quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

dois tempos e um movimento.

tempos 1:

Os tempos atuais são curiosos, há um certo charme atual em se estar doente. Por mais bizarro que isso pareça, é até justificável. O sujeito se acha tão extraordinário a ponto de até as doenças escolherem a ele, ele entre tantos, para acometer.
Mas quando a doença não o toma, ele mesmo se apresenta como doente: adolescentes estão usando óculos de grau sem precisar de grau algum, outros usam aparelhos dentários apenas como enfeite.
Entretanto nada se compara com uma nova onda: a síndrome de Estocolmo – doença onde o sequestrado se sente atraído pelos sequestradores, ou passa a pensar tal qual o sequestrador -  no Brasil temos vários exemplos de pessoas que passaram a cultivar essa síndrome. Não preciso nomea-los, eles mesmo o fazem: A Nova Direita. (a velha está otima)
Só podemos conceber uma Nova direita no Brasil através de um estudo clinico da síndrome de Estocolmo. Ou seja, devemos realmente levar a Nova Direita a serio, síndromes são serias.


--


tempos 2:

Cenário: depois de tantos anos, noite, a casa vazia, Luz da rua ilumina parcialmente a sala. Uma musica antiga no radio. O sentimento de derrota está estampado até nas paredes.
È um dia a mais ou um dia a menos?
Depende, os dias a mais são os dias de musica boa, de imagens bonitas, de paladares novos e entusiasmos. Os dias a menos são dedicados a agradar, criar imagens de si para outrem; dias de ganhar dinheiro; de escrever, andar e falar corretamente.
Viver um dia a mais é viver para si mesmo, para seus sentidos e sua subjetividade.  Viver um dia a menos é viver para a subjetividade alheia.
E uma noite a menos ou a mais?
Um noite a menos é feita para descansar, o corpo, cansado de agradar, deve descansar. Já uma noite a mais – uma noite a mais é genial – é uma noite de sonhos. E nos sonhos já não há um olhar alheio que exige uma personalidade (uma só), coerência. Nas noites a mais pode-se assumir que és muitos, vários. Contraditório o tempo todo, pois multifacetado, que carrega em si muitas vontades. Nos sonhos das noites a mais, não sabemos direito quem são os outros, pois nem mesmo nós, somos um só. Nos libertamos da necessidade de ser um,  deixamos-nos ser vários. Uma noite a mais é um noite bem sonhada, onde mundo e subjetividade se confundem.
Dias e noites a mais são treinos de Liberdade.

--
movimento


Convido pra um movimento. Não é Black boc nem o movimento gay. É o movimento de querer mover-se, alterar-se. Sem passado ideal, sem futuro mágico. É um movimento que gosta de mover-se, de ritmo de dança. É mover-se que percebe que a dança é uma opção (jogar a mão pra cima e três pulinhos etc..) é tanto opção quando quedar-se quieto. Que gestos são princípios de dança. Gestos são comunicações, e comunicações é a base da existência. Pra existir é necessário existir pra outros. É necessário assumir, de uma vez por todas, que podemos mais, que temos mais potencia que ficar com os braços cruzados. Integramos-nos nesse ritmo universal, colocar em gestos o que o mundo nos dá em sentimentos e intensidades. Pro- Movimento pra existir. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.