sexta-feira, 27 de setembro de 2013

a manhã.

Numa bela manhã, como essa, esse pobre animal humano lamenta:

não o pouco pão-de-cada-dia;

não a morte, iminente.

Lamenta o esquecimento, essa dissoluta função cerebral.

Pobre animal, que do gozo de ontem só reteve o nome.

Bicho humano que amou, mas, esqueceu,

que desejou e esqueceu o gosto do desejo realizado,

que amou o que odeia agora, que odiou o que é agora indiferente.

Que perdoa porque não lembra a ofensa,

que ama o que vai perder;

Adora; o que será indiferente.


Que vive nesse eterno amanhecer e sorri, e é só de surpresa seu sorriso.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

#felixiano


1.
Daqui a cinco anos? Pretendo estar, assim como agora, agindo pra que minha vida seja melhor, ou seja, quero estar sendo alvejado por, pelo menos, quinze tiros na cara. Antes quero estar viciado em crack, fumando a ponta dos dedos numa viela qualquer dessa cidade. Quero ser a sombra do espírito cidadão, tudo que ele não deve ser. Quero, daqui a cinco anos, ser uma nota breve de jornal  “ morreram 15”. Porque essas vidas não vale uma coluna ou uma foto p&b.  Meus pensamentos daqui a cinco anos serão os mesmos de agora: Antes não tivesse nascido, antes fosse um daqueles que ficaram na camisinha, que precipitou pela menstruo, que foi parar na próstata de um viado qualquer. Porque desse ponto, de vista e de vida, tudo é relativamente inútil.
Conta proposta:
A vida é a coisa mais democrática que existe. Ela pode, ainda que fira em seu cerne, defender a morte. Em todos os momentos em que eu, desejando morrer, desejando a morte, relativizei a vida, usei, de modo absoluto, seu poder. Ou seja, necessito de vida, de modo pleno até pra, pensar e desejar a não-existência. Francamente senhores a vida não é algo que seja fácil pensar sobre. 

2.

Ia postar que Beoynce é uma mulher incrível (e é mesmo) mas dai lembrei que tem muita gente tão bom quanto. E ele foi meio cuzona ao babar o ovo do Obama, sem motivos.

3. #feliciano

De um dia para o outro ele tem o poder de determinar prisões, baseados nos seus valores. Inclusive contra aqueles que não concordam com esses valores. O fato das meninas serem presas é reversível, o fato de ele, a partir de agora, poder mandar prender é estabelecido. Bem vindo ao estado teocrático do Brasil.

Ou

Estado contraditório do Brasil. esse pais onde o topless é proibido na praia e liberado no carnaval, televisionado.  No país de tantos cristãos, tão pouca caridade, e se há é chamada de populismo (to falando das bolsas) Agora temos os mais liberais cosmopolitas criticando os mais médicos e (!) reprovando protestos, até mesmo os pacíficos como o das duas meninas que beijaram na igreja do Feliciano. Obvio que o culto, seja qual for, deve ser respeitado. Mas o respeito pelos direitos humanos, pela cidadania, não se consegue marcando hora com o sujeito. Se não é possível falar deve-se gritar.  

E (ironia alert) se esses religiosos dizem que a homossexualidade é 1) doença, porque eles não curaram as meninas ali, onde se faz tanta cura, e por que impedem que “doentes” entrem na igreja? 2) espírito. Por que não expulsaram esses das meninas, eles devem estar práticos nisso, visto o tanto de exorcismo que ocorrem nos programas evangélicos. Pode-se argumentar que os milagres só ocorrem quando o doente quer, ou o pecador se arrepende. Mas e no caso dos possuídos, como eles podem querer ser salvos já que é justamente o seu querer que está controlado pelo mal? 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pos-colônia penal.

 


Manual de instruções: o carcereiro deve checar se o encarcerado está 1. de pé, 2. imóvel e 3. acordado então os ajustes far-se-ão automaticamente pelo equipamento. O Encarcerado tornar-se-á 90% (noventa por cento) menor que sua estatura original.  Reversão. O mesmo procedimento ainda que dessa vez o encarcerado torne ao seu tamanho original.

As instruções não foram de todo ouvidas pela comissão parlamentar que acompanhava o caso. Mesmo assim o projeto foi aprovado e anunciado á impressa como a solução para a falta de vagas nos presídios, para a impunidade, para a justiça.

Cada preso a partir desse procedimento iria ocupar dês por cento do espaço físico que agora ocupava. O que de modo pratico inaugurava milhões de vagas nos presídios brasileiros, com possibilidades de importar presidiários de outros países igualmente civilizados.

Pobres tem prioridade. Encolhidos eles, as dezenas, são colocados em carrinhos de mão e transladados até as minis-colonias penais previamente inauguradas com discursos aclamados e coléricos da presidente.

Há a paz. Tão esperada, a paz nas ruas, nos presídios, favelas, coletivos. Pois todos aqueles que cometem, cometeram ou perturbavam a ordem estão presos. Seus direitos, todos, respeitados: alimento não falta, uma só marmita alimenta vinte, seus banhos de tigela, seu futebol de botão adaptado aos jogadores.  A paz, tal qual uma pombinha branca voa fácil pelas praças e avenidas e condomínios das cidades.

Um som alto, uma denuncia e o vizinho é logo declarado culpado, diminuído, cumpre meses de prisão, é solto e aumentado em seu tamanho normal.

Um cuspe em rua publica, e a mesma sentença. Ainda que dessa vez, o individuo não retorne. Pois ouve alguns erros de cálculos e ao ter sua soltura declarada o sujeito sofre uma nova diminuição, dês por cento dos dês por cento que já era. Sumiu por entre as mesas da corte de justiça.

Mas, a paz reina.


Todas as ordens são cumpridas, todas as leis respeitadas. E as autoridades, no auge da justiça parecem até ter adquirido maior altura. A policia parece ter ganho uns metros, os juízes também, padres, pastores, bons samaritanos de modo geral, todos enormes. Andam pelas ruas a passos largos, comem muito, riem alto. Às vezes, sem querer, pisam num desses normais, que só por descuido, parecem com aqueles outros, diminutos fora da lei.  


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Eu (auto referencia é um símbolo, de covardia  e de vida adulta) pois eu mesmo digo, tal qual M. Chauí, que odeio a classe media, odeio o PSDB, odeio o Pondé, e tudo aquilo que se fala contra a esquerda.
(primeiro parágrafo polemista pra chamar atenção)
Amo o Che, o Fidel, o Lenin, ainda que não saiba diferenciar um do outro, de modo que meu discurso é recheado de Revolução, luta de classes, as elites etc...
(no segundo parágrafo provoco também os De esquerda)
E
(finalmente abro o jogo, falo com sinceridade)
Pois o discurso da direita, mostrando os reais e verdadeiros erros daqueles que seguiram as ideias do capital, desmorona não apenas essas ideias. Desmorona sim qualquer tipo de ideologia, qualquer tipo de construção político que se baseie no sonho de um mundo melhor. Aliás, essas mesmas palavras, mundo melhor, soam quase infantis aos ouvidos de hoje.
E quem diria....
Esse mundo existe. Copenhague, Oslo, Estocolmo exemplos reais de cidades cujos governos e Estados não aredaram de suas funções, como ditava o liberalismo, cujo povo, nem tanto ao céu nem tanto a terra, vivem bem com as liberdades individuais. Cidades que nos permitem sonhar.
(encerro sem definir-me, ou antes, mais que definindo)