sábado, 29 de agosto de 2015

Parado no portão.


Essa cidade é uma loucura
As ruas são só íngremes.
Todas elas: subidas intermináveis e cansativas.
O vento dessa cidade corre pra todos os lados, arrastando tudo o que encontra.
As cruzes sobre as igrejas rasgam o tecido do céu, de chumbo derretido.
Aqui tudo se movimenta e é aleatoriamente.
Aqui tudo é confusão
Aqui....
Apenas a sua casa permanece imóvel, fixa e igual.

Ela é o tumulo do tumulto.  
Sua casa é uma anti-caixa de pandora.
Na cadencia do mundo ela é uma pausa, um lugar preso em si mesmo.

Sua casa, guarda o silencio de tua boca,
O habito de teu gesto. A tua casa:
morada do teu sono, cheiro, riso.
As paredes da tua casa:
as paredes de fora da tua casa me expulsam de perto de você.
as paredes de dentro te protegem de mim, do meu amor doente,
as sabias paredes da tua casa te escondem dos meus olhos famintos.
O portão de tua casa zomba do meu olhar espreitado entre as barras de ferro.

Na sua casa não venta, não há som, barulho.
Na sua casa não escapa telha, folha, luz, reboco.
A tua casa me põe medo.
E me põe no olho da rua.

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