quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

casa e costume.




Um homem, em sua velha casa, orava todos os dias. E a casa, todos os dias ruía um pouco mais. Ele pedia benções aos céus para si e para seu filho. Um dia seu filho não mais pediu.
- Deixei de crer - disse o filho.
O homem não pode dizer nada, apenas pegou o filho pelo pescoço e o bateu contra a parede.
- Ateu! – acusou o homem.
O filho lhe disse que...
- Quando você me bate, usa as mãos, eu as sinto e me dói. Tu também usa desse recurso pois sabe-o mais potente que meras palavras de desagrado. A verdade do tapa é superior a da palavra, pois se sente. Tu a demonstra. Entretanto Deus....

Do silencio que se seguiu pode se ouvir mais uma lasquinha da casa que caia. 




img: http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-19494/fotos/detalhe/?cmediafile=18822725 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

amanhã é domingo e é eleição

1.       Eleições é melhor que Copa.
2.       Eduardo Jorge vai deixar um vazio nos debates do 2 turno.
3.       Eduardo é puro coração, Luciana é puro cérebro.
4.       e SIM! Marina (meu voto)é o melhor de cada um.
(...)
306. A democracia brasileira é endêmica. Por aqui todo mundo dá opinião sobre tudo, e todo mundo tem, ou acha que tem, capacidade pra falar sobre tudo. Nesse quesito penso que nós somos a maior democracia do mundo, ou pelo menos a única democracia que teve a sorte de 1) ter um candidato  pastor! (sdds Laicidade)  2) um maluco do tipo homofóbico puro, ou seja, não ligado a nenhuma religião, tipo Bolsonaro. 3) Pessoa de apenas qualidades e sensibilidades:Eduardo Jorge 4) a representante dos intelectuais (Luciana genro)que é a melhor candidata, dado a beleza, a clareza, a firmeza etc. Menos meu voto, pois, a esquerda que nasceu da leitura de Marx,Gramsci, Foucault, tem horror áqueles que não leram Marx,Gramsci, Foucault. 5)  A presidente  que, nunca na historia desse país teve tantos auxiliares contra a presidente. (eu conheci dois assessores ministeriais: puta decepção) alias, vale a pena lembrar que FRORESTAN FERNANDES, numa entrevista ao Roda Vida em 90 alerta: existem pessoas no PT que não tem ideologia além do poder. Esses caras afundaram um partido legitimo.
307. pare de ler aqui.
308. foi avisado ou avisada!
309. você já imaginou uma empresa que fundada pelo tataravô que ainda desse lucro?  e que os tataranetos ainda se esforçassem pra que ela desse lucro? Ou já imaginou que você deixasse um testamento delegando aos futuros moradores, seja lá quem for,  a gerencia de suas propriedades? Isso é o Brasil. Os que lutaram pela independência, república ou democracia fizeram uma aposta: a de que os descendentes lutariam para preservar essas conquistas. E o que vemos hoje é muito alem disso, não apenas 90 por cento dos brasileiros creem na democracia como a melhor forma de governo, como nem se questionam a respeito de qualquer outra forma melhor. Somos os herdeiros, que honramos as lutas dos antepassados para garantir a republica, a democracia, o presidencialismo. Puta orgulho disso, tenho eu.
310. quem chegou até aqui não custa mais nada: somos foda pra caralho. Essa porra desse país tinha tudo pra dar errado: fomos colonizados por um bando de %@¨%#  sem perspectivas pra alem do lucro, tínhamos tudo (é Nabuco quem diz) pra ser um pais dividido por rancores e ódios entre brancos e negros e, e entretanto, somo UM SÓ POVO.  A nação com maior autocrítica do mundo. A junção mais multiétnica sem a necessidade de se declarar intalo-brasileiro, espano-brasileiro, afrobrasileiro etc...

Um choque de realidade aos:
311: há um povo que, inspirado pelos japoneses à cem anos à atrás, pelos alemães à 60, pelo Haitianos à 2, pede asilo no Brasil. Esse povo  não traz sua naturalidade na cor da pele ou no formato dos olhos. Esse povo não é nem estrangeiro. É apenas uma porção, pequena, de pessoas que nasceram diferente da maioria. Querem apenas ter a cidadania brasileira, como os japoneses, os alemães, os haitianos. São os gays.  Não querem mais a cidadania de segunda classe, o gueto, ou o quase casamento. Nem candidato a presidência questionando a existência desse grupo (como quem questiona a própria democracia: exemplo: só é cidadão quem é branco e faz sexo pelo órgão tal) nem candidato defendendo, por que assim mesmo, estaria na condição de “protegido e fraco”. NÃO! Apenas cidadania pra todos, por igual, se funcionou, pra pessoas tão distintas, irá funcionar também pra algo tão supérfluo como com-quem-tu-faz-amor? (amor é eufemismo pra sexo.)





sábado, 30 de agosto de 2014

Considerações sobre  A PRESENÇA.
                Sempre que aqui me sento, que vejo-a na sua dureza, nas suas estruturas tão rígidas e nas suas formas com tantas arestas e cantos e pontas. Eu. mortal de carne, tecido, eu algo tão mais delicado que ELA. Tenho horror de supor que nossos corpos podem entrelaçar-se um dia. Medo de que ELA venha sobre mim com sua mão pesada e terrível e fira minha pele meu corpo deixe suas marcas em mim pra sempre. Medo que eu mesmo, suicidamente, enfrente seu poder e queira com meus punhos, carne e osso, quebre suas estruturas. E eu me fira mais um vez. Medo que entre nos haja, supostamente, atração física ou sexual, onde eu me fira mais uma ou muitas vezes por conta da incompatibilidade de nossos corpos. Que ELA de desmorone sobre minha carcaça que está tão fraca.


Considerações sobre a ROUPA.
                Era pra ser um encontro comum, onde as pessoas vestem o que de melhor tem no guarda roupa. Mas a presença vestiu-se ASSIM. E eu sei que qualquer aproximação gera dor, feridas e rasgos na minha pele. Ainda que ela esteja bela, ainda que ela não saiba que isso me fere, ainda que pra ela tudo vai bem. NAÕ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PRA MIM NÃO!!!!!!!!!!!!! Assim eu não posso te tocar, assim eu não tenho como chegar perto de tua pele. Deixa essas coisas pra lá, por favor. Ou de fato a Presença não quer que tenhamos relações e desdenha de meu desejo. Desdenha de minha vontade de toca-la. Maldita.

Considerações sobre a DANÇA.
                Um desafio estava lançado sobre esse terreno. Não outro, nem em outro tempo. Era pra ser aqui e agora que me impuseram a missão de SER.  Agora eu tinha de ser aquele que lhe puxa pelo braço, que guia sua mão, que anda sobre qualquer desafio.  E eu vou porque pra ser homem é necessário deixar de ser humano. O quão tolo isso é, só pode ser respondido pelo êxito.

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Da beleza.
Hoje assisti um documentário sobre a beleza no mundo antigo e atual. O documentarista e também filosofo começa por explicar a necessidade que nós humanos temos da beleza, segundo ele, ela é um valor em sim mesmo importante com a verdade e a bondade. Nesses critérios é difícil questiona-lo. Afinal a vida é muito melhor com a beleza, seja na arte ou em qualquer outro lugar. Entretanto ele questiona a falta de beleza na arte contemporânea e na arquitetura, afirmando que elas são iconoclastas, ateístas, promotora da desumanização do mundo. O filosofo detesta em especial algumas obras que fazem releituras das artes sacras, interpretando-as como obcenas e blasfêmias. Então o documentário me levou a pensar o valor da arte, da necessidade da arte hoje. Pra dizer o que todo mundo diz: a arte não serve mais pra ser bela, decorativa. Também não deveria ser apenas negócios e milhares de dólares, mas, aí o problema se junta com outro: o capitalismo, coisa que não sei nem quero discutir. Então se eu pudesse falar com esse senhor, que quer ver a arte sendo linda e promotora de belezas sagradas no mundo, diria que não. Não é mais a arte que fará esse papel. Não existe apenas esse tipo de arte que acusas de blasfêmias (ele mesmo apresenta um coral sacro no final do filme).  Não generalize a arte atual. Se a arte é um retrado do mundo, saiba que vivermos num muito tão cruel quanto GUARNICA.  Não, tu não sabes ler a arte contemporânea no seu critério fundamental: unidade. Cada arte é individual, assim com o é o homem, não se vê o FONTE com os mesmos olhos que viu DAVID. Se tu queres mudanças nesse sentido, faça o exercício proposto por Nietzsche: trans-valorize os próprios valores da arte e do mundo.

