pelo vírus do fascismo.

15 - Foram seis anos pra destruir o PT, mais seis será necessário pra reconstruir o arena.

16 - Se está muito fácil é porque voce está lutando com o cadáver do monstro que deveria ter matado, mas ele morreu de tédio de lutar com você.

17 - O fascismo não é ideológico é sim ferramental, ou seja, é algo que serve para transformar toda um sociedade, para lá ou pra cá.
  
18 - O Brasil não precisa de um grande aparato de investigação ideológica como a KGB ou Cia. Pois o poder controla o berçário das ideias aceitaveis ou seja a mídia. E os haters da internet, sugestionados, elaboram o índex, a denuncia, o julgamento e o linchamento. Sem incomodar o poder com essas ninharias.

19 - Diz o general “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Pergunta o soldado “ e o que acontece com os que deixa-o” esses serão considerados traidores – responde o general. “Então estamos em guerra?” interroga o soldado. “Sim, em guerra contra a coragem dos que ficaram”. “ e ganhamos nos dois casos” conclui o soldado.

20 - Leandro karnal está sempre iluminado pela luz do bom senso. E  o que é o bom senso senão a moral do mais forte popularizada?  Karnal é um garçom gentil e sorridente que te serve merda.

21 - Nas metáforas de pizza a minha moral, minha vida, minha cara tá tudo brotinho.

 22 - Uma leitura rápida de Foucault: antes o rei, desgostoso de alguém, matava matar. Hoje o poder não age assim, no entanto passa a destruir a pessoa e sua reputação vivo mesmo.
Uma leitura rápida de zizek: na ditadura havia dois grupos de jovens: aqueles que não sabiam o que estava acontecendo e os desaparecidos.
Leitura rápida de Carmem Lucia no RV: A ética ou o caos e mais, o Estado ou o medo.

23 - Não existe poder ilimitado, o Poder é tão limitado quando burro, mas, ele pode te pegar e lembra-se ele é burro não adianta argumentar. Mas ele reconhece a linguagem dos afetos.

24 - O Poder nunca é absoluto na barreira classista. Existe entradas especificas para um Hollyday entrar, e falar verdadeiramente eu consegui por meu mérito.  Isso dá falsa legitimidade ao Poder.


25 - Ao ser atingido por um meme é quase impossível você resistir em usa-lo “ao seu modo” é assim que se mantém uma juventude ocupada.


26 - Não! as nuvens nunca tem o formato de cavalo, urso etc.. somos nos que colocamos essas imagens nelas, assim como fazemos com tudo que chamamos belo, feio, normal etc.

27 - Um menino de seis anos dançando encoxando uma mulher de 20: meme.
Uma mulher de vinte encoxando um menino de seis: estranho porem ok!
28 - Cara de vinte ecoxando mulher de vinte: afirma que os dois primeiros são aceitáveis, já que a partir de uma certa idade a mulheres querem isso mesmo, e no terceiro ela quer mas tem vergonha de pedir, ou seja, Cultura do estupro. 

29 - A teoria da conspiração que eu menos gosto é a da “querem reduzir o numero de pessoas no mundo”. Primeiro porque o sistema vencedor (capitalismo) precisa de muita gente. Segundo porque as guerras e as fomes já fazem isso desde sempre. A diferença é que o atual sistema não faz nada pra impedir esses desastres, pelo contrario ganha com a  pobreza e com a reconstrução e manutenção da guerra. Quem sempre diminui o numero de pessoas na terra é a pobreza, e novamente o poder não vai mudar isso.

30 - Eu não tenho medo de putim, escrevo qualquer coisa sobre ele, sem medo que ele leia. Mas morro de medo do meu chefe achar que a indireta é pra ele - rei no mundo e bobo da vila.  Ou do quanto a política externa é escapismo para aqueles que tem medo o resolver as questões locais.

31 - Não sei o quanto Nietsche está certo quanto ao homem ser uma corda entre o escravo e o alem do homem, mas é evidente que o mundo tal qual nos conhecemos é um “entre” qualquer coisa. E repete-se até que chegue a hora de modificar-se radicalmente.

32 - O poder estimula e divulga as ideias de Marx porque sabe como refuta-las rapidamente. Mas teme aquele que ousa pensar o socialismo para alem dos seus clichês.

23-10-16

1 - Para mim o filme o homem elefante é um retrado da filosofia nitzchiana. Aquele tom modesto e ariscratico de nietzche esta refletido nas atitudes corteses do personagem, ainda que lhe machuquem.

