sexta-feira, 19 de julho de 2013

#Lula


Lula in NY.  Saiu finalmente a primeira coluna de Lula no NY times, louvável. O assunto foi as manifestações, os jovens e um pouco da historia das lutas populares no Brasil. obviamente o texto foi muito criticado por pessoas que não o leram e por outros que não gostam do autor. A essas só resta um foda-se. Porem o texto carregava uma marca, que alias é símbolo desse “Cara” a esperança. Essa bonita palavra esperança é totalmente empobrecida quando dita por um político; é patético um sujeito que tem as condições materiais para a mudança ter esperança que as coisas mudem por si mesmas. Devemos instaurar urgentemente o iPAD, partido dos ateus desesperançado, para lutar contra esses que creem que através de hinos evangélicos, de hinos nacionais,  de cara-pintada o mundo mude, a cultura se altere etc... o iPAD, por ser desesperançado só acredita em mudanças pequenas e lentas. O iPAD também rompe com setores, é em suma individualista, porque reconhece que nossa existência não se dá através de grupos, nacionalidades, setores, ela é única, individual e muito, mais muito mesmo, solitária. O final do texto do Lula dizia para os jovens entrarem na política para se representarem, então você, jovem, que já se sente um velho aos vinte, aliste-se ao iPAD, seja o freio dessa esperança desbaratada que reina no país.


Lula in NY II – “Lula, encontramos seu dedo,está no cu do povo” era com essa frase chula que uma medica demonstrava sua indignação contra o governo. Não foram poucos aqueles que a criticaram por ser tão vil, baixa etc.. mas o próprio Lula não disse nada. Por que 1) não sabia de nada, de novo, ou 2) estava escrevendo, com um tom finíssimo para o NY times. Ironia da vida: a doutora sendo chula e o metalúrgico escrevendo num dos maiores jornais do mundo. Podemos ouvir alguns poucos aplausos, e um ao fundo, é Heráclito. 

ps; o "i" do "iPad" é de ironia. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