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2005: referendo do desarmamento. Estive do lado daqueles que diziam SIM. Perdemos. 2006 votei na candidata Heloisa Helena. Não foi eleita. Também em 2006 achei que as ideias de Cristovam Buarque poderiam oxigenar os outros candidatos. Não foi bem assim. Em 2010 votei com confiança em Marina Silva. Perdemos ganhando. Agora em 2014, mais uma vez, creio na coragem para implementar os projetos urgentes necessários modernos.  Creio tanto quanto acreditei nos acima citados. Mas, dessa vez  vamos ganhar. Nunca conheci essa sensação, mas creio que será possível vivencia-la sem perder o principal: a democracia como ideal maior. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

exercícios: reggae

Tu

Das minhas próprias ondas faço mar, surfo.
Eu sei que minha voz, morre.
Mas, tenho, cá, meu corpo de baile
Eu tenho a voz da consciência: nunca estou só
E dessas coisas todas, só delas dependo.
O amor, quando surgiu foi descuido:
 porta aberta e vento forte na janela,
entrou sem eu perceber.
E fez da casa um lar,
Cama, leito
Braço, abraço
Vazio fez silêncio contigo.
 Moro só, com você, agora.

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 Eles

Arrumo o espírito pois sei que o que começa é SANTO. É o lamento de toda uma nação, de toda uma raça que a séculos sofre por diferentes dores. E é por tantas dores que se curou... se santificou. E quanto o PRETO VELHO começa a falar , eu.... ouço. Não apenas com ouvidos de escutar, mas, com ouvidos de ouvir. Quando a MULATA dança, eu lhe empresto meu corpo para seus movimentos. Tenho RESPEITO pelo cheiro da taba. Tenho paladar pra seus grossos lábios, sua pele retinta. E eu sou RAGGE.  Entretanto meus sentidos não compreendem por completo, escapa aquilo que, sei, é essencial de tudo que fala.  Talvez falta-me ser mãe como foste tu A Africa. Duro com Zumbi. Amar com o Gil. Sou as margens que o rio lava, mas não leva.

- - -
 Eu

Cara feia, feia mesmo, mas de criança sorrindo com sardas. Cara de tudo que é arlequino, feio e bonito, pois jovem. Dentes cheios e amarelados, pelos doces do bar do Pedro. Cabelo de um amarelo escuro que jamais ira se repetir. Uma ferida, sempre, no lábio. E os olhos verdes verdades como a mata que nunca conheceu, mas sempre viveu. De tudo voz, uma femelidade que “entrega”, entre outra coisas que lhe entrega menino-delicado. Que agora, fará orgulho, dado o tempo transpassado de liberdade que vivo.  Viveu, todavia, mais poderia ter vivido, não fosse o medo de morrer, de doer, de apanhar por se ser assim.....

- - -
 Isso

A madeira. Dura ou mole. Velha nova e verde. Cada uma o seu som, guardado na alma da mata. Sim, todas as madeiras fazem barulho quando caem, quando atingidas por um raio despencam, quando nascem numa sinfonia tão baixa (sò Franscisco de Assis pode ouvir)  e quando sob o julgo de um demônio em brasas gemem a dor do incêndio. Quanta madeira pode haver ainda nesse mundo condenado ao aço frio? Quantos violões ainda falaram sobre as guitarras? Apenas enquanto a alma do mundo viver.  

- - -
Vos. 

Filho. Conselhos não deixo. Nem filho também, pois eu que nunca foi filho e nunca ouvi conselhos, nessa arte não tenho pratica. Mas te deixo um olhar sobre um mundo novo, de olhos vivos com vontade de ver. Te apresento esse sol, essa terra e esse modo de andar sobre a areia da praia. Te falo da dor deliciosa da paixão e do gosto doce e amargo da saudade. Te deixo a direção do vento como ideologia e um monte de nomes, grandes medalhões pra belos discursos (machado de Assis, Reale) e outros nem tão celebres mas que reviraram os olhos de prostitutas como poucos.  Por baixo da terra corre o rio dos homens livres, que, raras vezes alimentam essas poças cotidianas dos homosapiens. Livre-se, caro filho, de nadar em poças.

- - -
Nos 


Então falaram que nossa revolução era, na verdade, ilusão. Que os homens do mundo todo preferem ter à ser. Que as pessoas são felizes quando lhes sobra o que aos outros falta. Que sempre foi assim. Mas, incrédulos nas palavras alheias, continuamos a caminhar pra onde a seta do coração apontava: o mundo onde as pessoas amam mais que sentem, onde o riso agrega mais que as correntes. E no nosso caminhar, irmãos de outros pais, juntaram-se a nós. Outras cores e credos, outras formas de amar, formavam uma só coluna. Até mesmo os arranha-céus, até o riso incrédulo do doutor, até mesmo a batida policial afirmava que havíamos conquistados mais territórios, ainda que deles despedíamos imediatamente, levando bagagens sabias. Lições de quem nunca pretendeu ensinar, mas, ensina.  Era surpreendente o quanto aprendíamos sem querer aprender, só vivendo. E nunca, professores tão atenciosos. Medo de, cabeça sábia, desconsiderar a santa ignorância. Louvemola abaixo arriba, mentaliza: que eu nunca deixe de saber que pouco sei. Que pouco que sei saia pra outrem também, menos e mais saber.... roda a vida. 


*exercícios ouvindo reggae 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

é... talvez nem seja isso:


E agora quero que vc, meu amigo, feche seus olhos.
Agora quero que você seja sincero consigo mesmo e me responda: você conheceu alguém nesse mundo que seja muito, muito inteligente? Se a resposta é não, continue.

Você, que não conheceu alguém que seja muito muito inteligente, conheceu alguém que seja ao menos inteligente?
Se sim, continue.
Esse alguém poderia é rico. Ou seja, alguém que por sua inteligência, fez dinheiro.
Se esse alguém não é rico então continue.

Se esse alguém que é inteligente e não é rico então podemos concluir que riqueza e inteligência não andam, sempre, juntas. Portanto nem todo rico é inteligente e nem todo inteligente é rico. Dai, eu e você não somos ricos, certo? Será que somos inteligentes?  Você é drogado, você se apaixonou por uma prostituta, vc é sabe a diferença entre estar bêbado ou não?
você diz: ...
Velho. Admita: eu e você somos a porra mais inteligente que essa porra desse planeta já produziu.
Donde que pedroalvarescabral teria a moral de remar miletantas léguas ao leste. Você e eu teríamos porque nos sabermos que tem Copacabana a espera.
Donde alguém cidadão do império diria que foda-se dompedrosegundo! pois eu e você diríamos pois nóis é da Republica.
Donde é que: qualquer cidadão diria: se eu sou parte da republica, eu tiro a porra do presidente... . Nós tiramos.
E agora nos anos doismiletantos que que nós queremos?

Velhão!!! Tudo que eu quero é que tu seja tão feliz quanto eu... que vc me( com acento circunflexo)  de (mais um acento circunflexo)  um abraço agora.. que eu, meu amigo, nunca dependi das circunstancias (acento tamb) pra gozar de alegria, só pq tou vivo. 
a inteligencia que eu herdei foi aquela de dar vazão aos desejos, de forma a não matar o corpo.
muito desejo mais inteligencia igual a vida. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Foda-se, o amor é importante, e eu te amo. Porra.

A felicidade equilibrista:

Que que tinha dito...

Agora digo que...

