sexta-feira, 11 de julho de 2014

exercícios: reggae

Tu

Das minhas próprias ondas faço mar, surfo.
Eu sei que minha voz, morre.
Mas, tenho, cá, meu corpo de baile
Eu tenho a voz da consciência: nunca estou só
E dessas coisas todas, só delas dependo.
O amor, quando surgiu foi descuido:
 porta aberta e vento forte na janela,
entrou sem eu perceber.
E fez da casa um lar,
Cama, leito
Braço, abraço
Vazio fez silêncio contigo.
 Moro só, com você, agora.

---
 Eles

Arrumo o espírito pois sei que o que começa é SANTO. É o lamento de toda uma nação, de toda uma raça que a séculos sofre por diferentes dores. E é por tantas dores que se curou... se santificou. E quanto o PRETO VELHO começa a falar , eu.... ouço. Não apenas com ouvidos de escutar, mas, com ouvidos de ouvir. Quando a MULATA dança, eu lhe empresto meu corpo para seus movimentos. Tenho RESPEITO pelo cheiro da taba. Tenho paladar pra seus grossos lábios, sua pele retinta. E eu sou RAGGE.  Entretanto meus sentidos não compreendem por completo, escapa aquilo que, sei, é essencial de tudo que fala.  Talvez falta-me ser mãe como foste tu A Africa. Duro com Zumbi. Amar com o Gil. Sou as margens que o rio lava, mas não leva.

- - -
 Eu

Cara feia, feia mesmo, mas de criança sorrindo com sardas. Cara de tudo que é arlequino, feio e bonito, pois jovem. Dentes cheios e amarelados, pelos doces do bar do Pedro. Cabelo de um amarelo escuro que jamais ira se repetir. Uma ferida, sempre, no lábio. E os olhos verdes verdades como a mata que nunca conheceu, mas sempre viveu. De tudo voz, uma femelidade que “entrega”, entre outra coisas que lhe entrega menino-delicado. Que agora, fará orgulho, dado o tempo transpassado de liberdade que vivo.  Viveu, todavia, mais poderia ter vivido, não fosse o medo de morrer, de doer, de apanhar por se ser assim.....

- - -
 Isso

A madeira. Dura ou mole. Velha nova e verde. Cada uma o seu som, guardado na alma da mata. Sim, todas as madeiras fazem barulho quando caem, quando atingidas por um raio despencam, quando nascem numa sinfonia tão baixa (sò Franscisco de Assis pode ouvir)  e quando sob o julgo de um demônio em brasas gemem a dor do incêndio. Quanta madeira pode haver ainda nesse mundo condenado ao aço frio? Quantos violões ainda falaram sobre as guitarras? Apenas enquanto a alma do mundo viver.  

- - -
Vos. 

Filho. Conselhos não deixo. Nem filho também, pois eu que nunca foi filho e nunca ouvi conselhos, nessa arte não tenho pratica. Mas te deixo um olhar sobre um mundo novo, de olhos vivos com vontade de ver. Te apresento esse sol, essa terra e esse modo de andar sobre a areia da praia. Te falo da dor deliciosa da paixão e do gosto doce e amargo da saudade. Te deixo a direção do vento como ideologia e um monte de nomes, grandes medalhões pra belos discursos (machado de Assis, Reale) e outros nem tão celebres mas que reviraram os olhos de prostitutas como poucos.  Por baixo da terra corre o rio dos homens livres, que, raras vezes alimentam essas poças cotidianas dos homosapiens. Livre-se, caro filho, de nadar em poças.

- - -
Nos 


Então falaram que nossa revolução era, na verdade, ilusão. Que os homens do mundo todo preferem ter à ser. Que as pessoas são felizes quando lhes sobra o que aos outros falta. Que sempre foi assim. Mas, incrédulos nas palavras alheias, continuamos a caminhar pra onde a seta do coração apontava: o mundo onde as pessoas amam mais que sentem, onde o riso agrega mais que as correntes. E no nosso caminhar, irmãos de outros pais, juntaram-se a nós. Outras cores e credos, outras formas de amar, formavam uma só coluna. Até mesmo os arranha-céus, até o riso incrédulo do doutor, até mesmo a batida policial afirmava que havíamos conquistados mais territórios, ainda que deles despedíamos imediatamente, levando bagagens sabias. Lições de quem nunca pretendeu ensinar, mas, ensina.  Era surpreendente o quanto aprendíamos sem querer aprender, só vivendo. E nunca, professores tão atenciosos. Medo de, cabeça sábia, desconsiderar a santa ignorância. Louvemola abaixo arriba, mentaliza: que eu nunca deixe de saber que pouco sei. Que pouco que sei saia pra outrem também, menos e mais saber.... roda a vida. 


*exercícios ouvindo reggae 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.