sábado, 17 de maio de 2014

trânsito interrompido

Hoje acontece uma marcha em minha cidade. Pessoas de diferentes idades e classes sociais saem as ruas para comemorar sua religião. É a chamada Marcha para Jesus. Os motivos que levam essas pessoas são variados, em comum apenas o desejo de expressar-se, de mostrar e reconhecer a força do movimento. Dentre suas reivindicações merece destaque a condenação do aborto, do casamento gay. Grosso modo eles se opõem a pautas tachadas de progressistas, mas, que em suma seriam de liberdades individuais. Ainda que eles próprios idolatrem o livre arbítrio e a consciência individual. Ou seja, é um movimento contorcionista que os pés fixam nas regras da igreja e no dever e as mãos agarrar o individual, a alegria e esse humanismo contemporâneo.
O cristianismo é esteticamente conservador e politicamente reacionário. Basta lembrar o teatro cristão e o “dai á Cesar” pra perceber que ele nada tem a acrescentar nas artes e na política. Portanto esse movimento não me seduz em nada.

Mas, essa cidade sempre se deleitou com o mesmo, com a repetição... continua, como afirmou Leminski, sem Eros, sem erotismo. Deixemos a marcha marchar, pra tudo continuar como sempre foi.  Pois assim com a marcha interrompe o trânsito a religião interrompe as ideias, mas de uma maneira ou de outra eles voltam a se movimentar. 

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