É, meu caro. Eu esqueci...acho, nem era amor, só desejo de ser assim, algo merecedor do seu desejo, algo que falasse ao seu falo. Eu queria que você acreditasse em que nada deva crer. Algo assim com um ateu sobre todas as evidencias... eu, e , você. Quem sabe? Eu e você nus sobre um pano qualquer e você e eu todos nos sobretudo felizes... felicidade, a ideia velha de felicidade combinaria tanto conosco, nessa relva, verde como a bandeira, soltos no universo sem começo ou meio... e por fim, longe dessas identidades tão, tão, comum nós fossemos livres pra um baita beijo...
Oh! (Que nada me desperte agora)
Um beijo seu, desacreditando de todo ao redor eu posso ver....
Éramos tão livres, sobre uma terra tão livre que as prisões todas (a da ignorância primeiro) caídas, nos liberava...e tudo que queríamos era beijar... beijar.

 - - - 


Como amar sem filhos? Como ser feliz com filhos? Como ser um crente legal? Como andar de bicicleta? Como conquistar seu amor pra sempre? Como é a lua? Como todos conseguem? Menos eu. Como falar alemão? Como o amor pode deixar-nos tão iludidos a ponto de cegarnos e ponto de não reconhecer um erro básico de gramatica? Como falar “eu te amo” em português?

sábado, 28 de junho de 2014

ontem

29-06-13 é sábado. Chove. [...]Eu, tenho em mim, todos os clichês do cinema pornô, e tenho a irmã pobreza ao meu lado pra manter-me na realidade. Sorte de hoje: Jesus está do lado dos evangélicos, pois o tempo está bom. Sorte de todo dia: o tempo é determinado por pressões atmosféricas e quantidade de água nas nuvens, já era assim antes de Jesus, e continuará sendo depois que todos os cristão morrerem, e o nobre (nunca desconfiei que ele fosse nossa face mais nobre) repousar em paz, ao lado de Isis, apolo, tupã... mas, antes disso os seus seguidores irão nos importunar muito, acusando-nos de sermos pecadores. E convidando-nos a sermos como eles, santos, e deixarmos de crer no que sentimos pra crer no que não sentimos e no que não vimos. Hipócritas. A face de Jesus é nossa melhor face, nossa comunhão nossa resistência nos piores momentos. Já a outra face, que ele próprio nos mandou oferecer é de raiva, homofobia, hipocrisia, rompimento com o mundo e com o próximo. Deus e diabo no mesmo ser, eis a face completa. Queria eu poder romper  com esse véu de maia e poder, naõ só ver, mas compreender a razão e a necessidade de um Deus. E o que há entre esse deus oculto e essa natureza tão, tão presente. Natureza alias que não proclama nada. Apenas executa com a mais dura frieza. Queria eu poder ver se há no seio da natureza um deus ou um diabo. Provavelmente ambos. É necessário ter uma alma diosiniaca pra romper com o medo, medo de até pensar nisso. É necessário desprender-se do próprio ser, para pensar nisso. Ninguém pensa nesses termos impunemente. Nisso o nossa nobre deputado (feliciano) tem razão, ninguém chega tão perto do Ser, como John Lennon, impunemente. A natureza dá saltos qualitativos sim, porem ao seu tempo, qualquer um que estiver qualitativamente superior antes do tempo, será morto. Destruído ou se destruira. Tenho pena. Toda esse minha frágil individualidade, carregando um si, uma faísca de universalidade, uma faísca que pode inflamar todo o resto. Pondo a perder esse CPF, esse RG, esse corpo, tudo porque há aqui um desejo de universo, uma vontade sondar por cima do muro da realidade, procurar o real. Serei eu uma espécie de mãe de Dionísio, iludido quero ver Zeus na sua forma divina e por isso mesmo ser destruída? Serei eu o mais novo tolo desse reino de mediocridade, (medíocre sim, mas, meu reino, meu real, preservemo-lo) Não! Não quero! Quero o pão de cada dia, quero o cartão ponto, quero a velhice de dor nas costas e o silêncio sepulcral. Dâ-me, tu que sois capaz de ouvir pensamentos, da-me a felicidade de uma vida comum e vulgar, da-me a paz do mediano. Que o mundo carece de um novo Artoaud não tenho dividas, mas que não seja eu.
Era uma vez um maluco, desses doidos-patrimonio-municipal, que discusava ao vazio numa praça. Todos sabiam que esse mesmo louco era, entre todos os mais sábio. Mas, todos sabiam também que o saber é perigoso e mesmo anti-natural. Por isso o chamavam de louco e riam dele. Antes mesmo que suas palavras lhes atingissem os ouvidos eles, prudentes, devolviam gargalhadas. Era uma vez...
Era uma vez um desses loucos que rompendo a tradição. O modelo prévio, vestiu-se de dialética e ao invés de discursar, conversou...mataram-no por isso. Mas, tarde demais, suas palavras já espalhavam-se como moscas, infectaram bocas, olhos...
De um gênio divino nasce o antídoto: arte, sorriso, paixão. E fecha-se um novo ciclo nesse canto de universo, nesse canto de eterno-retorno. Nessa: Era, e era só uma vez...
Qual a necessidade de se publicar coisas como essa: vaidade, prepotência, rancor, vingança.
Eu, fraco, emudecido, pobre. Tento de alguma maneira me vingar daqueles que se deram bem na vida, tendo destituí-los de suas metafísica, de seu chão de estrelas.tendo destruí-los por aquilo que eles não podem tocar nem proteger.
Creio que uma forma dionisíaca de pensamento, é o necessário pra romper com esse meu rancor, com esse meu desejo mesquinho de vingança. Mas... como e onde encontrar o antídoto pra tanta inveja.
A tempestade acabou. Acabou também a inspiração, acho que é a chuva quem trás os sonhos presos nas nuvens, e os pesadelos dos fundos dos rios. Quero morrer de tanta mediocridade, quero esconder-me ainda mais por ser tão burro e ignorante. Não queria sofrer a dor de 1) não compreender o meu tempo 2) ter duvidas 3) naõ saber explicar essas duvidas. 4) ter inveja de quem tem fé.
1)      Meu tempo é o tempo da TV. São heróis os notórios televisionados, e há uma progressão para os quase televisionados, e entre a historia desses. Como um sangue azul, mais ou menos azul depende de fatores como aonde passou e como passou.
2)      Tenho muitas dividas, porque li muitas coisas e ouço a vários canais, naõ sei se existe mesmo uma teoria da conspiração, não sei se deus existe, nem sei se pensar é um ato voluntario ou totalmente alienante. Veja: entreter-se é andar em círculos sem saber que está num circulo. E se o pensamento, dado nossas condições, for, em si, um circulo fechado? Pensar seria entreter-se e portanto alienar-se. Cabe os desejos e as intuições. Ou seja, o que resta mesmo é a teologia.
3)      Viver em sociedade é viver entres espinhos, ranhuras, e pior: meu prazer em ferir é pequeno. Naõ gosto de climão, nem gosto de injustiças, nem gosto de totalitarismos ou ditaduras. Mas, vivo num tempo que o respeito é pequeno, a vulgaridade é grande e a vida...vale nada. Será que um dia foi diferente? Será que pode ser diferente um dia? Queria saber me comunicar melhor....
4)      Tenho pensado muito nisso. Boa parte do meu ódio a religião deve, provavelmente provir de inveja daqueles que se sentem acolhidos por uma religião. É duro andar tanto e não sair do lugar. É duro ver que aquele menino, sentado nos bancos da ccb, que imaginava como era o “mundo” agora vive num mundo falso, criado pra dar sentido ao “mundo” como forma de provar aquele menino que esse, daqui de fora é melhor. Mas não. Não estou nem um milímetro mais livre... gostaria de chorar por isso, mas me faltam lagrimas. Sobejam decepções, abundam chuvas.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Mundo: Se é infinito cabe tudo, até a contradição? Se não é, porque ainda não chegou ao fim?

*contradição: dois corpos não ocupam o mesmo espaço e alguns corpos ocupam o mesmo espaço. 

