quinta-feira, 10 de outubro de 2013

VI

turvo,
    turvo,
       cinza e ocre: um calidoscópio de lixo panos sujos sacolas colchões sobre um terreno fétido.

Tudo turvado como se sonhássemos, como se o mundo acabara de findar-se e o inferno não existisse e só restasse isso: a realidade ordenada por um não-deus julgador cruel, mas, sem penas. Intermitências de justiça, intermitências de sentido direção cor. Turva a fumaça do cachimbo de crack. Pequenas luzes que acendem que nada tem de ver com estrelas ou vaga-lumes e apagam.
A um século quem diria que isso seria futuro? Quem, olhando a invenção da imprensa diria que ela seria incapaz de falar sobre o homem? E esse futuro traz imagens realistas demais pra crermos no jornal: Turba cracolandia, zumbis sem rostos, espelhos no lugar dos olhos. Onde nos vemos. Turba ilhada no centro da cidade, dessa mesma cidade ilhada pelo niilismo moderno – eles já viram – que não pudemos perceber quando chegou – ele perceberam.

           Háaa: zimbu: zumbi que no lugar de celebro come c..hárá ié ié.

Turba que iria nos redimir desse namoro com a morte ( trazê-los á luz? Qual, essa? Está apagada a séculos, nós iludindo com seu lume e eles sabem).  Porem, cai sobre os olhos a negritude do véu do individual, separa-nos, pra fazer de conta que sobrevivemos. Cai a noite e um menino tateia o muro, pará em frente ao poste, procura o interruptor pra acende-lo. Não há interrupção, não há luz, o breu é total, dentro e fora. Ele cambaleia (pra ler ao ritmo do cuduro) cai, cai cai, cai, cai cai. O vento sobra, um outro morre. Fumei a pedra e to de porre. Cai cai cai, cai balão: tuberculose, com depressão.

 E jaz sobre a cidade uma lua branca, boiando sobre todos os sonhos e deuses, boiando como todos aqui em baixo. Branca como uma pedra. Inalcançável ao menino que desistiu de ligar o poste, (a pouco morre) a companhia elétrica também. Alias todas as companhias desistiram de acompanhar. Só a lua como quem procura um filho, mira as ruas.

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