sábado, 30 de agosto de 2014

Considerações sobre  A PRESENÇA.
                Sempre que aqui me sento, que vejo-a na sua dureza, nas suas estruturas tão rígidas e nas suas formas com tantas arestas e cantos e pontas. Eu. mortal de carne, tecido, eu algo tão mais delicado que ELA. Tenho horror de supor que nossos corpos podem entrelaçar-se um dia. Medo de que ELA venha sobre mim com sua mão pesada e terrível e fira minha pele meu corpo deixe suas marcas em mim pra sempre. Medo que eu mesmo, suicidamente, enfrente seu poder e queira com meus punhos, carne e osso, quebre suas estruturas. E eu me fira mais um vez. Medo que entre nos haja, supostamente, atração física ou sexual, onde eu me fira mais uma ou muitas vezes por conta da incompatibilidade de nossos corpos. Que ELA de desmorone sobre minha carcaça que está tão fraca.


Considerações sobre a ROUPA.
                Era pra ser um encontro comum, onde as pessoas vestem o que de melhor tem no guarda roupa. Mas a presença vestiu-se ASSIM. E eu sei que qualquer aproximação gera dor, feridas e rasgos na minha pele. Ainda que ela esteja bela, ainda que ela não saiba que isso me fere, ainda que pra ela tudo vai bem. NAÕ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PRA MIM NÃO!!!!!!!!!!!!! Assim eu não posso te tocar, assim eu não tenho como chegar perto de tua pele. Deixa essas coisas pra lá, por favor. Ou de fato a Presença não quer que tenhamos relações e desdenha de meu desejo. Desdenha de minha vontade de toca-la. Maldita.

Considerações sobre a DANÇA.
                Um desafio estava lançado sobre esse terreno. Não outro, nem em outro tempo. Era pra ser aqui e agora que me impuseram a missão de SER.  Agora eu tinha de ser aquele que lhe puxa pelo braço, que guia sua mão, que anda sobre qualquer desafio.  E eu vou porque pra ser homem é necessário deixar de ser humano. O quão tolo isso é, só pode ser respondido pelo êxito.

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Da beleza.
Hoje assisti um documentário sobre a beleza no mundo antigo e atual. O documentarista e também filosofo começa por explicar a necessidade que nós humanos temos da beleza, segundo ele, ela é um valor em sim mesmo importante com a verdade e a bondade. Nesses critérios é difícil questiona-lo. Afinal a vida é muito melhor com a beleza, seja na arte ou em qualquer outro lugar. Entretanto ele questiona a falta de beleza na arte contemporânea e na arquitetura, afirmando que elas são iconoclastas, ateístas, promotora da desumanização do mundo. O filosofo detesta em especial algumas obras que fazem releituras das artes sacras, interpretando-as como obcenas e blasfêmias. Então o documentário me levou a pensar o valor da arte, da necessidade da arte hoje. Pra dizer o que todo mundo diz: a arte não serve mais pra ser bela, decorativa. Também não deveria ser apenas negócios e milhares de dólares, mas, aí o problema se junta com outro: o capitalismo, coisa que não sei nem quero discutir. Então se eu pudesse falar com esse senhor, que quer ver a arte sendo linda e promotora de belezas sagradas no mundo, diria que não. Não é mais a arte que fará esse papel. Não existe apenas esse tipo de arte que acusas de blasfêmias (ele mesmo apresenta um coral sacro no final do filme).  Não generalize a arte atual. Se a arte é um retrado do mundo, saiba que vivermos num muito tão cruel quanto GUARNICA.  Não, tu não sabes ler a arte contemporânea no seu critério fundamental: unidade. Cada arte é individual, assim com o é o homem, não se vê o FONTE com os mesmos olhos que viu DAVID. Se tu queres mudanças nesse sentido, faça o exercício proposto por Nietzsche: trans-valorize os próprios valores da arte e do mundo.

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2005: referendo do desarmamento. Estive do lado daqueles que diziam SIM. Perdemos. 2006 votei na candidata Heloisa Helena. Não foi eleita. Também em 2006 achei que as ideias de Cristovam Buarque poderiam oxigenar os outros candidatos. Não foi bem assim. Em 2010 votei com confiança em Marina Silva. Perdemos ganhando. Agora em 2014, mais uma vez, creio na coragem para implementar os projetos urgentes necessários modernos.  Creio tanto quanto acreditei nos acima citados. Mas, dessa vez  vamos ganhar. Nunca conheci essa sensação, mas creio que será possível vivencia-la sem perder o principal: a democracia como ideal maior.