Que é diferente de:
  
Da onde saiu isso?
Pois quem não á capaz de saber da onde saiu as PUTINHAS ABORTEIRAS e AS XERECAS SATANICAS, penso, não será capaz de compreender o mundo atual. Esse grito, essa performance, essas intolerância com a intolerância, tudo isso e mais um pouco é nosso tempo. Cada vez mais os modelos estéticos e morais são quebrados com um desprezo, as vezes, assustador. É o novo surgindo com toda a força e sob toda a pressão que o velho impõe. Não ligue, porem, se você não gostar, quem disse que é pra ser agradável? E não ligue também se você não concorda que o novo tenha essa cara, essa é só a cara da vanguarda, o principal vem depois. Historicamente poderíamos dizer que é o neohumanismo, mas pra que colocar UM nome? Não seria mais correto afirmarmos que desse ventre vem muitas e variadas ideias.

E também de:


Não é que teve copa mesmo! E os gringos gostaram. Mas quem não gosta de ser tratado com sorrisos, tapetes vermelhos? Quem não gosta de saber que está cercado de segurança, que o separa da pobreza das periferias? E depois... voltar pra casa, em ultima estação, é a esperança mais que concreta do gringo. Sorri eles, sorrimos nós que sabemos que nosso tesouro não está na praia. 

domingo, 22 de junho de 2014

As pessoas só tem uma pátria: a cidade onde nasceram. Mais que isso é ideal romântico.

São como casas, cada qual com seu mistério. Luzes interiores e ruído de conversas domesticas. Vizinhas e diferentes em quase tudo. Do quanto mais sabemos, mais diferente são. E ao longe, unidas pela distancia, geminam-se num nome rua, cidade. Desaparecem em essência. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

k. i. xu. va.

A chuva me convida a permanecer em terra firme, em casa. Miseravelmente firme: presa á regras da velha geometria euclidiana com frente e trás, com certos e errados. Eu preso a saudade daqueles tempos vividos, onde não existia errado, inútil. Agora eu sei. Tenho consciência de que o certo e o errado são necessariamente diferentes. Estar preso no certo parece, sob sua própria ótica, o certo a ser feito. Mas o mar da imprecisão, o indefinido do fora-daqui parece tão atraente. È tempo onde nada poderia ser desperdiçado, até mesmo as palavras deveriam, sob sentença de serem desqualificadas, limpas. O exercício do adorno do enfeite era prejudicial. A literatura boa era industrializadamente sintética. E eu só queria sentir a língua quente de Caetano. O mundo tá tão próximo da profilática sala de espera de um consultório medico. Não se pode errar. O tempo não pode ser desperdiçado, até mesmo o jogo deve ser jogado pra ganhar, senão iremos todos  procurar a culpa no Daniel, no goleiro no... até o tempo de ócio tem um propósito (foi Sêneca que disse?) por isso eu me afogo num copo de cerveja, que nele esteja minha solução, vou passar o dia embriagado, ... e dormir com solidão. Chuva de merda.

domingo, 15 de junho de 2014

viva vaia?

Bem amigos da rede global: Vê esse incrível evento que se descortina sobre nossos olhos, essa miragem da cultura humana. Saiba: é tu o responsável. Quando olhando com olhos fitos pro centro do campo, da cidade e do mundo e crias palavras que resumem teu pensamento sobre a jogada, a política e a vida. Suas palavras são como ventos, talvez brisas ainda, mas que se juntam a milhares de outras vozes e formam vendavais, dos que movem moinhos e dos que destroem telhados.  São suas criações a sensação de impunidade e também a corrupção, que crias quando dirige bêbado ou sonega obrigações. E quanto o vento se curva contra sua casa, não procure seu inicio alem de dentro de ti. Mas, caros amigos, são suas também as melhores criações do mundo, a musica mais bela e a paisagem do poente. São apenas suas criações toda a mágica universal. 

domingo, 8 de junho de 2014

: /

Há  pessoas que dizem que vivemos numa ditadura de esquerda. Acho patético essa impressão. Talvez nem eles mesmos imaginam quão horrível seja viver numa ditadura onde o Estado se torna tal qual marido ciumento e usa de seu poder pra controlar a vida individual das pessoas. Mas em qual tipo de ditadura vivemos de fato? Acho que as pessoas normais, com profissões corriqueiras vivem a ditadura dos processos. O que foi o fordismo, o taylorismo etc... como procedimento produtivo agora é uma forma de pensar. Uma forma de ser que todas as pessoas ditas honestas devem seguir. De modo que a criatividade fica excluída de todos os setores. Vivemos numa ditadura dos procedimentos, dos índices de qualidade, do padrão e por fim: na ditadura na nova China. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Reflexos do Vidro

                                                                                 para J. favarettus


Olhando pela janela do ônibus, a cidade passa rápido, calma e como se estivesse a favor da personagem. As cores das casas e das arvores harmonizam-se. O seu próprio reflexo no vidro é de um rosto calmo e até belo. A personagem pensa o quanto passou pra chegar até ali, o quanto tem em si mesmo desse passado e o quanto, assim como a cidade, vai ficando pra trás. É, pensa, o resultado de alguns dos dias vivido e não de todos, como supunha. Há, dentro de si a vontade de agradecer a essa paisagem por tudo que ela é, assim calma, correndo do lado de fora do vidro do ônibus, semelhante a um aquário, a cidade é bela.  Prédios, casa e arvores assim, em conjunto, correndo na direção contraria a sua. A melhor definição de uma gigante serpente que pode imaginar.

Sabe porem que do ponto de vista das aves é apenas um ponto que se move curiosamente. Da vizinha de banco mais um passageiro, em movimento consoante ao seu. Do cobrador do coletivo é dois reais e setenta a mais no cofre.  E pra si mesmo, vendo-se do reflexo é uma confusão de vozes e desejos, de sonhos, de palavras, de diálogos, de frases interrompidas e um pouco também de todo os rostos que passou. De verdade é tão confuso quanto a paisagem em movimento.

De fixo apenas uma lembrança, que faz sorrir involuntariamente, que prega a peça em de fazer-se alegre entre tantos rostos sóbrios desse fim de tarde e de trabalho. Uma lembrança com cheiro e vontade de cama, com tato de boa roupa, entre lençóis limpos, peles próximas e, respiração tão profunda, quanto o vento no rosto.

É com a distancia que sobrevém a consciência dos destinos trocados. Distanciam-se a cada metro. Cada uma dessas casas que passam dentro do seu próprio reflexo é uma distancia a mais, um obstáculo a mais. Seu corpo é transpassado por todas essas distancias. Desde o primeiro adeus, até o até logo que tornou-se nunca mais. Cada uma dessas despedidas mal curadas doe quando sobrepõe uma nova. Uma rede de saudades que agita quando mais uma, com um peixe, soma-se as outras. E, a personagem sabe bem, é uma e mesma rede, pois nunca conseguiu dividir-se. Suas dores todas, de ser o filho recém saído do lar, até do amigo que morreu de acidente. Dores são como veios no mesmo mármore, cristalizados mais ainda visíveis.


Suspira a espera do novo, seja ela qual for. Prevê que assim como outras despedidas essa irá doer, ecoar na memória e por fim juntar-se as outras. Talvez seja disso mesmo que se faz uma vida. Porque não tê-las com esteio pra futuros rumos, caminhos e amores? Sobre essa malha de tantas coisas, de mil lembranças transpassadas umas as outras e com elas esse tão presente sentimento de estar vivo. Olhando pela janela, confundindo-se com o próprio reflexo que lhe olha de maneira investigativa. Com tantas vozes alem da sua a personagem contempla o tão seu eu. Mudo esse eu. Quase vazio , entretanto tão familiar. Confortável mesmo... confortável na mais nova saudade. 

Signo: desconforto com ascendência em desequilíbrio.

1.Condenado ao esquecimento (cedo ou tarde) assim como todos os outros, assim como tudo que há.