2 - Alias o que o homem elefante diria para si mesmo nas horas mais tristes? “Deixe de tristeza voce é belo”? Não. “reaja você é forte”também não. “você tem um belo futuro pela frente”nem isso. Ou seja, como um monstro justifica sua existência na terra? Ou se torna um santo indulgente das fraquezas humanas, ou “monstrualisa” o restante da humanidade.
É claro que isso é de uma máxima contradição com a filosofia de Kant que afirma existir uma moralidade necessária no conceito de humanidade. E como todos os humanos são parte desse conceito há uma necessária moral em cada humano.

3 - Um outro conceito de mercadoria: uma tribo em guerra declara que quem trouxer a cabeça do filho do chefe da tribo inimiga ganha a mão da filha do chefe. Como os guerreiros não faziam ideia de quem era o filho do chefe inimigo, decidiram por eleição entre o “moleque de verde”, ou o “moleque magro” ou um “outro”. Mas, na verdade ganha aquele que primeiro decepar qualquer um desses três e correr de volta a pátria.

4 - A distopia via fb: Em todas as cidades, grandes ou pequenas, aquele que um dia manifestaram suas convicções “de esquerda” viraram “os petistas” e tiveram sues nomes difamados, suas casas e famílias destruídas. Caçava-se petistas ou coisas parecidas com quem se caça um rato.

5 - A historia é a historia da humanidade, o mundo não tem historia.

6 - Aquela cena fantástica do tropa de elite, quando o policial corre no meio de uma passeata atrás de um único cara. Imagine-se no lugar desse cara. Sua vontade é de ser “só mais um” e a do policial em ser astuto o suficiente pra saber que você não é só mais um.

7 - O escalpo de Lula vai figurar na sala de estar da elite entre Zumbi e Lampião. Na galeria dos frutos de “ caçadas aleatórias difíceis”


8 - Com a direita que está ai nos precisamos é de um novo Hegel, pra organizar um centrinho básico.

9 - O youtube é sobre “olha como é legal ser babaca”, “seja babaca também” ou “seja babaca ou não seja nada”.

10 - A historia de dois reis sem reinos, um porque o abandonou, outro porque a revolução o custou.

11 - “Não sou homem, sou uma dinamite lacradora com bumbum de granada” nieszhe 2016.

12 - [618, hdm].  o filosofo numa máxima delicadeza recomenda que os espíritos filosóficos não se tratem a si mesmos como fixos, contantes etc... ou seja, vamos mudar de cabeça o tempo todo.

13 – [629 hdm]: mudar de convicção é normal, não porque as convicções são por coisas de menor valor mas, porque elas são apenas escolhas constituídas no tempo.
14 – [630 hdm]- as convicções são cárceres mal feitos de que deve e pode fugir.
15 – [631 hdm] – você não se preocupe com o vulgo, ele te critica hoje te necessita amanha.
16 – [634 hdm] – a afã de defender as próprias convicções criou métodos epistemológicos mais seguros.

17  - [632 hdm] - o que não mata fortalece: Nietzsche está falando de culturas. Ou seja, aquilo que é rude na cultura velha ajuda a criar um docilidade inteligente na nova cultura.
18 – [633 hdm]  reaprender e reexaminar sempre pra não ser um tosco antiquado dogmático igual aos da época da reforma ou inquisição.


11-10-2016

1 - O professor pode ser chamado de tio, de pai, de qualquer coisa, menos de voluntario, e nunca se parecer com voluntario.

2 - Universo é o resultado da junção de dois universos. Ou na linguagem moral: a de escravos e a de senhores.

3 - Álcool ou alcahou Umas dessas esquinas, dessas que a gente passa sem perceber. Dessas esquinas que não estão pregadas na minha memória, como aquela esquina, daquele dia... Pois numa dessas esquinas eu encontrei um despacho. Galinha preta velas farofa cachaça fitas. Como o dia era de festa eu comi. Sim, eu preciso comer como qualquer outra pessoa, não é porque você me deixou aqui, sem comida, cigarro, sem violão ou cachorro que eu tenho que morrer de fome. Que eu vou come?  o cocô do cachorro que você não teve a pachorra de catar? Ou quer que eu coma o seu bonsai que de tão queridinho você deixou no banheiro. Uma pausa: caro leitor, eu leitora de vocês pertencer a essa raça, você acredita que a tal me criava um bonsai no banheiro? E ainda dizia que a praga ia dar frutinhos. Os únicos frutinhos que eu vi lá, era aquelas pelota suas no vazo que você não teve ensejo de despachar. Porque não tinha água! Ora e você e você não viu os cara da sanepar cortando? Porque não impediu?