#vandalismo

1.       Ajudar os hebreus na fuga do Egito beleza, mas, obstruir o mar vermelho já é vandalismo.  Geral vira piadista no fece nesses tempos de “já é vandalismo” e eu também quero jogar! Mas, digamos que o tal pássaro de minerva (filosofia) começa a subir voo, e querer entender os protestos e os possíveis desdobramentos. A coisa está cada vez mais com a mesma cara de sempre: Brasil oficial e Brasil real. Quando as bombas de gás e as balas atingem aqueles que julgam viver no Brasil oficial, a realidade se mostra dura, a violência da policia, do bandido, do estado faz parte do Brasil real. E esse é um pouco mais difícil arrumar. O oficia já está se arrumando pra transformar isso em plebiscito, em pautas, em reuniões com lideres. Etc.. querem castrar as manifestações do  Brasil real. De outro lado tem a frase feita “saímos do facebook”  se isso for verdade estamos feitos....”se forem tão bom em política quanto são em estética...” diz Caetano, “estamos feitos...” haja visto que as discussões no face são a face mais burra da internet, e acaba em ironia e sarcasmo, ou seja, nada.
2.       A presidente citou a bandeira nacional “ordem e progresso” e nada mais certo que nós pensarmos sobre. Porque, assim, como o hino nacional essa frase fala bonito mais diz pouco. Eu colocaria nesses stautus da bandeira a frase de Henfil: “só dói quando rio”. O Brasil tem essa qualidade, tudo é lindo, o sol, as pessoas, as praias. Mas, quando alguém mexe, quando resolve comparar, questionar, olhar melhor....dai dói. É muita pobreza, falta o essencial, e nessa falta sobra discórdia (o numero de mortes por brigas fúteis!) sobra espertalhões.  Das coisas belas há o povo, alegre e festeiro e quando eu tendo festar também dói mais ainda. Não resta escolha, ou se resolve as causas das dores nacionais ou vamos continuar rindo e doendo.
3.       Aporia – palavrinha foda da filosofia. Em si significa “sem poro”, sem saída. No pensamento filosófico a aporia é um bom resultado pois “zera” um raciocínio. Exemplo: Marx trabalha como pedreiro, ele vendo sua força de trabalho. Sem o trabalho de Marx, telhas, tijolos, cimentos.... Não se configuram sozinhos numa casa. Então quem compra uma casa, feita por Marx, compra na verdade o trabalho de Marx. Mas, o próprio Marx não conseguem comprar uma casa, pois ganha menos que isso. Marx ganha menos que seu próprio trabalho. É um exemplo de aporia Marxista. (como vocês podem ver Marxista aí só significa que o nome do sujeito é Marx se se chamasse Paulo seria Paulinista etc...) e (pra provar que eu não sou de esquerda, é démodé) com base nessa aporia podemos pensar numa outra, que andou circulando a internet esses tempos:
4.       “toda criança, adotada por casais gays foram abandonadas por casais heteros” é um pensamento obvio e visa reconhecer o direito dos casais gays de terem filhos. E, para o bem da verdade, não está correta. A principal característica dos casais heteros que abandonam crianças não é ser heterossexual. Portanto não podemos julga-los por esse mérito e sim pelo demérito de abandonar crianças. Então uma coisa importante para sociedade e mais importante ainda pra alguns casais, que é adotar crianças, não deve ser reduzida á uma frase pra circular mais facilmente pelo facebook. Nem tudo pode ser reduzido a uma proposição lógica. Na minha opinião a característica sexual das pessoas não afeta a paternidade ou maternidade, pode-se ser um péssimo pai sendo gay ou não.
5.       um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta ou um homem sem facebook é como um peixe sem bicicleta ou a lastima de descobrir-se mascara sob a mascara sob...a sociedade e suas mentiras tão confortáveis e mais confortáveis ainda por sabemo-lás mentiras. Meu reino por uma única verdade, isso não é um desejo, é uma simples conclusão lógica, uma misera verdade vale todo um reino. Sabe-se que o caminho é feito de pedras, pedras, pedras.  
6.       Filmes assistidos.  
Trilogia millenium. Assisti 1, 3 e 2 e mesmo assim o 2 conseguiu ser surpreendente. Filmes incríveis em vários aspectos, fotografia atuação e principalmente o roteiro. E também assustador ao percebemos que a maldade humana não tem limites e o poder corrompe 99% das pessoas.
Na natureza selvagem – um filme de viagem, belas passagens relacionadas com a vida autentica e a vida moderna “civilizada”. O filme não é uma apologia do viver na selva e sim as perdas e ganhos por se ser o que se é. A verdade pode ser cara, mas, sempre nobre.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

#confissõesdamadrugada

Essa hastag esteve nos tt por alguns dias. Sempre penso que por trás dessas há vários adolescentes ociosos usando de maneira trivial um instrumento que poderia ser tão útil e bla bla bla... Dai depois que esse meu velho ranzinza para de falar penso que é exatamente pra isso que serve esses ferramentas, pra servir ao homem e pra que esse possa reconhecer-se no outro, até mesmo nas suas confissões, inconfessáveis de dia.
 
1.       Tenho medo de ficar louco. Não da loucura criativa de um Van Gogh, esse coisa charmosa, que é muito mais a explicitação de uns idiossincráticos, tenho medo daquela loucura de Camille Claudel, a loucura de um Lima Barreto. Loucura que as mentes, brilhantes ou não, adentram numa caverna escura, sem pensamentos lógicos, sem lembranças. A loucura parecer ser uma espécie de pesadelo sem fim. Devo dizer que não é sem razão que esse medo me assalta. Numas das poucas vezes que me aventurei a experimentar algumas substancias ilícitas, tive a sensação de que minhas paranoias todas acordaram: o medo do escuro, o medo de ser roubado a qualquer hora, o medo que de repente eu perdesse a consciência. Por essas e outras que tento levar uma vida mais saudável.  Outro motivo é que dois amigos já foram diagnosticados “loucos”. Obviamente “loucos” não foi a palavra usado pelos médios e sim “em crise”, (mas doutor somos um geração em crise!) Desses um deles fui visitar no hospital, estava como que em transe, ou com aquela cara de quem acabou de acordar e não está entendendo nada. Foi triste. Pior foi o diagnóstico de um outro amigo “isso deve ser espírito”. A religião tem uma explicação pra tudo, pior que ela só o senso comum. A loucura clinica é triste. Tenho medo dela talvez porque (confissão)  tenho muito egoísmo da minha personalidade, do meu foro intimo forjada a base de decepções e rupturas, mas ainda e, sobretudo, integra.  Então aqui fica registrado, se um dia eu ficar louco mesmo, saibam que estou odiando isso, e que um dia já foi lúcido.