2. Fosse numa miragem, ou num sonho, diriam “você se ilude” mas, eu vi na TV. Num desses programas que falam de tudo, e com superficialidade: a pobreza na malásia, choca aos olhos, depois a ditadura na Tailândia, a china, pobre china. Então o sol (como uma câmera de reportagem) passa sobre o Oriente médio: guerra na Siria, refugiados, teocracias e fanatismo. Sobre a Europa a xenofobia. África: fome e refugiados, meninas sequestradas. Nossa America, nossa mãe: a violência urbana, as drogas, a exploração dos pobres.
Fosse numerar onde há paz e liberdade, encontraríamos poucos exemplos no planeta e na historia.
É isso que é a humanidade? Pessoas mortas amontoadas mortas pela peste, por ser judeu, pelos judeus ou capitalistas (Crimeia ontem) ou pelos comunistas. Essa é nosso limite? Odiarmos uns a outros e matarmos quanto a natureza mesma não o faz? Planificando a superfície e a historia somos um grupo que apesar de numérico destrói, mata, sofre e nunca pensa.
Acima da linha de sangue nunca  houve vida.
A saber que a linha de sangue é a proporção de violência e sofrimento ao largo do tempo.


terça-feira, 20 de maio de 2014

k.h. regra

Confessemos, pois, que a natureza coloca-nos sonhos impossíveis de realizar. Como paixões proibidas e até desejos imorais, sem ter limites. Deixa à nós essa tarefa de limitarmos. O desejo tende ao infinito, levando assim, o ser finito, eu, pra frente. Mas uma hora morremos. Deus é amor, paz é Bem, e vice-versa, são também desejos que nos impulsionam a um passo pra frente. Entretanto o  alvo é falso: Miragem.  Nem o mal nem o bem são radicais, o desejo, esse sim move o sujeito com todas as forças, sem freios naturais.
Se desejo algo absolutamente impraticável. Então coloco-me um limite e nisso fricciono desejo e moral produzindo uma narrativa pra mim mesmo, uma maneira de continuar vivendo. Acho que isso é mais uma prova de que a cultura é destituída de sentido natural. Que vivemos num mundo apartado da natureza e somos em suma inúteis ao mundo. Talvez sejamos um empecilho a nossa própria natureza. Algo como a alma uma prisão ao corpo.
Era isso que falava Nietzsche? convicções são cárceres, algo como pensamentos tautológicos, verdades verdadeiras são o limite para a natureza e o corpo. 
Saber disso só tem uma função agora: morrer em paz. Morrer sabendo que nada fica no mundo que não seja ilusão. E eu mesmo como ilusão. Saber disso não me faz feliz nem forte, ao contrario me iludo mais uma vez com a possibilidade de descortinar o mundo, revela-lo. E pra que revelar esse bastidor? A felicidade está na direção contrária à essa, na direção da ilusão.


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Era madrugada eu voltava de bicicleta do centro da cidade para a casa. No caminho um homem correu em minha direção “para! Para!” queria me assaltar. Pedalei com um pouco mais de força e logo escapei do alcance. A Poucos metros a frente sorri pelo meu sucesso e lembro de querer xinga-lo. Mas, o primeiro xingamento que veio a minha boca era relativo a cor do homem.  Me senti envergonhado por ter um vocabulário, no sentido de palavrão, tão limitado a racismos, homofobia e cu. Porque os xingamentos que tenho em meu repertorio são ligados à raça e a opção sexual, porque eu aprendi apenas esses? Ou porque são esses os que, penso, realmente ferem a honra de outrem?  Triste viver nos estreitos limites do racional e social.
Queria ser eu o assaltante. Ou nunca chegar em casa, talvez ter outra casa. Enfim, subverter essas regras mesquinhas do mundo miloitossentista. Não suporto mais um mundo em repetição constante.  Ao que se indica aquele cara continuará assaltando (reincidência, é o que a sociedade espera não? ) eu continuo sendo o assaltado.  A ordem continuará a ser bradada nos programas da TV,  e qualquer um que tentar olhar pra fonte do mal ou pra necessidade de repetição continuara a ser tachado de idiota. Ei! “Idiota” é um bom xingamento, foge ao padrão.

Mas a repetição me parece natural, ela é boa, somos felizes em repetir o que os outros fazem. Ou melhor, precisamos apenas saber o que é bom repetir.

A fonte do mal parece ser a falta de talento pra ser livre. Então quando podemos ser livre e fazer justiça não sabemos como parar, o desejo é desenfreado. Ex. linchamentos. 

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então o desejo é radical e é necessário limita-lo através do carcere cultural. Entretanto é nosso o poder de prende-lo ou solta-lo nos momentos certos. 

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exemplo: vai tomar no cu! que porra de texto caga-regas foi esse. 

sábado, 17 de maio de 2014

trânsito interrompido

Hoje acontece uma marcha em minha cidade. Pessoas de diferentes idades e classes sociais saem as ruas para comemorar sua religião. É a chamada Marcha para Jesus. Os motivos que levam essas pessoas são variados, em comum apenas o desejo de expressar-se, de mostrar e reconhecer a força do movimento. Dentre suas reivindicações merece destaque a condenação do aborto, do casamento gay. Grosso modo eles se opõem a pautas tachadas de progressistas, mas, que em suma seriam de liberdades individuais. Ainda que eles próprios idolatrem o livre arbítrio e a consciência individual. Ou seja, é um movimento contorcionista que os pés fixam nas regras da igreja e no dever e as mãos agarrar o individual, a alegria e esse humanismo contemporâneo.
O cristianismo é esteticamente conservador e politicamente reacionário. Basta lembrar o teatro cristão e o “dai á Cesar” pra perceber que ele nada tem a acrescentar nas artes e na política. Portanto esse movimento não me seduz em nada.

Mas, essa cidade sempre se deleitou com o mesmo, com a repetição... continua, como afirmou Leminski, sem Eros, sem erotismo. Deixemos a marcha marchar, pra tudo continuar como sempre foi.  Pois assim com a marcha interrompe o trânsito a religião interrompe as ideias, mas de uma maneira ou de outra eles voltam a se movimentar. 

domingo, 4 de maio de 2014

vultos e memória.

 
                                                                                           gravura: Liosmar Martins 


Vultos.

Antes que a noite chegue, que paire sobre as poças de água
o reflexo das estrelas e o seus silêncios:
A cidade passa depressa: vai pra casa.
E os seus corpos, seus rostos e roupas nesse lusco fusco são vultos.
Negros vultos que por pouco, mesmo, não se colam ao asfalto,
ao céu escuro, as nuvens cinzas, a escuridão das fachadas.
Passam sem deixar marcas esses rascunhos de gravuras.
Personagens secundários do Grito.
E eles passam, e não me veem e não me sabem, e nem eu deles.
E todos sofremos,
á distancias.

Outros vultos.

 E mais essa agora: não chegaram novos vultos?
Vindos de pais exótico, vindos por necessidade,
aos milhares desembarcam entre os já fixados.
Trazem um quê qualquer que não é mendicância.
Nos irritam os dentes tão brancos olhos tão vivos.
E mais essa agora.
Erguemos nossa bandeira, ela rasgou.
Elevamos a voz e nossa língua não bate tão rápido.
A deles dança.
Nos “ais de sermos”...um sussurro.
No “ai” de ti....uma voz.
E dançam.

Memória. 1

Cena qualquer numa cidade qualquer. O louco ocupa o lugar do excluído. Devidamente clinicamente declarado louco até pra si mesmo. E ele anda por entre as ruas, pessoas e carros como um louco qualquer. Esmoleia simpatia dos sãos, ganha um ou outro sorriso. Espalha por entre as gentes a sensação de ser normal.
Do outro lado da rua uma cena: qualquer usuário de crack. Mendigos ou em vias de ser, feios grossos estranhos. Gente, mas, da pior qualidade. Gente que não sabe ser gente. Alvos constantes do desdém humano. Peças obsoletas do processo capital.
E numa cena incomum.
O louco doméstico, por ignorância e descuido mistura-se com os usuários. Relaciona-se com eles de modo direto. E eles jogam bola. Chuta o louco uma pelota velha que é recebida com rapidez por um drogado maltrapilho. Ergue ele o objeto redondo e novamente lança para o louco, faz um táaa. O doido corre dois passos à direta pra alcançar a linha da bola, recebe-a. Olha o outro pra mira-lo melhor, vê-o com alvo, a despeito de ninguém querer enxerga-lo, chuta. O cara pega fácil, pois o chute era certeiro, arma novo lance, ignora que o outro não pode raciocinar com lógica e civilidade. E passam tempos nesse jogo, inútil pra aqueles que os veem dos carros.