4 - Do que adianta ser ateu mas acreditar em final feliz
ou
O ateimo- cristão é crer que ainda será salvo de alguma coisa, se for meio honesto.

5 - Aquela entidade que quer entrar pra academia atrás do corpo perfeito.

6 - O universo é uma grande serpente negra, as estrelas são reflexos de suas escamas.

7 - Para Platão dois mundos, para Nietzsche duas morais. Ambos são literais ou ambos são simbólicos?

8 - Signo não é sobre como a pessoa vai se comportar, e sim sobre como ela vai se comportar com relação a voce.

08-10-16

1 - O maior jornal do estado GAZETA DO POVO traz o editorial e uma reportagem a favor das mudanças no ensino médio, uma reportagem a favor das mudanças trabalhistas e da clt. Uma pedrada na vidraça é pra ver se eles acordam desse sono TEMERario.

                                                                                 
2 - Como um presidente e um partido saem da presidência em 2010 com 92 por cento de aprovação para chegar, seis anos depois, na atual situação? Nem me interessa dizer que roubaram ou corromperam, pois isso é comum aos partidos. É obvio que esse péssimo resultado é consequência de uma grande campanha contra o PT.  Uma campanha midiática, onde a mesma mensagem é vinculada em todos os tipos de mídia, na TV, facebook, twitter, revistas, editorias, e também mídias “espontâneas” como MBL e revoltados on line. Nesse sentido a percepção de mundo dos brasileiros é obviamente manipulada por um pequeno centro de controle. Pois não há mídias alternativas que tenha fôlego ou capacidade pra concorrer com os grandes grupos e estar de forma unânime em todos os canais. Com isso não quero defender o PT, acho apenas que é assustador a opinião publica ser tão facilmente controlada. Alias poderíamos pensar o inverso – e isso seria tão problemático quanto – uma campanha favorável ao PT por meio dessas mídias elevaria Lula a salvador do mundo. Não existe democratização dos meios de comunicação, nem nunca houve, simplesmente porque a manutenção dos meios é muito cara e porque as mídias alternativas não conseguem se organizar num discurso. O que podemos aprender com o MBL? Ter foco e paciência. Se foram seis anos pra uma desconstrução da esquerda, vamos levar 12 na reconstrução. Só a paciência pode nos salvar.  

05-10-16

 1 - A função pratica da filosofia é entender como as novas ideias relacionam-se com as antigas. Por novo temos a novidade daquele que ainda não existia; a novidade do reformulado; e a novidade daquele antigo que só agora percebemos.

Por ideia entendemos aquela que é forte o suficiente para congregar uma massa de pessoas, ou outras ideias.

2 - A democracia é o Poder sem a hipocrisia de uma mascara de rei, deus, deuses, seleção natural etc.. pois é obvio que mesmo em poderes monárquicos, teocráticos, aristocráticos a voz da multidão sempre falou mais alto. E quem rege a multidão?

3 - Na musica Eduardo e Monica eu era parecido com a Monica, agora, adulto,  to quase cem por cento Dudu!

4 - Segundo Nietzsche os problemas da vida, deixa marcas no entendimento.

5 - O tempo onde a aparência supera a essência. ( parece que é isso que diz foucauot) então se queres ser algo, começa por imitar aqueles que estão mais próximo de ser esse algo.

6 – [53 hdm] humano demasiadamente humano. Dar a vida por uma ideia não é dar verdade a essa ideia, ou seja, pode-se morrer defendendo uma mentira.
7 – [56 hdm]  inferno para o sabio é um lugar que os ignorantes criaram para dar sentido as suas estreita visão de mundo.

8 - E não seriam as atuais igrejas evangélicas apenas a versão Faça-você-mesmo da católica?

9 - Exercício de grupo: conte a historia do seu amigo, a historia futura. E descubra a profundidade da decadência.  


29-09-16

1        1 - Ela não me deu.



22-09-16

1 - Como seria viver exclusivamente pela razão? Ou seja, usar da racionalidade todos os tempos. Com certeza seria uma vida muito mais monótona. Entretanto desse exercício só poderíamos sair fortalecidos. E a força que ora nos referimos não é apenas a sensação de fortalecimento, mas até mesmo uma força social, biológica, pragmática, ou seja, tudo aquilo que tem relação com o muito externo.

