segunda-feira, 14 de outubro de 2013

courier

Eu estava sentado na mesa da cozinha, ao redor a família comia e falava, falava, falava. Seus lábios batiam e retiniam como se fossem de lata. Nada com nada, eram o que diziam. Eu tentava acompanhar a conversa, porem, ela mesma não seguia rumo nenhum. Olhei-os mais atentamente, seus movimentos exatos, olhos fixos, gestos estranhos. Não eram humanos eram autônomos agindo como humanos. As vezes, quando riam, eram animais. Quando graves e indignados apontavam inimigos eram como robôs, programados pra não gostar de outros robôs. E sempre, sempre estava como quem participa de um quadro antigo, bidimensionais. Nada me era estranho, porem tudo estava diferente. Pensei na possibilidade de eu estar louco ou que teria errado de casa nessa noite. Mas a verdade é que era ela mesmo minha família eu só estava crescendo. Sabia que dali um tempo, seria minha hora de automatizar a vida, os gestos, os sonhos. 

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