Memória. 2


Falo pra vocês, com a clareza que a verdade deve ter, que eu não acredito na existência de Deus. Embora creia na validade das religiões e na beleza que há nesse sentimento de busca. Creio ser uma jornada falida: após a morte apenas o nada. E penso também que a ideia da não-existencia  dEle deveria ser sim mais difundida. Se você pensar na escravidão criada pela esperança.  Ao se afirmar que após uma vida há um paraíso ou um inferno cria-se uma expectativa agonizante. Uma religião válida seria aquela que faz do momento presente uma felicidade, e qual delas é capaz disso? Budismo? Mas o que é o budismo sem a cultura oriental senão uma falsificação tola. Então amigos. Pra sermos sinceros nossa religião deveria ser a comunhão. 


img: Liosmar Martins  http://atelielivredegravura.blogspot.com.br/p/como-produzimos.html

sexta-feira, 25 de abril de 2014

E não seria nada mais natural o professor  ser desrespeitado na sala, não é?.  Nossa profissão era exercida, primeiro, por escravos (pedagogos) depois por padres e freiras (cuja missão é sofrer aqui pra merecer o céu) depois por pobres intelectuais contatados pelos pais dos alunos. E atualmente por estudantes sem opção de estar em outro lugar. A educação nunca foi cuidadosa (pra dizer o mínimo) com os professores de “primeiras letras”.  Somos, antes de mais nada, operários mal remunerados do sistema civilizatório. Donde se vê que nada pode sair a não ser repetição.


domingo, 30 de março de 2014

três maneiras de olhar pela janela.

Eu não. Sou ótimo, ontem mesmo dei provas desse gosto refinado e especial quando assisti a descartes com lentes, um solo de um baita atriz da cidade sob o texto de Leminski. Foi genial, um elogio lindo a terra brasilis, esse eldorando que eu nunca encontrei. Na verdade me foi proibido a beleza exótica do Brasil, eu deixei esse aprendizado pra vida adulta. Foi tolo de deixar pois agora sou apenas isso que ora descreve-se com palavras sem grandes vitalidades. O leminsk não. As palavras que ele usou pra descrever o Brasil são palavras vivas. E aquela atriz, que atriz, decorou o texto gigante com palavras difíceis, aposto que o próprio Leminski ficaria muito orgulhoso e quase descrente que aquilo fosse apenas um texto. É um texto vivo.

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resto

Olho pela janela, vejo as muitas variações de verde que há nas plantas do quintal, acima alguns pontos de vermelho das rosas, mais acima o céu cinza. Queria gozar esse mundo, queria usa-lo de todo, isso tudo tem um significado, uma inspiração, é uma esfinge que me atormenta, me questiona e eu perco. Eu perco pois me acostumei com a insignificância de minha vida. Sei que apensar de qualquer coisa que eu fale sobre a rosa, ela vai continuar rosa. E, reservadamente, todas as rosas zombam de mim, de minha ignorância sobre elas, ou de minha ingenuidade em acha-las belas e dignas de presente as mais belas damas. Hahaha zombam as rosas, zombam as nuvens que me impedem de sair. Zomba o tempo que passa sem mim. Sobra a dignidade do espinho que me lembra o que é ser, não sendo reconhecido. Nós os espinhos do mundo estamos aqui pra serem ou criticados ou ignorados. Nós as plantas baixas e sem a ganância da trepadeira, não entramos nos contos de amor, de filosofia e teoria das cores. Nós existimos no limite entre o ser e o não ser. Ainda assim restamos ao prazer da chuva, do orvalho e do saber, resta-nos o pensar como forma de emancipação. E estamos vivos.  

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Do panteísta simples.

O meu Deus! são seis e quatorze a ainda estamos iluminados. Há ainda, no céu, um misterioso azul, e o verde das arvores resiste ao seu inerente negror. Isso significa que o medo ainda não chegou, que há esperança pra sapiência humana. Mas, qual será o período do dia que melhor revela o ser humano? A escuridão da madrugada, a volúpia e a concupiscência de quando sabemos-nos ocultos? O frescor da manhã?, os primeiros raios e todas as esperanças condensadas numa brisa .... a fome e a força do sol de meio dia? Que curva o olhar, que interioriza o desejo. Ou a tarde caprichosa, quente, que encerra seu turno com o clímax estético insuperável: por do sol. Talvez a noite atenta como a lua, noite que demonstra nosso prestigio: luz elétrica, festas, fogueiras. Não, a essência humana não se revela com mais ou menos intensidade nas horas do dia. É o dia, que nos impõe sua verdade incontestavelmente superior: o homem é a natureza. Por isso peco, sempre que posso, nas madrugadas e sonho com o belo pela manhã. Temo ao meio dia a força do sol, porem, orgulho-me dele ao final da tarde, e de seus filhos dotados de luz nas noites iluminadas pelos faróis. Pra quedar-me pedra novamente ao fim do dia. Agora... a luz se foi, a chuva ficou.



terça-feira, 25 de março de 2014

25.03

Bebo, e novamente me sinto o rei do mundo. O mundo intelectual, claro. Alem disso eu tenho philip glass ao ouvido, ou seja, eu realmente me sinto/ouço rei de todo. Eu tenho em mim mim muitos sonhos, sensações, desejos que hajam no mundo. Ahja hoje. (Paulo Leminski ficaria feliz com algo escrito assim) alias paulo ficaria muito satisfeito em poder escrever algo, assim, a noite, sem o barulho da maquina, ao notebook. O que faria um grande poeta, poliglota, com a internet, com a moda dos vlogs? Com toda a sua maestria usaria disso pra explodir exatamente isso. Faria um, ou mais um, projeto iconoclasta sobre a era da informação. Seria ele um expectador de totoro? O melhor e mais autentico ator da internet? Aquele que com maestria destila a interpretação pra um campo tão, tão destituído de intenções que faz com que sejamos, todos, preguiçosos? Ou ele iria rir o riso mais sincero do claw marcos Majela, bruno Motta,  p. Serra? As vezes tenho a impressão que desperdiço tudo isso, pois uma mente brilhante usaria desses recursos todos pra explodir esses recursos todos. Imagina Nietzsche com acesso a internet? Kant com um canal no youtube? O mundo iria para o ano de 2300 imediatamente. Mas... pense outros nem tão progressistas assim, ou outros que não tem prazer no progresso. Se Maome tivesse, em tempo real,  sua vida revisitada pelos sensacionalistas do Ego, Yahoo, g1, o mundo perderia um lastro de paz. Ou mesmo se Jesus fosse julgado pelos fóruns da internet...bem, Jesus é julgado pelos fóruns, e deve ser por isso que sua mensagem está tão poluída. Deus! Quem passara por esse “filtro” da modernidade? E quantos que deveriam sobreviver a ela serão mortos nesse campo de batalha virtual? Todas as vezes que tentei ver quem está por traz desse WWW, como é o pensamento e a moral desse, desisti de pesquisar, pois algo chamava mais a atenção, algo era mais colorido e interessante. Mas, alguém há de decifrar esse 

Frankenstein (http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein) e 

e ver também milton, herodoto... descicloédia...não salvo, não ligo, não intendo, le ninja, ah negao, insoonia.  
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Gostar do fácil é fácil, gostar do difícil é estranho e até agrecivo (não sei se á com s ou c, a ignorância é um inferno) 
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olhar é uma intenção.
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Bebo, por isso meu olhar se torna naturalmente turvo. Ver algo se torna uma atividade seria, ou seja, é necessário querer ver, pra poder fixar a vista e enxergar. Desde ai é obvio que a atitude moral se impõe. Para ver é necessário um esforço. Para enxergar as minorias, as necessidades do outro, o outro, para tudo isso o esforço é quase muscular. Aristóteles diria que a primeira forma de conhecimento é a experiência, pois eu digo que é simpatia. Querer saber quem é o outro é a primeira e necessária forma de investigar o outro, pra depois odiá-lo ou ama-lo. Ou seja, sou simpático, posso te odiar. 