2 - A filosofia sai dos currículos porque deve continuar no seu lugar “de fala”, ou seja, as elites.  Sejamos sinceros, a cultura humanística não seduziu os mais pobres.  E nós, pobres e professores dessa matéria, não temos lugar entre os oprimidos e, e somos reificados  pelos opressores. Saída: continuar sendo doença.

3 - O amor só se encontra nas manhas chuvosas de abril.

4 - Por principio eu não posso ser contra a não obrigatoriedade das ciências humanas. Seria ótimo se os estudantes pudessem escolher de acordo com suas afinidades. E seria ótimo também se houvesse O QUE escolher.  Porque por hora a escola publica, sucateada, não tem o mínimo de condições para escolha, trabalhamos todos os dias “no que é possível”. E essas mudanças tão modernosas, nada mais são que o barateamento da educação.  Barateamento em todos os sentidos: do currículo, do espaço, do profissional, da estrutura etc. EDUCAÇÃO NÃO É GASTO, É DIREITO.
  
18-09-16

1 - Quando foi que a humanidade começou a criar museus? Pois foi no tempo em eu perceberam-se imortais.

2 - A relação de sociólogo para técnico de sociologia é a mesma que de filosofo e erudito?

3 - A homofobia está totalmente incluída dentro do machismo, ou ela tem algo “em si mesmo”?

5 - A luta contra os preconceitos é uma espécie de arte ou seja, cada um faz do seu modo, e nos julguemo-lás boas ou más de acordo com nossos pacos critérios. 

6 - Não é a atenção da política ou do Estado na economia que gera riquezas econômicas, assim como não é a atenção da cozinheira que esquenta a panela. Mas as chances do prato dar certo aumenta muito esse há atenção dessa sobre aquela.

7 - No Brasil existem quatro vertentes políticas, a direita, a esquerda, a direita burra e a esquerda burra. Sábio é quem consegue distinguir uma da outra, esperto é quem sabe esconder uma na outra.

8 - Aquilo é um pássaro parado no ar ou uma mancha na minha janela.  / não podemos escrever isso, é muito bobo /  escreve então: a realidade é uma confusão mágica de regras e exceções ou apenas ridiculamente normal.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

04-10-16

Beijo - Olho para a foto de Jean Wyllys beijando o Freixo. E apesar de me considerar um sujeito progressista o primeiro pensamento que surge é “iiiii deu ruim” pois tenho certeza que os conservadores irão usa-la contra Freixo. Uma vez que Wyllys não tem capital político pra dar uma jogada dessas. Entretanto, com um pouco mais de cuidado posso perceber que o meu ‘progressismo’ não é tão forte assim, talvez eu esteja pensando como político e não como povo – como deveria. É claro que a foto será usada contra eles, mas também é certo que pode ser à favor dele, à favor dos gays e lésbicas, à favor de quem entende que um beijo não é “pecado”.

Capital – É curioso ver a atitude daqueles que tem o tal do capital político. Obama, por exemplo, deixa-se fotografar em mil situações engraçadinhas, sua mulher dança em programas de auditório, parece o Lula nos tempos áureos. Acho que a máxima de “quer conhecer alguém. Lhe de poder” vale para isso também, quando o sujeito tem poder e capital para grandes mudanças, mas ele não quer grandes mudanças, usa desse capital pra criar uma caricatura de si mesmo.


Esperança – que tolo sou eu, olhando com certa esperança para o RJ quando todo mundo sabe que se a “esperança é a ultima que morre” devemos antes de qualquer coisa assassina-la. É inútil ter qualquer esperança nesses tempos, a política chegou ao limite do que Bacon chama ídolo da tribo, ou seja, a humana condição.  Esperar que algo melhore dessa configuração político-partidária é esperar em vão.  Em outras palavras: nos lutávamos por transparência, agora todas as cartas estão na mesa é obvio e transparente que o baralho é (em essência) adulterado. 

domingo, 2 de outubro de 2016

Ela não me deu.

