segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

caderno





Cara, que sonho ser eu o Dalton trevisam. Essas horas de noite eu olharia para o céu, sentiria o vento e teria mil inspirações. E depois sozinho sentaria na cozinha e estaria cercado por todos os meus personagens, e ao entorno toda a cidade, a que eu inventei e a que eu não inventei. Eu olharia para traz com um orgulho do caralho, e olharia pra frente, ou seja, para a morte, sabendo que a vida valeu a pena porque eu criei arte. Literatura da melhora qualidade. Porque eu seria um mito para todos, um enigma pra aqueles que procuram ilustrar-se comigo e pra mim mesmo: uma criação. Ah! Eu não seria apenas isso... seria dono da arte, das letras, domador das palavras ao invés de ser delas capacho. Discretamente feliz seria eu.

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...agora pra dizer a verdade isso [depender do sus] não me humilha de nenhuma maneira, a vida no Brasil não é fácil pra ninguém, nem pra aqueles que podem pagar por suas consultas. Somos um pais periférico refém de um Estado ruim e também de um mercado ruim. E nesse ponto esquerdas e direitas se encontram, porem ainda pelejam, por pura ilusão.

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Da nesga de um céu, espremido entre o muro do vizinho e o beiral, vejo uma estrela. Uma única estrela num espaço determinado do espaço infinito do universo. Ela é a mais solitária das estrelas. Ela esta brilhando sem saber por que, sem se reconhecer no seu brilho. A mais solitária das estrelas despeja brilho pelo espaço, crê fazê-lo por costume e por necessidade de iluminar o entorno, ao menos. Mas, seu brilho, ela não sabe, cai aqui como uma elodia, um canto medieval sobre anjos decaídos e feridas na alma. Eu e essa estrela passamos noites a mirar-nos, sabemos que ambos não temos função alguma. Apenas dois nos milhões de estrelas e humanos. E nos calamos antes de perguntar “porque”, esperamos o sol, a luz da dia e suas ilusões.

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