2.       Que meu ateísmo é o resultado natural de um processo familiar: Bisavós católicos, avos protestantes, pais protestantes moderados, eu ateu. Ou seja, o sagrado passou das imagens e ritos, para ritos mais cotidianos, para consciência religiosa, e agora eu, sacralizo nada ou muito pouco. Esse sagrado pra mim está no alimento, por exemplo. Detesto quem come com banalidade, está na conversa, detesto papo-furado, está no riso: a gargalhada tem algo de vulgar e diabólico e sacralizo principalmente o silencio. Quer congregar comigo? Comamos em silencio e se for bom, rimos humildes perante o mistério do universo.

2.   Que em silencio eu desejo a morte pra quem filma alguém comendo, ou pior falando e comendo. Diretores de TV e cinema que fazem isso, por mim vossos lugares estão marcados no inferno.

3.       Que sou anarquista demais pra ser Zen. O budismo e o Zen-budismo muito me inspiram. Nas horas de profunda agitação lembro-me de um monge zen respirando, bebendo chá em silencio, olhando o mar. Penso na imagem de Buda, sorrindo. Penso que seria muito feliz se pudesse entender Buda, Dharma etc... Porem lembro-me  que o zen teve de ser o que é, ele enfrentou muitas guerras, fome, frio intenso. A vida do zen é cheia de atribulações e a meditação, a paciência, o kang fu, foram maneira de sobreviver. Eu não passei por isso, não precisei lutar pela casa onde moro, tenho um trabalho que exigem paciência, mas, sem comparações com o do Japão medieval ou da China medieval e moderna. Penso no Zen com respeito, mas não o encontro como tabua de salvação. E é do caráter do meu povo levar tudo em banho-maria, nas coxas, seria difícil um de nos viver a castidade, o total desapego, ser brasileiro é um privilegio e um vício.

4.       Também tenho o vicio de imaginar-me em outras e variadas vidas. Mas, quem não tem? Poderia ser um muçulmano, com uma túnica incrivelmente branca, rezando para Alá, com a cabeça em direção a Meca e ao sol se pondo no deserto. Meu ser acharia em minha tribo e religião a minha identidade. Eu saberia de cor passagens do alcorão, falaria baixo e com a articulação de quem reza, sempre. Seria profundo.

5.       Acho as pessoas feias, mais elegantes que as bonitas. Não a feiura clássica: falta de dentes; verruga no nariz, cabelos desgrenhados... Acho bela aquela feiura de uma Rossy de Palma, de um Bowie, a feiura luxuosa da Amy, magra de sutiã e um rosário ao pescoço. Acho que é mais identificação que propriamente gosto. O feio está mais próximo, é mais humano. Gente feia não surpreende quando estampa o caderno policial, os ônibus lotados, a câmara legislativa é cheia de gente feia. Porque gente bonita só serve pra posar pra foto.

6.       Volto a loucura. E encontro a raiz do medo. Numa tarde de verão o céu, de repente, escurece. Uma tremenda tempestade cai sobre as casas, arranca telhas, enche os rios e quebra galhos nas arvores, que pareciam tão resistentes. Então nós percebemos que a natureza, que nós cerca e também nos forma, é violenta. E deixar o pensamento seguir o curso de uma tempestade, pensar sem barreiras, pensar, por exemplo, em praticar um assassinato em serie ou no que é o Ser no seu interior,  é fazer tempestade na mente. Creio que isso tem um preço, não é possível pensar pra alem do comum e voltar a assistir o comercial da cerveja e rir. Em suma: pensar dionisiacamente (como Nietzsche) é exigir da mente uma capacidade que não sabemos se ela tem. Talvez por isso exista uma fabula de que nós estudantes de filosofia ficamos meio esquisitos.
      Seriam essas as confissões, poucas pra um mundo tão ávido de reality show, mas suficiente pra me tirar o sono. E agora compreendo melhor esse tag, não é que a confissão afaste a insônia, ela é que tira o sono. Sim, confissões só dão sono em padre.