Quando me perguntam sobre o porquê da escolha pela filosofia sempre invento uma resposta nova. Algumas vezes falo serio, mas na maioria delas é apenas uma criação momentânea de acordo com a pessoa que pergunta. Afinal o que eu sei sobre escolhas? Sei no Maximo as consequências delas, o motivo sempre me pareceu obscuro ou, pelo menos, irracional. Entretanto refletindo esses dias sobre essa questão, percebi que em algum momento eu esperava que a filosofia me desse um motivo maior. Percebi que eu gostaria que ela suprisse o vazio deixado pela religião naquele espaço da vida que nos move e sustem. Algumas pessoas acordam cedo para lutar contra ou a favor de algo, outras lutam pelos filhos, outras pelo dinheiro. Eu não tenho nada, nenhuma paixão me impele, ou pelo menos, nenhuma em especial. E acho que foi essa falta que me levou a reflexão filosófica: de algum modo eu esperava que a filosofia me desse um motivo. Porem ela – assim como a arte – não me deu. Ando na vida com um personagem de Camus, tiro a força necessária para viver do próprio dia. Os problemas e pequenos desafios do dia me movem, e por eles me esforço. Como norte de vida? Como objeto de paixão?... Nada. 

sábado, 10 de setembro de 2016

caderno de exercícios.

Andanças.

Fazia parte de nossa rotina: andar lentamente pela cidade; observar cada uma das janelas e imaginar os diálogos que se passavam ali - Enquanto num apartamento um casal olha a Lua, num só olhar, em outro o silencio empurra para o fim do amor - Quando não nos estirávamos na grama, vendo, por longo tempo, o balé das estrelas no palco infinito do céu.  Isso só poderia ser felicidade. Ainda que ela fosse trazida por uma ou outra substancia. Alias esse cheiro é cocô de cachorro ou minha roupa?  Que nunca deixemos de rir, que a rua seja sempre assim cheia de declives e degraus, que os cães sejam nossos companheiros. O céu que sorri pra nos, também nos acompanha na noitada. Seu halito com ardência de cachaça aumenta meu amor entre as pernas.

A volta.

As dúvidas sobre sua amizade imperam em meus pensamentos. Quantas palavras belas não disseste pra tantos outros, tantos quantos sobem seu endereço, seu gosto, o caminho de pelos da virilha. Em quantas imaginações não figurou até hoje? Eu mesmo agora que te tenho ao lado, ainda não me pertences, sua presença nem está toda aqui. Vadia por quantas historias, quantos lugares, a sua memória? Então também meu deixo-me levar pelos pensamentos: por quantas noites lembrarei dessa; essa brisa, onde vai?; Trago as chaves?

O desejo.

Desejo é a palavra de ordem do organismo humano. É impressionante como nos podemos supor que eles atrapalham a razão, ou que eles podem ser controlados. Na verdade a busca deveria, antes de tudo, ser por compreender o desejo para depois compreender sua doença e sua cura. Um peixe sonha em conhecer as cidades humanas, as florestas... ou seja, tudo aquilo que é exterior ao mar. Entretanto não pode viver fora do seu ambiente. O mesmo acontece conosco em relação ao desejo. Sonhamos com a vida sem a perturbação do desejo, ainda que sem ela a vida não é vida.


A bíblia não-cínica:

...e o homem criou o homem a sua imagem e semelhança, o chamou de filho, da costela de seu filho fez algo quase tão bom chamado mulher... a mulher reclamou que era fraca e menos inteligente, dai o Homem disse, tá bom vou te dar o beneficio da gravidez, terás a honra de gerar a mim mesmo quando eu quiser me fazer carne e ser filho do meu filho.

Xx

Na eventualidade de uma racionalidade,
eventualmente redescobrida,
e a identidade (que nem é novidade)
redefinidax

Demos

Estava pensando que para as sociedades modernas, cuja estamento fica apenas na questão financeira, sobra duas alternativas políticas a democracia capenga ou a ditadura.  E assim é necessário dar um credito aos saudosistas da ditadura, o que eles estão dizendo que é nossa democracia nunca vai deixar de ser isso aí que ora vemos. E a solução não é uma revolução social, essa seria consequência de uma outra revolução, muito mais eficiente: a revolução do pensamento. Ou seja, fugir do conformismo, e do conforto. O vicio no conforto tem atrofiado nossa forma de pensar. Feliz foi o apostolo que tinha um espinho na carne. Encontre o seu.

14 à 80.

Numa pergunta sobre a justiça de Deus, um primeiro responde que sim e o outro diz que não. “Deus não é justo”. O interlocutor interroga por quê.  Ele exemplifica: imagine uma pessoa que aos 14 anos de idade peca contra a vida, passa a vida toda se arrependendo desse pecado do suicídio. Aos 80 morre, Deus tem a prerrogativa de aceitar o arrependimento dessa alma. Se o fizer, iremos louva-lo, mas, se a condenar ainda lhe chamaremos justo?

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Obs. Você pode me dar um espacinho? Então dá um passo pra lá e segue essa rua reto até Plutão. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

carta para R.