Reclamações pro SAC!

O cinismo é a hipocrisia a fazem parte de configuração padrão do ser humano. Nada mais natural quanto o sujeito que não escolhe ou constrói nada ser escolhido pelo conservadorismo político e artístico.  

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Sobre a hipocrisia - eu estava sentado numa mesa de bar. Bebi sozinho como, tantas outras vezes, via ao entorno todos esses personagens das noites que nada tem de especial, parecem todos saídos do mesmo livro: facebook.  Qualquer um defende o meio termo, defendem a moderação, a educação, e os dois litros de água por dia. Entra em cena um sujeito não-moderado: um mendigo, fedia.
- Um copo – disse enquanto despejava algumas moedas no balcão e pedia pinga, evidentemente.
- Não , disse o balconista.
O mendigo não reagiu, fez como se aquilo ocorresse muitas vezes. Pegou as moedas no balcão, e foi saindo. O sujeito do bar ainda reclamou dizendo que ele deveria sair logo dali pois fedia e era um estorvo.
Eu pensava que a hipocrisia não chegava às margens da sociedade, nos butecos das madrugadas, pensava que ela existia apenas nos centros. Mas, essa cena, me provou o contrario. O dono do bar vende bebidas alcoólicas, e quando mais vende, melhor se sente. Entretanto não gosta do produto natural de sua venda: pessoas bêbadas. Alias ninguém aguenta pessoas bêbadas e tratam-na mal, ainda que estejam em vias de embriaga-se também. O homem do balcão se sente no direito de destratar um bêbado, só não percebe que ele e o bêbado são peças da mesma corrente. Ninguém quer ver a sua própria culpa pela desgraça do mundo.
A hipocrisia também liquidificou-se, pra usar uma expressão digna da minha embriaguez e de bauman.

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O preconceito começa quando nem um mendigo quer me dar atenção ou ser meu amigo. Começa quanto quero ser amigo de travestis, só pra ser diferente. Quanto queremos que pessoas bonitas sejam ou ocupem os melhores postos ( na expressão: mas ele é tão bonito pra ser gay, está determinado que o belo deve ser o bom, ou seja, o hetero) e assim vai... Quero mais é que se foda.

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Será que o sexo, na no fundo (ui!) está isento de hipocrisia, política, estética? Pois eu penso que não. As pessoas vão pra cama e gozam junto com seus julgamentos. Mesmo quando fazem disso um jogo, como o bsms, os juízos existem em tudo.

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Amo meus amigos que falam de sexo com a mesma apatia que falam de...sei lá: voltagem do micro ondas.
Amo também quem confunde liberdade com libertinagem.


sábado, 8 de março de 2014

De Munch até Bansky a arte esteve balbuciando burguesisses.


A verdadeira contradição seria afirmar uma “opressão opressora”. Pois as opressões são, e sempre, mesclas de liberdades entre limites, libertos e oprimidos. Nunca se fará uma opressão monolítica, que oprima a todos de uma só vez. Nesse aspecto é necessário reportar-nos à beauvoir e arent: os opressores tem correligionários entre os oprimidos.

*

Sei que a insônia de hoje irá me prejudicar amanhã. Pois amanhã todos a minha volta estarão dispostos, dormiram bem, e eu com sono. Fosse eu o rei do mundo amanhã seria feriado, pra eu descansar. Mas, o rei do mundo parece ser a maioria e eu voto vencido. Essa parece ser também a regra valida para a oposição subjetividade VS. Coletividade. É ela, a coletividade, que define o certo e o errado. Na relação entre subjetividade e coletividade a primeira, assim como no sono, sempre perde. ( a não ser caso a primeira tenha o Poder) entretanto a de se perguntar o quanto de coletividade está impregnado na subjetividade. Pois talvez eu não dormi porque não me deixaram dormir, amar, comer, civilizar-me etc...

*


Nunca diga nunca – a coisa mais ingênua que se pode afirmar. Faz-se como se o futuro fosse insondável e poderoso o suficiente pra pegar de surpresa o sujeito que disse “nunca”. Teologiza-se algo inexistente como o futuro. Teme-se algo que não existe. Basta de ingenuidades (quem no terceiro milênio tem direito á ela?) só o presente existe e ele é todo o futuro condensado. 

quinta-feira, 6 de março de 2014

A essa aurora do anteontem  - Compreendo sua contradição. Eu também que te amo te detesto. Pois foi tu mesmo que tomou o lugar de quem amo. O seu presente anula o meu. Viver, de verdade, pra mim é no pretérito.


O verbo curtir – se conjuga no meu tempo, transposto em passatempo; nas palavras indecifráveis de sua nobre caligrafia, banalizando meu dia; no sinal compartilhado e sem sentido, do coração partido.  Clique aqui para o clichê: e aos prantos stalkear-te. 

Imagens de infelicidade.


Um mendigo, com sono e fome, descobre que a marquise onde dormia está, essa noite, fechada com tapumes e tão iluminada quanto o dia.

Recebes um abraço de alguém que já não amas, ainda que o amara.

A Luz do poste ofusca os poucos pisca-pisca que o filho colocou na janela do apartamento, para esperar sua mãe que trabalha na noite de natal.

A mesa posta, nada de fome.

O celebre ator envelhecera, entretanto reage as dores nas pernas e executa um passo de dança jocosa em frente a plateia. Nenhum riso.

Aquele cão que fora fotografado abandonado sob forte chuva.  Que, a despeito da foto que circula o facebook com mensagens tristes, ainda está lá. Vai morrer lá.

Aquele garoto, morrendo de fome sob o olhar do urubu e do fotografo. Sem o fotografo.

Aquele mundo que de dia doura-lhe o Sol, e a noite perturba-lhe o infinito do escuro sem redenção e de estrelas indiferentes. Rodando...

Qualquer prazer que venha do mal, qualquer tortura, qualquer vicio. A única chance da humanidade, perdida.

Sonhar e acordar num pesadelo real.

Viver para a vaidade, viver para outrem, viver de esperanças, viver escondido, viver na fantasia, viver ideologia, viver para a morte.


Fazer listas de imagens infelizes em noites de insônia. 

insonia. insonia do coração. insonia da sabedoria. insonia dos sentidos. insonia dos desejos. 

portas se fechando.

poças de pó de cupim sobre a cama, cama vazia, latas de cervejas vazias, garrafas de vinho vazias, sobriedade obrigada.

obrigado. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

dois tempos e um movimento.

tempos 1:

Os tempos atuais são curiosos, há um certo charme atual em se estar doente. Por mais bizarro que isso pareça, é até justificável. O sujeito se acha tão extraordinário a ponto de até as doenças escolherem a ele, ele entre tantos, para acometer.
Mas quando a doença não o toma, ele mesmo se apresenta como doente: adolescentes estão usando óculos de grau sem precisar de grau algum, outros usam aparelhos dentários apenas como enfeite.
Entretanto nada se compara com uma nova onda: a síndrome de Estocolmo – doença onde o sequestrado se sente atraído pelos sequestradores, ou passa a pensar tal qual o sequestrador -  no Brasil temos vários exemplos de pessoas que passaram a cultivar essa síndrome. Não preciso nomea-los, eles mesmo o fazem: A Nova Direita. (a velha está otima)
Só podemos conceber uma Nova direita no Brasil através de um estudo clinico da síndrome de Estocolmo. Ou seja, devemos realmente levar a Nova Direita a serio, síndromes são serias.


