quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pos-colônia penal.

 


Manual de instruções: o carcereiro deve checar se o encarcerado está 1. de pé, 2. imóvel e 3. acordado então os ajustes far-se-ão automaticamente pelo equipamento. O Encarcerado tornar-se-á 90% (noventa por cento) menor que sua estatura original.  Reversão. O mesmo procedimento ainda que dessa vez o encarcerado torne ao seu tamanho original.

As instruções não foram de todo ouvidas pela comissão parlamentar que acompanhava o caso. Mesmo assim o projeto foi aprovado e anunciado á impressa como a solução para a falta de vagas nos presídios, para a impunidade, para a justiça.

Cada preso a partir desse procedimento iria ocupar dês por cento do espaço físico que agora ocupava. O que de modo pratico inaugurava milhões de vagas nos presídios brasileiros, com possibilidades de importar presidiários de outros países igualmente civilizados.

Pobres tem prioridade. Encolhidos eles, as dezenas, são colocados em carrinhos de mão e transladados até as minis-colonias penais previamente inauguradas com discursos aclamados e coléricos da presidente.

Há a paz. Tão esperada, a paz nas ruas, nos presídios, favelas, coletivos. Pois todos aqueles que cometem, cometeram ou perturbavam a ordem estão presos. Seus direitos, todos, respeitados: alimento não falta, uma só marmita alimenta vinte, seus banhos de tigela, seu futebol de botão adaptado aos jogadores.  A paz, tal qual uma pombinha branca voa fácil pelas praças e avenidas e condomínios das cidades.

Um som alto, uma denuncia e o vizinho é logo declarado culpado, diminuído, cumpre meses de prisão, é solto e aumentado em seu tamanho normal.

Um cuspe em rua publica, e a mesma sentença. Ainda que dessa vez, o individuo não retorne. Pois ouve alguns erros de cálculos e ao ter sua soltura declarada o sujeito sofre uma nova diminuição, dês por cento dos dês por cento que já era. Sumiu por entre as mesas da corte de justiça.

Mas, a paz reina.


Todas as ordens são cumpridas, todas as leis respeitadas. E as autoridades, no auge da justiça parecem até ter adquirido maior altura. A policia parece ter ganho uns metros, os juízes também, padres, pastores, bons samaritanos de modo geral, todos enormes. Andam pelas ruas a passos largos, comem muito, riem alto. Às vezes, sem querer, pisam num desses normais, que só por descuido, parecem com aqueles outros, diminutos fora da lei.  


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Eu (auto referencia é um símbolo, de covardia  e de vida adulta) pois eu mesmo digo, tal qual M. Chauí, que odeio a classe media, odeio o PSDB, odeio o Pondé, e tudo aquilo que se fala contra a esquerda.
(primeiro parágrafo polemista pra chamar atenção)
Amo o Che, o Fidel, o Lenin, ainda que não saiba diferenciar um do outro, de modo que meu discurso é recheado de Revolução, luta de classes, as elites etc...
(no segundo parágrafo provoco também os De esquerda)
E
(finalmente abro o jogo, falo com sinceridade)
Pois o discurso da direita, mostrando os reais e verdadeiros erros daqueles que seguiram as ideias do capital, desmorona não apenas essas ideias. Desmorona sim qualquer tipo de ideologia, qualquer tipo de construção político que se baseie no sonho de um mundo melhor. Aliás, essas mesmas palavras, mundo melhor, soam quase infantis aos ouvidos de hoje.
E quem diria....
Esse mundo existe. Copenhague, Oslo, Estocolmo exemplos reais de cidades cujos governos e Estados não aredaram de suas funções, como ditava o liberalismo, cujo povo, nem tanto ao céu nem tanto a terra, vivem bem com as liberdades individuais. Cidades que nos permitem sonhar.
(encerro sem definir-me, ou antes, mais que definindo)

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