Existe uma maneira de descrever o tempo? Seria sufiente eu colocar aqui algumas datas? o ano-novo de 2013, eu você e uma porção de amigos; aquele dia em que te esperei sentando no meio fio do passeio público; aquela marquise perto da sua casa, quando te beijei por tempo suficinte pra saber que tinha me apaixonado, aquele dia na casa do “tio B.” que apesar de tudo acabou mal; o dia da despedida; o dia que conversamos ao telefone e eu, pela primeira vez, briguei feito louco por e com você.
Ou talvez o nosso tempo se conta de antes de nos falarmos ( lembra do Orkut?rs).
Ainda que o tempo, não passe de memórias vãs, palavras que o vento levou, eu gosto de lembrar que um dia elas foram proferidas com verdade. Nunca duvidei de nenhum de seus sentimentos preocupações obsessões, não saberia nem qualificar o tanto sua intensidade me preocupa. Sua coragem supera os continentes e as línguas, sua alegria e sorriso superam minhas (ateias) convicções. E apesar de tudo, de tudo mesmo, se tem algo que eu tenho certeza é que você me receberia... assim mesmo como estou: distante. Se tem algo que me conforta é saber que você está na zero hora dum tempo que nunca para...que não esqueci.

sábado, 30 de julho de 2016

sopraram a vela.



Eu vivia numa antiga aldeia, gerações e gerações ali tinham filhos, casas, comiam.  E desde que eu me vejo por gente, havia Cisto, o maluco. Maluco que acordava cedo, calor ou frio, se é tempo de plantar ou colher. Levanta-se e no meio da praça começa com seus rá, trá, iiiiaaaaaaaa!!!!, é seu “karatê”. Diz ele “ quando Eles vierem, temos que estar preparados, nos vamos lutar com eles aqui mesmo nessa praça... dai você mete um soco assim, depois uma voadora... depois tu finaliza ele assim...” Passa dias se preparando para uma tal invasão nunca explica. E contra “Eles” que ele nunca nominou.   
Quando eles chegaram mataram com um tiro, o primeiro que foi correndo em direção à eles. Era Cisto.

Agora somos escravos deles, eles são nossos ídolos e “cistar” é contar piada. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Duas historias sobre meninos e seus jogos.


Rami. Um garoto de pele escurecida pelo sol, olhos negros, cabelos lisos  igualmente escuros.  Ele sozinho parado em frente a sua casa nos arredores de kabul, Afeganistão. Era como uma fotografia da natinal geografic. No olhar de Rami cabia caças ingleses e americanos que davam rasantes na sua aldeia, cabiam cabras que pastavam silenciosas, cabia os meninos dos arredores com quem brincava até mesmo durante a guerra. Ele não se assusta mais com quase nada. Apenas algo o deixou perplexo aquela manhã: sua mãe disse que era “hoje” o dia que iria a nova escola. Os americanos tomaram a região do poder dos talibans, assim as crianças voltaria á vida normal de sala de aula. Mas o normal pra Rami era ficar em casa, brincar, procurar pedras brilhantes... Era hoje: ele sairia de sua casa, esperaria o ônibus numa estrada próxima, e ia conhecer a escola. No caminho da sua casa até o ponto, um vento seco, uma pedra, ou qualquer outra distração o atrasou. Quando olha para estrada lá ao longe vem o ônibus e ele longe do ponto. Correu Rami o quanto pode, mas não alcançou. Passou o ônibus. Do outro lado da estrada alguns garotos de idade igual ou maior que a sua, carregam fuzis e juraram lealdade ao talibam. Quem vai a escola “dos americanos” deveria ser morto. Rami vira-se de costas, larga os cadernos no chão, corre o quanto pode, suas sandálias de courro enterram-se na areia quente, ele tenta escapar dos tiros – aqueles, um dia, foram seus amigos. Rami morreu com um tiro de fuzil nas costas. Seu corpo magro e pequeno está caído no chão do Afeganistão, sobre ele paira um silencio absoluto. Os outros garotos se vão....


Num imenso país da America do sul, havia uma grande cidade e suas periferias. Nele um clube de futebol, que disponibilizava seu campo de treinamento para os garotos da comunidade próxima. Uma vez por semana naquele gramado jogavam dois times os coletes vermelhos e os azuis. Como caridade tem limites, ambos os uniformes eram velhos. Para os garotos não havia diferença, suavam a “camisa” para defender o time, mesmo que na outra semana jogassem no time contrario. Mas, um dia apareceu um jogo coletes novos, azuis. Agora quem jogasse no time azul era melhor e não deveria andar com os outros, os vermelhos. 


imagem:Debret

segunda-feira, 4 de julho de 2016

duas lembranças


Carta para A.