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tempos 2:

Cenário: depois de tantos anos, noite, a casa vazia, Luz da rua ilumina parcialmente a sala. Uma musica antiga no radio. O sentimento de derrota está estampado até nas paredes.
È um dia a mais ou um dia a menos?
Depende, os dias a mais são os dias de musica boa, de imagens bonitas, de paladares novos e entusiasmos. Os dias a menos são dedicados a agradar, criar imagens de si para outrem; dias de ganhar dinheiro; de escrever, andar e falar corretamente.
Viver um dia a mais é viver para si mesmo, para seus sentidos e sua subjetividade.  Viver um dia a menos é viver para a subjetividade alheia.
E uma noite a menos ou a mais?
Um noite a menos é feita para descansar, o corpo, cansado de agradar, deve descansar. Já uma noite a mais – uma noite a mais é genial – é uma noite de sonhos. E nos sonhos já não há um olhar alheio que exige uma personalidade (uma só), coerência. Nas noites a mais pode-se assumir que és muitos, vários. Contraditório o tempo todo, pois multifacetado, que carrega em si muitas vontades. Nos sonhos das noites a mais, não sabemos direito quem são os outros, pois nem mesmo nós, somos um só. Nos libertamos da necessidade de ser um,  deixamos-nos ser vários. Uma noite a mais é um noite bem sonhada, onde mundo e subjetividade se confundem.
Dias e noites a mais são treinos de Liberdade.

--
movimento


Convido pra um movimento. Não é Black boc nem o movimento gay. É o movimento de querer mover-se, alterar-se. Sem passado ideal, sem futuro mágico. É um movimento que gosta de mover-se, de ritmo de dança. É mover-se que percebe que a dança é uma opção (jogar a mão pra cima e três pulinhos etc..) é tanto opção quando quedar-se quieto. Que gestos são princípios de dança. Gestos são comunicações, e comunicações é a base da existência. Pra existir é necessário existir pra outros. É necessário assumir, de uma vez por todas, que podemos mais, que temos mais potencia que ficar com os braços cruzados. Integramos-nos nesse ritmo universal, colocar em gestos o que o mundo nos dá em sentimentos e intensidades. Pro- Movimento pra existir. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Da beleza quando opressora.


Sabe-se que o belo é sempre belo. Ainda que esteja a serviço do feio. Ainda que esteja escondendo o feio. A beleza só serve pra revelar a beleza. Contraria qualquer moral ou ideologia, indiferente aos valores humanos, a beleza é.

Então

Quando vemos uma cidade bela, enfeitada, desenhada não podemos concluir que é uma cidade boa. Porque a beleza também serve ao mal governante, ao governo vil. Nesse exemplo nada melhor que as paradas militares, exatas nos seus movimentos conjuntos, os prédios governamentais, as tribunas, os tribunais. Palácios de governo, palácios de justiça, todos dotados dessa beleza que nada revela do caráter do governante.

Contra

Para que essa beleza opressora seja desmascarada apenas o vândalo, a pichação, o enfeiamento da cidade. Ainda que crime essa atitude destruidora é também uma forma de revelar a essência feia e desigual da cidade. Na ação individual a pichação, por exemplo, é um erro, mas, no conjunto ela revela a fealdade implícita na sociedade.


Lembro que a beleza em si nunca é opressora e seu uso, também não.  A opressão que mantém o belo contra o verdadeiro é que é ruim. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

do corpo cuja alma voou.

i

Essas montanhas paradas, e...
o movimento das nuvens, e...
os pássaros circulando, e...
o Sol, e o movimento dos seus raios, e...
Você.
Essa beleza tão fugidia,
como a luz do o Sol,
o desenho das nuvens,
o voo dos pássaros.
Sobre mim, para você:
montanha parada.

ii

Isso:
Que passa, que deixa, que fere
Que Nunca esqueço, nem queixo,
Que sorte! Mereço?
 se sem isso me deixo,
 morrer.

iii

O Vagar de seus sinais.
Lentamente por entre meus olhos.
Ferir...furar, consumir.
Da carne ainda resta algo,
Na alma nada mais.
Nesta escala de desejo, sufoca:
o ensejo do sôfrego manejo
Dos dedos entre o cego possuir,

E o lúcido descarnar. 
P E D R A de M A A R T E.

doravante:

caderno

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

e afins.


Textura do tapete persa

Quase todas as doutrinas religiosas e também algumas filosóficas creem num fim: Juízo final, O nirvana, o absoluto de Hegel, até mesmo a revolução de Marx carrega uma esperança de paz na luta de classes e portanto fim de uma longa contradição. Não posso crer em nada disso. A natureza desconhece FINALIDADES. Creio como Aristóteles e Nietzsche que no eterno retorno. E visualizo isso na natureza e na sua infinidade de detalhes, até mesmo um grão de areia carrega em si infinitas particularidades, desenhos, partes ainda menores, e na infinitude do universo: mais e mais infinitudes. A natureza não quer ter UM propósito, muito menos um Fim. Então porque as religiões e a razão humana procura um em todas as ações?

Nesse sentido a única arte que sabe-se parte da natureza me parece ser a arte árabe, com seus milhares de detalhes, dentro de outros detalhes. E a maior loucura é essa procura desenfreada pelo minimalismo (ou puritanismo das formas).


 É no sujo, no rústico e misturado que existe vida. Em outras palavras diversidade. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Le Suicidé.





O quadro de Manet sobre o suicídio retrata a um homem de posses, bem vestido, cuja existência parecia absolutamente normal. Mas, evidentemente era sem sentido. Um burguês enfrenando o niilismo, um ser racional sem mitologias, um cidadão sem a força da nação. Ou seja, um qualquer um de nos, um homem cuja existência se completou de fora da dentro e é portanto muito vazia. Sua única coragem foi esse gesto. O fim foi ele quem determinou, talvez a única coisa que tenha determinado na vida. De resto viveu como se deve, vestiu como se deve, comportou-se como se deve comportar. Mas seu pagamento foi a fome perpetua, a insônia dos sentidos, a carência de calor, a falta de verdade. O suicida de Manet, não morreu, tornou-se um modelo pra variadas gerações. Tornou-se o objetivo da cidadania. Ainda hoje podemos vê-lo nos anúncios, nos catálogos de roupas e no espelho. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Como pode: o amor mata. Inferniza o coração daqueles que nunca serão correspondidos. O amor acaba com a esperança, com o sopro de vida, com a vontade de comer, dançar, sorrir. O amor, como um alvo para setas, oferece muitas mais possibilidade de erro que de acertos. No entanto somos levados a louva-lo por todo a vida. Engrandece-lo como um cruel senhor feudal “obrigado por suas migalhas, pelos pequenos carinhos, pelas leves esperanças”. O amor está reservado a poucos, pouquíssimos e eu não sou um deles. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

caderno de exercícios.

Artur Schopenhauer falava que uma boa biblioteca não passa de cem títulos. Um outro autor falava que bons livros devem ficar no esquecimento, e em fácil acesso. Como os amigos, e esses também, são como livros: só os melhores entram em casa. Penso que livros bons e essenciais são mesmo poucos, devem ser garimpados na multidão de títulos atuais. Nesse sentido ler é um esporte, como a pesca.  E o bom pescador se conta pelo numero de peixes ou pelo melhor peixe?

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O senhor refere-se a minha mãe? Refere-se a mulher que me carregou no útero por nove meses a fio, enfrentando todo o incomodo da gravidez? Está mesmo falando a senhora que escolheu não me abortar, ainda que estivesse no seu pleno direito? Daquela que durante meses se prestou a ouvir Bach, Vivaldi, Cage pra aumentar minha capacidade cultural e fazer power-yoga e massoterapia pra bem realizar o parto domestico e humanizado? Isso  antes de ir trabalhar, antes de escrever sua monografia,  e com tempo ainda pra questionar a sociedade patriarcal via internet?  Acusas el@ de vender o próprio corpo? E não é parte da liberdade humana o livre comercio de bens?Não somos nós livres e muito livres pra fazer tudo isso por dinheiro, ou por outro tipo de beneficio?  Senhor... Falta-lhe atualizar o vocabulário, filha da puta é tão 2006.
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Centopeia correndo, trançando os pés e o pescoços, parece míope.