domingo, 30 de março de 2014

três maneiras de olhar pela janela.

Eu não. Sou ótimo, ontem mesmo dei provas desse gosto refinado e especial quando assisti a descartes com lentes, um solo de um baita atriz da cidade sob o texto de Leminski. Foi genial, um elogio lindo a terra brasilis, esse eldorando que eu nunca encontrei. Na verdade me foi proibido a beleza exótica do Brasil, eu deixei esse aprendizado pra vida adulta. Foi tolo de deixar pois agora sou apenas isso que ora descreve-se com palavras sem grandes vitalidades. O leminsk não. As palavras que ele usou pra descrever o Brasil são palavras vivas. E aquela atriz, que atriz, decorou o texto gigante com palavras difíceis, aposto que o próprio Leminski ficaria muito orgulhoso e quase descrente que aquilo fosse apenas um texto. É um texto vivo.

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resto

Olho pela janela, vejo as muitas variações de verde que há nas plantas do quintal, acima alguns pontos de vermelho das rosas, mais acima o céu cinza. Queria gozar esse mundo, queria usa-lo de todo, isso tudo tem um significado, uma inspiração, é uma esfinge que me atormenta, me questiona e eu perco. Eu perco pois me acostumei com a insignificância de minha vida. Sei que apensar de qualquer coisa que eu fale sobre a rosa, ela vai continuar rosa. E, reservadamente, todas as rosas zombam de mim, de minha ignorância sobre elas, ou de minha ingenuidade em acha-las belas e dignas de presente as mais belas damas. Hahaha zombam as rosas, zombam as nuvens que me impedem de sair. Zomba o tempo que passa sem mim. Sobra a dignidade do espinho que me lembra o que é ser, não sendo reconhecido. Nós os espinhos do mundo estamos aqui pra serem ou criticados ou ignorados. Nós as plantas baixas e sem a ganância da trepadeira, não entramos nos contos de amor, de filosofia e teoria das cores. Nós existimos no limite entre o ser e o não ser. Ainda assim restamos ao prazer da chuva, do orvalho e do saber, resta-nos o pensar como forma de emancipação. E estamos vivos.  

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Do panteísta simples.

O meu Deus! são seis e quatorze a ainda estamos iluminados. Há ainda, no céu, um misterioso azul, e o verde das arvores resiste ao seu inerente negror. Isso significa que o medo ainda não chegou, que há esperança pra sapiência humana. Mas, qual será o período do dia que melhor revela o ser humano? A escuridão da madrugada, a volúpia e a concupiscência de quando sabemos-nos ocultos? O frescor da manhã?, os primeiros raios e todas as esperanças condensadas numa brisa .... a fome e a força do sol de meio dia? Que curva o olhar, que interioriza o desejo. Ou a tarde caprichosa, quente, que encerra seu turno com o clímax estético insuperável: por do sol. Talvez a noite atenta como a lua, noite que demonstra nosso prestigio: luz elétrica, festas, fogueiras. Não, a essência humana não se revela com mais ou menos intensidade nas horas do dia. É o dia, que nos impõe sua verdade incontestavelmente superior: o homem é a natureza. Por isso peco, sempre que posso, nas madrugadas e sonho com o belo pela manhã. Temo ao meio dia a força do sol, porem, orgulho-me dele ao final da tarde, e de seus filhos dotados de luz nas noites iluminadas pelos faróis. Pra quedar-me pedra novamente ao fim do dia. Agora... a luz se foi, a chuva ficou.



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