Olá, como vai você? Talvez essa mensagem depois de algum tempo até te surpreenda pois eu sei que não é costume as pessoas procurarem antigos casinhos depois de serem sumariamente descartadas. Porém eu sou de outro tempo, um tempo em que não se descarta um amigo apesar de tudo. Principalmente em momentos de intolerâncias e solidão. Então se você ainda tem alguma espécie de afeto por mim, me diga se está tudo bem, me fale de como tem levado sua vida e seus amores, me conte se ainda escreve musicas românticas ou político-sociais. Se está otimista com o segundo semestre. “Fora temer” ainda é uma frase agregadora? ou está lutando por alguma outra coisa? aquele cara que eu conheci e me identifiquei era ilusão? Era? já era?

Carta para J.

Oi como vai? É... talvez eu esteja insistente, e até inconveniente lhe mandando mensagens depois desse tempo todo sem respostas.  Mas, devo dizer que ha coisas mais importantes no que meu orgulho ferido, nossa amizade por exemplo - Pois creio que ainda somos amigos - De tal modo que me interessa muito saber sobre você, o que tem feito. Tem saído muito com os amigos novinhos? Tem pego muitos novinhos? Você ainda sorri timidamente quando alguém te elogia, ainda se veste de maneira impecável?  Eu teria muitas coisas pra lhe contar também, a respeito de minhas próprias lutas, do quanto foi difícil lidar com o silencio que de repente caiu entre você e eu, e do quanto eu me sinto forte por aguentar tudo isso, todos os dias, e ainda achar motivos pra rir de qualquer coisa. Pois a alegria é feita dessas “quaisquer coisas” e das lembranças boas e más que moram em nossa memória. Sim! Eu aprendo com as lembranças más, aprendo com o vazio deixado por você. E não é no vazio que o seu perfume se propaga melhor? 


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Sabrina II



Se Borges tivesse enviadado um pouco, teria nos contado do porque, o barco Sabrina II tinha esse nome. Talvez ele nos dissesse que Sabrina era uma espécie de santa, pura. Sua pureza foi conquistada ao longo de mais de cem metros de pica que levou no cu. Quando garoto, tinha uns treze anos, sua aldeia já começava a julga-lo como um “daqueles”. Logo expulso dos seus partiu ao porto, onde foi encontrado sorvendo liquido seminal. Condenado ao trabalho forçado foi parar no porão de um navio. Seu anus cotidianamente aliviava a tensão dos homens. Ao chegar ao destino o lançaram ao mar, pra que com ele afundasse a lembrança das ações antinaturais que tiveram. Porem batizaram a nau com o nome de Sabrina (um marinheiro quando lhe metia chama por Sabrina, Sabrina meu amor....Sabrina...) em homenagem. Maus tempos e ventos fortes afundam o navio em alto mar. Passado o vendaval, os sobreviventes encontram uma outra embarcação, nova, inteira, segura os esperando. Era presente de Sabrina lá do céu. Essa historia só Borges poderia contar. 




img:http://ultradownloads.com.br/busca/navio-em-mar-tombando-para-cima-em-desenho/2,,,,,11,2,.html

sábado, 2 de janeiro de 2016

O caso Wagners


Caro senhor curador da exposição “toda a beleza do mundo”.

Estou perplexo com a sua falta de sensibilidade artística! O senhor recusa a minha obra prima, o senhor recusa o meu olhar artístico. Sob esses aspectos, eu até poderia considera-lo um dos meus críticos e portanto acatar como ponto de vista essa recusa. Porem, eu insisto por que não se trata de uma obra minha, é uma obra da nossa cultura, uma obra que é a marca do nosso tempo. Se eu acreditasse em Deus, diria que não foi minha escolha e sim obra divina esse que lhe apresento.

