sexta-feira, 30 de agosto de 2013

#simetria #casa


Num dia qualquer você resolve pesquisar no dicionário o significado de uma palavra que lhe estampa a cara, que forma teu pensamento, que lhe dá modelo ao justo.  E ele te presenteia com uma singular poesia:

si.me.tri.a 

sf (símetro+ia1) 1 Qualidade de simétrico. 2 Correspondência em tamanho, forma ou arranjo, de partes em lados opostos de um plano, seta ou ponto, tendo cada parte em um lado a sua contraparte, em ordem reversa, no outro lado. 3Proporção correta das partes de um corpo ou de um todo entre si, quanto a tamanho e forma. 4 Bot Disposição simétrica das partes de uma flor. Antôn: assimetria. S. bilateral: condição de serem os lados direito e esquerdo (do corpo, p ex), contrapartes um do outro.


Tenho pensando o quanto é necessário a Simetria nesse nosso equilíbrio no mundo, metade de mim é desejo, outra metade razão, quando uma dessas toma parte superior a que lhe cabe, torno-me um sujeito sem saúde, um desajustado. E o quanto é necessário superar a simetria se se quer levar a vida como obra de arte, ou como aventura (o contrario seria apenas sobreviver) como e quando é necessário deixar de pensar em “justo”, ou em “arrumado”, “ordem”, pra se elevar ao nível dos deuses e criar, inventar, inovar. E o quanto é ilusão achar que se pode criar apenas assimetricamente da razão, da forma fixa. Para alem de Nietzsche, no Nascimento da tragédia no espírito da musica, queria eu ter essa resposta pra hoje. Pra resolver minhas dores e agonias agora mesmo, seria a hora de correr? Espaçar, espancar? Ou a hora correta de mais uma vez baixar os olhos e arranjar forças pra mais um passo.

Ou

A verdade lógica não vale um pão Francês, então todos os dias, quando minha mãe põe os pães na mesa eu digo “Deus a abençoe” ainda que não creia nessas palavras. Pois as coisas que fazem sentido na minha vida, são regradas pela pratica familiar, são suscetíveis de gramática, tem cheiro de casa, sem essas mediocridades eu não existo. Tomará que eu tenha saúde pra continuar essa pratica simétrica, pra que eu não a deixe cair na mesmice e nem avance demasiado.

e


 O lar existe quando nele a o equilíbrio entre paz e alegria. Uma casa só de alegria não tem paz, e um casa de paz pode não ter alegria. Crianças e cachorros trazem alegria, conversas repetidas trazem paz. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

caderno de exercício.


Ela chegou, deixou algo na cozinha. Eu no computador pedi mentalmente que ela viesse, me desse um beijo no rosto. Desejei que trouxesse seu cheiro pra perto de mim, que me falasse algo com a boca cheia, do qual eu responderia um “hã?”. Ela chegou com toda a vida que alguém pode trazer de uma tarde de inverno, ela trouxe um pacote de bolachas pela metade. Ela tinha cheiro de roupas de inverno. Ela chegou, deixou algo na cozinha, disse alguma coisa, de boca cheia, ela chegou  perto e meu coração bateu forte, como sempre. 
Ouvindo mod era 



Deito-me pensando em sua barriga, sua coxa, corro a mão pelas suas pernas. De olhos fechados posso sentir seus pelos eriçados. Seu corpo de mil segredos ocultos, sua pele macia que cobre ossos duros, sangue quente e coração pesado de silêncios. Profundos silêncios que tento ouvir com os ouvidos no seu peito. Que tento arrancar com beijos. Sugar através da nuca, ouvidos, dobras do joelho, ponta dos dedos. Caminho-te como num território estrangeiro, hostil e amigo ao mesmo tempo. Encontro em ti parte de mim, e perco-me novamente. Pois quem terá tantas curvas, dobras, ladeiras e becos.... De que me serve mãos, olhos, ouvidos senão pra de dentro de ti me encontrar, senão pra te desbravar como terra estranha. Perca-me, perca-me ainda mais, pois é em ti o labirinto maravilhoso que me dá direção e sentido.
Ouvindo Cage. 



Casa, porão e sótão. - Cortinas portas e janela e jardim. Flores que nasceram nos vasos, lembranças que nasceram nos portas-retratos. Pó sobre cristais e cheiros tão habituais. Casa limpa, louça lavada, e o sol ainda brilha no dia que ainda existe. O que perdeu-se foi o sentido, a pressa e espera. Ninguém pra chegar, ninguém pra correr com pés de lama sobre o assoalho recém encerado e nem ninguém que traga pão, sorriso. Encolheu em cinza. As janelas ficaram mais próximas do chão, o teto mais alto. E o teto abaixou, e as janelas ergueram-se, o mundo girou ao redor, a torneira pingou. De uma hora pra outra, quase tudo falou, como antes, quase tudo cantou, antes de cair novamente na quietude de um dia de trabalhos feitos e ninguém pra chegar. Era casa, finalmente, fora um lar.