A diferença entre o ser e o devir e a diferença entre o ser e o dever ser.



Pobre do povo que necessita de heróis. (Brecht) e mais pobre ainda aqueles que necessitam de heróis estrangeiros, como foi o caso da estadunidense irmã Dorothy, a freira que morreu por defender o direito dos mais pobres no Brasil, ou seja, uma ruptura com o costume.

Essa mania de eleger um herói, uma figura dotada de diversas qualidades é o que está elevando o ministro Joaquim Barbosa ao status de herói. O ministro é um homem de múltiplas qualidades, e muito virtuoso também, mas ele está onde deve estar e querer eleva-lo á presidência da republica é um erro. Primeiro que na divisão do poder, o executivo não está acima do judiciário, são iguais.

Mas a questão central é a dura constatação que ainda somos um povo pobre politicamente, ainda cremos em heróis. O Sr. Ministro representa no aquele que tem “pulso firme” que manda e não pede. Ou seja, uma resposta forte contra todos os corruptos. Isso porem, é antidemocrático, não precisamos de um valente contra a corrupção e sim de leis e instrumentos eficientes contra ela.

Penso que a inspiração dessas pessoas que desejam o Joaquim Barbosa presidente é a mesma daquelas que votam em seus pastores. Pois enxergam nesses as qualidades de um bom homem: honestidade, compromisso com o povo etc., e num tal modo que lhes parece inerente ao sujeito “esse tem princípios”. Isso não basta para um bom político é necessário ser criativo, audacioso e, sobretudo inteligente. Ou melhor, muito inteligente, às vezes até com uma dose de loucura. E essas qualidades devem ser também característica da população.

O senhor ministro está muito bem onde está e se tirarmos ele da presidência do STJ quem irá ocupar o seu lugar? Provavelmente um burocrata cuspidor de leis... Então depois de, no máximo, oito anos temos uma ex-ministro e ex-presidente desempregado.


Deixemos, por favor, essa menoridade de eleger um como o maior e sejamos nós mesmo a diferença necessária entre o presente e o nosso futuro desejado.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

pouco a pouco


Pouco a pouco. Um João Helio arrastado pelas ruas, uma Isabela precipitando do sexto andar e ano de vida, um bolivianinho Brayan Capcha perdeu o pouco que tinha: moedas e a vida. Pouco a pouco estamos perdendo nossa alma.

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Contra PEC 208 - A redução do numero de parlamentares acarreta uma perda de representatividade. É bom unicamente para os grandes partidos e para o governo. O ônus de ter uma maquina publica cara e ineficiente é culpa de uma soma histórica: povo alienado mais coronelismo. Maquina publica barata “enxuta” é filial pra multinacionais. A mudança não será via cortes e sim ampliação da participação popular. Esse projeto de autoria do dep. Clodoviu prova que conservadorismo independe de orientação sexual.


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Lembrete. Um espelho, que reflete uma janela significou pra você a historia e a mecânica da literatura. Na janela literária passa tudo que passa na real, porem mais bonito, mais conciso e breve. Leve. As direções são contrarias, a literária impõe sua direção, desvia a direção da real. Lembre-se disso quando quiseres passar algo pra literatura, lembre-se principalmente da necessidade de fazer isso.


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Soldados das luzes. Enfileirados. Eu os observo numa perspectiva: fortes, simétricos, imponentes. Colunas que lutam contra o céu (já os chamaram de arranha céus) suas armas são as luzes acessas, imprimindo um mosaico, um brasão. Estão enfileirados na rua da independência. Protegem essa cidade contra o cinza avermelhado de um céu agônico e um mar de solidão.  Pedra sobre pedra.