terça-feira, 20 de maio de 2014

k.h. regra

Confessemos, pois, que a natureza coloca-nos sonhos impossíveis de realizar. Como paixões proibidas e até desejos imorais, sem ter limites. Deixa à nós essa tarefa de limitarmos. O desejo tende ao infinito, levando assim, o ser finito, eu, pra frente. Mas uma hora morremos. Deus é amor, paz é Bem, e vice-versa, são também desejos que nos impulsionam a um passo pra frente. Entretanto o  alvo é falso: Miragem.  Nem o mal nem o bem são radicais, o desejo, esse sim move o sujeito com todas as forças, sem freios naturais.
Se desejo algo absolutamente impraticável. Então coloco-me um limite e nisso fricciono desejo e moral produzindo uma narrativa pra mim mesmo, uma maneira de continuar vivendo. Acho que isso é mais uma prova de que a cultura é destituída de sentido natural. Que vivemos num mundo apartado da natureza e somos em suma inúteis ao mundo. Talvez sejamos um empecilho a nossa própria natureza. Algo como a alma uma prisão ao corpo.
Era isso que falava Nietzsche? convicções são cárceres, algo como pensamentos tautológicos, verdades verdadeiras são o limite para a natureza e o corpo. 
Saber disso só tem uma função agora: morrer em paz. Morrer sabendo que nada fica no mundo que não seja ilusão. E eu mesmo como ilusão. Saber disso não me faz feliz nem forte, ao contrario me iludo mais uma vez com a possibilidade de descortinar o mundo, revela-lo. E pra que revelar esse bastidor? A felicidade está na direção contrária à essa, na direção da ilusão.


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Era madrugada eu voltava de bicicleta do centro da cidade para a casa. No caminho um homem correu em minha direção “para! Para!” queria me assaltar. Pedalei com um pouco mais de força e logo escapei do alcance. A Poucos metros a frente sorri pelo meu sucesso e lembro de querer xinga-lo. Mas, o primeiro xingamento que veio a minha boca era relativo a cor do homem.  Me senti envergonhado por ter um vocabulário, no sentido de palavrão, tão limitado a racismos, homofobia e cu. Porque os xingamentos que tenho em meu repertorio são ligados à raça e a opção sexual, porque eu aprendi apenas esses? Ou porque são esses os que, penso, realmente ferem a honra de outrem?  Triste viver nos estreitos limites do racional e social.
Queria ser eu o assaltante. Ou nunca chegar em casa, talvez ter outra casa. Enfim, subverter essas regras mesquinhas do mundo miloitossentista. Não suporto mais um mundo em repetição constante.  Ao que se indica aquele cara continuará assaltando (reincidência, é o que a sociedade espera não? ) eu continuo sendo o assaltado.  A ordem continuará a ser bradada nos programas da TV,  e qualquer um que tentar olhar pra fonte do mal ou pra necessidade de repetição continuara a ser tachado de idiota. Ei! “Idiota” é um bom xingamento, foge ao padrão.

Mas a repetição me parece natural, ela é boa, somos felizes em repetir o que os outros fazem. Ou melhor, precisamos apenas saber o que é bom repetir.

A fonte do mal parece ser a falta de talento pra ser livre. Então quando podemos ser livre e fazer justiça não sabemos como parar, o desejo é desenfreado. Ex. linchamentos. 

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então o desejo é radical e é necessário limita-lo através do carcere cultural. Entretanto é nosso o poder de prende-lo ou solta-lo nos momentos certos. 

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exemplo: vai tomar no cu! que porra de texto caga-regas foi esse. 

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