terça-feira, 11 de agosto de 2015

O ultimo discursa.

 


Era uma vez. Era uma vez num tempo futuro. E era uma vez, porque o tempo já não importava mais. Havíamos findado: eu, você e todos os outros. Era o tempo de um só homem, o Ultimo. E ele monologava.

“Como eu fui sábio! quando lutei contra aqueles que diziam que o mundo acabaria se não cuidássemos do ambiente. Eles estavam errados. Eu sou a prova e o mundo que a minha frente está, também prova: sobrevivemos às catástrofes, sobrevivemos às hecatombes e as enchentes. Eles clamariam por aqueles que morreram na grande chuva, que afogaram nos anos da grande fumaça, ou tentariam gritar por aqueles que simplesmente não tinham mais água/alimentos. Mas, eu diria que a morte faz parte.... que morrer não prova nada...que estar vivo é estar certo, e que a morte é natural.”

Dirigindo o seu olhar para outra ponta da cidade vazia ele diz: “eu também estive certo, ainda que falasse praticamente contra todos, quando dizia que eles, os minoritários: homo, trans, não-binários etc... etc... nada tinham para contribuir com o futuro. Cadê eles agora? Pois só nós, héteros reproduzimos, eu provo isso.”

Num outro conto do vazio ecoa um novo discurso do Ultimo:
“Sou a espécie mais forte de toda a criação. Sou. Enquanto todas as outras sucumbiram, morreram ou foram mortas por outros, que como eu eram os mais fortes. Eu, aqui, provo isso.”

Assim dizia o ultimo homem... O Feliz, O satisfeito, O certo, O coerente. 



imagem: Phillippe Petit

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