Apesar de ser contra toda a minha formação artística eu deve lhe contar como surgiu a obra encomendada para sua exposição.
(A principio sabe-se que “toda a beleza do mundo” é uma bobagem. Nada detém toda a beleza mundana, então nada pode representa-la. Nem se eu colocasse um cupido natimorto de ouro estaria sendo fiel a esse principio.)
Eu sei que sou um dos artistas mais importantes vivos, sei disso antes mesmo de ganhar os prêmios que ganhei, antes até de fazer a primeira linha sobre o papel na pré-escola. Onde alias sofri muito por não ser compreendido (é uma marca do gênio). Depois de anos de mostras, exposições, criticas aprendi a tirar de mim o verniz da modéstia e apresentar-me como sou, ou seja, um genial artista. A incompreensão do meu trabalho denota apenas falta de sensibilidade artística, isso é sabido por todos.
Sua carta, respeitável alias, dizia “faça uma obra que represente toda a beleza”. Eu pensei num auto retrato. Porem esses estão tão passados quanto as pinturas rupestres. Então compreendi que ao contrario levaria uma obra: O meu namorado Wagner segundo. Pois e a coisa mais bonita que eu já fiz. Entretanto não é viável deixar um homem comum, vivendo o resto de sua vida dentro de um museu. E mais: ainda não era suficiente para demonstrar o principio desejado: a beleza. Pois ele era apenas uma criatura.
(é amplamente conhecido que meu namorado era morador de rua, alcoólatra, com baixa auto estima, suicida em potencial etc.. e eu o transformei no mais belo exemplar do sexo masculino que conhecemos. Isso ficou claro graças a minha ideia de fazer dessa transformação um reality show: O homem do homem. O país pode ver, episodio por episodio, como eu o transformei, plásticas, aulas, ginástica, inclusão de memória e outra técnicas modernas de poética. Mas eu não acho que essa seja a minha obra prima)
Eu, sou a obra! Eu represento, o ideal de criador da mais pura beleza humana. Isso é evidente até pra mim, quanto mais deveria ser para o senhor. Eu quero a partir do inicio da exposição até a minha morte, estar no museu.
(depois de morto já tenho uma performance planejada que inclui fogos e canibalismo, mas isso é problema que deixemos os advogados resolverem. Risos)
Grato espero a sua carta aceitação e as de desculpas.
Att. Wagner Primeiro.

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Caro senhor diretor do museu Xcart.
A tenho absoluta certeza que sua sensibilidade humana é maior ou tão grande quando a sua sensibilidade artística. Portanto o pedido que lhe faço não deve ser tão estranho quanto poderia parecer noutros tempo.
Gostaria de poder levar pra casa uma de suas obras.
Pois como é amplamente conhecido, o artista Wagner Primeiro resolveu se autodeclarar obra de arte. (denominada O artista) porem, ao visita-lo algumas vezes no museu pude perceber seu enorme descontentamento com sua atual condição. Ele que era um sujeito vivo e muito corajoso agora não passa de um rascunho pálido de um ser humano fraco e sem sol. Não quero dizer com isso que o senhor e o seu museu não sabem tratar bem suas obra, pelo contrario. Porem nesse caso é evidente que a obra em questão não é uma obra, senão um erro. Sim! O artista errou em apresenta-se como arte, pois não há evidencia nenhuma que o transforme em tal coisa. Ele é um ser humano e precisa sair do museu. Ele também reclama que o crachá “não toque” está em desacordo com a estética, sendo uma interferência na obra.  
Como disse confio na sua sensibilidade humana.
Att. Wagner segundo.
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Caro presidente da republica.
Chegou a nosso conhecimento que no almoço com os jornalistas o senhor será questionado sobre o caso Wagners. Para tanto lhe apresentamos os fatos: um artista resolveu que a sua existência poderia ser considerada arte, ela (sua existência) foi comprada por um museu particular e desde então está exposto ali. Entretanto com o passar dos anos ele percebeu que um ser humano precisa de mais coisas que alimentação, higiene, e os demais confortos que tinha como “obra exposta”. Então pediu ao diretor do museu que o contrato fosse recindido. O diretor porem, alegou que havia pagado pela obra, que não havia descumprido nenhuma clausula do contrato que justificasse a quebra. O artista recorreu ao seu cônjuge para que interviesse como antigo proprietário da obra. Porem esse mesmo, já era considerado por todos como uma outra obra, visto que fora transformado no que é, por intermédio desse primeiro artista, quando era estrela de um reality show (os jornais chamam o caso de “uma obra de arte revindica a liberdade de outra”). Desse modo a secretaria de direitos humanos acolheu ao pedido desses senhores para que os contratos rejam revogados e ambos sejam considerados humanos novamente protegidos pelo estatuto desses. Entretanto apenas a presidência poderia agir desse modo, uma vez que a lei da propriedade privada nunca foi desrespeitada em nosso país.

Att. Secretario de comunicação da presidência da republica.