Ouvindo: Erik Satie "Trois Gymnopédies", no youtube




Meio. Múltiplo. Vago. Longo e frio. - Encontro-me com meu eu-infantil, meus jogos de consciência e as adivinhações. Daquele jogo que eu mesmo sou parte, que caio e reparto-me em dois, o perdedor e o vencedor. Daquele menino que não sabia seu lugar no mundo, por isso estava em todas as partes, e com seu olhar inventava espaços. Via o mistério onde só havia obviedades. Construía seu jogo com o pouco que resta a condição humana na infância. E tudo pra fugir do medo, do caos, do susto. O mundo  pode uma dia desses virar de ponta cabeça, (você, leitor, está preparado?) quantas palavras é possível falar com erre. E com eco, gritando. Ai! Não! Vá! Sai! Madeiraaaaa! NÃO GOSTO DE MACARRÃO COM FEIJÃO QUERO UM DEPOIS O OUTRO! Como falar com múltiplas vozes, como comecei a falar? Jogos palavrais, palas, palas, cala para plava pavla para varais, palavrais e quantas palavras que nada significam, que pastam num enorme campo a espera de serem abatidas pra consumidas e enfim estar a boca do consumidor. Muitas palavras aleijadas de silabas que não emendam, ou faltam-lhes partes essenciais ou caiu-lhes mais de um sentido (símbolo, sinal, alegria, gozo, manga, coma).  - Espero pela vida adulta e a ausência de curiosidades
Ouvindo: musica contemporânea.




#agosto

Blz, belz, beleza, belezinha. Eu vou ficar aqui, sentado, calado, caladinho. Vou esperar esse cara. Fico assim olhando pro chão, ou, será mais certo olhar logo pra porta. Porque se esse cara vem , me chama eu to olhando pro chão e não ouço ele chama outro. O outro vai passar na minha frente. Tirando o fato de que ele vai receitar o meu remédio para o outro e eu vou ficar com o outro remédio, que provavelmente vai me deixar louco. Com câncer. E sabe como são as secretarias, ficam de olho no que você está fazendo e passam tudo isso para o medico lá dentro, então, quando ele sai da porta já tem uma ficha extensa de quantas vezes você olhou no relógio, (eu: duas. Ele: quatro eu sei. Eu: as outras vezes estava só lendo a marca no logotipo) e quantas vezes você foi ao banheiro. Esse item inclusive é o mais perigoso, existe mesmo a chance de eles te espiarem para ver se o sujeito lava as mãos, olha no espelho, olha dentro das narinas e confere o halito. Eu sei que isso é padrão. Então devo é ficar olhando pra o chão, mas prestando a atenção na porta. Se a primeira silaba que ele disse for a primeira silaba do meu nome. Ju  - levando – venal – vou até o banheiro – liano – pois não? Já seria minha hora doutor? Ou: já seria minha hora? (sem doutor) talvez eu deva até olhar pra o trinco, se ele se mexer já apronto pra levantar. Se não mexer não.  E digo que tarde fresca, que foto familiar bonita, conhece a praia? Ou: que consultório amplo o senhor tem muitos diplomas? Então nos abraçamos e concordamos em encarar esse problema de maneira natural e reta: cromoterapia.  A casa é melhor azul e verde, o teto com cores de aurora de verão e seus sapatos brancos. No tapete motivos em lilás. A cromo – so funciona – terapia – pra quem enxerga. O trinco! Minha – não? – silaba – será? Foi, não foi? Espero? Em pé? 

domingo, 25 de agosto de 2013

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Um. Porque eu vá viver muito, ou muito pouco. Ou mesmo porque eu devo e preciso desse entendimento gostaria de registrar nesses manuscritos essa ansiedade: porque só uma?

Dois. Por tantas dores, cólicas, sarnas, perebas, feridas e feridinhas, cânceres, cancros, calos, diarreias, viroses, febres, bronquites, alergias e fungos sob a pele. Alem do cansaço.

Três. Por  isso creio que uma só existência não é suficiente, creio ser necessário mais uma dose de eternidade, no inferno ou no paraíso – tanto faz – mais um tempo, mais um pouco de tempo


Já. Pra eu achar a resposta disso tudo, dessas dores que do corpo acumulam na alma. Dessa alma-rocha esculpida por esse vento-existir de modo que o que resta de mim é pedra polida e areia.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

#curitiba

almocei no restaurante de um real, na praça rui Barboza. É otimo ver aquela multidão de pessoas, pobres ou ricas, alguns aposentados, estudantes e mendigos comendo nas mesmas mesas, e também o incrível fato de essa multidão em geral ser ingovernável. Eles podem ser estimulados, podem ser incentivadas e até iludidos, mas dai pra que todos passem a pensar igual, é muito difícil. A multidão não obedece a um líder sem que esse seja realmente o protagonista, ou seja, aquele que agoniza primeiro. Ela que heróis, mártires, só dará ouvidos aqueles cujo rosto esteja marcado por lutas, vencidas e perdidas., a multidão é cruel. Por isso a democracia é um regime de crueldade e demagogia. Aqueles que de uma maneira ou outra conseguem convencer a multidão que sofre por e com ela sem que nada disso seja verdadeiro.

Ou

Já viste um intestino por dentro, ou um pulmão, até mesmo uma boca escancarada? É feio, nojento e até mesmo assustador. Pois o que esperava quando visse a alma das pessoas por dentro?

A fealdade humana está presente em cada exemplar desses seres. O horrível é parte desses seres. Surpreendente não é o crime e o ódio, surpreendente é o desejo por ver apenas o bom e o melhor. Porque queremos sempre o melhor das pessoas, se elas são constituídas por múltiplas partes. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013


Ame. Ou faça

                do amor

capricho mania traço personalista

corpo expiatório objeto de desejo tesão

estudo regra resumo intelecção

dieta fome gula e paixão.

Faça do amor diversão

curiosidade espelho luxo queda culpa medo

devassidão.


Ou ame. Ou viva.