quinta-feira, 20 de junho de 2013

considerações sobre o brasileiro e o projeto de cura gay.


Brasil: um pais lindo. Um pais tão cheio de contradições e talvez por isso mesmo deseja uma mentalidade única. Não digo que esse povo que aí está, lotando ônibus, seja em si um povo voltado pra soluções totalitárias. Vejo sim que esse povo gosta de assemelhar-se a um “modelo” a um “ideal”, ou seja, é tímido e tem medo de errar. Medo de peidar alto, no elevador. Talvez seja por isso que a diversidade nunca foi o forte no caráter do brasileiro, contrastando com a sua historia e a natureza que o cerca. ZIZEK afirmou que não é o carnaval que lhe da uma identidade desse povo e sim Canudos. “Lá no sertão baiano, uma tribo pensa e age diferente do resto, que faremos? Invadimos, neutralizamos.” Num outro lugar surge uma  pessoa que pensa e se é radical como o Henéias, o que será feito? Logo ele se torna figura, caricatura etc... ou seja, é preso numa cadeia chamada humor. Todas essas reflexões, poderia vir de alguém que não se enquadra, de um “out side” mas, não é, sou um brasileiro comum, tenho orgulho disso tudo, e acho que esses defeitos, ora surgem com mais força, ora com menos, devem ser combatidos. Minha resistência a eles é passiva. Ou seja, até nisso ou brasuca. E todas essas linhas tem como finalidade uma inquietação real: a cura gay. Pra começar seria interessante saber que a tal cura, não é nada mais que uma liberação pra que alguns psicólogos atuem na direção de mudar a orientação sexual de quem quer ser mudado. Ou seja, colocando a questão fora do seu contexto atual, no vácuo, ela é perfeitamente aceitável. Porque quem ser mudado deve ter o direito. O mais interessante talvez seja o porquê quer mudar. Antes porem devemos compreender outro aspecto dessa pratica: adequar-se. O sujeito quer se adaptar a sociedade em que vive. Se ela é majoritariamente hetero ele vai procurar essa orientação. Mas... e a sociedade, suas leis e normas, não deveria se pautar (adaptar-se ao) pelo bom senso? E o que diz a ciência, o senso comum, a historia sobre a homossexualidade? De modo geral a ciência afirma que ela é mais um traço do universo sexual humano, o senso comum sempre conviveu com ela, dando lhe nomes pejorativos e discriminatórios sim, mas ainda não quis livrar-se totalmente dela como o faz com o incesto por exemplo. E a historia sempre afirmou existir homos e lesbicas, em diferentes culturas. Apenas a norma, religiosa ou jurídica, na frieza da sua generalidade e das suas letras sem sangue, condena ojeriza e não raro mata. Esse mundo positivo das leis não foi feito para pessoas e sim pra deuses ou robôs. E o Brasil é prova disso. Aqui tem lei que pega e outras não. Mas nossas autoridades, incluído aqueles que invadiram canudos, querem ser a copia fiel do “correto” querem fazer do povo o espelho da lei. ( o contrario também seria ruim, a práxis o melhor). Voltando as questões do porquê o sujeito homossexual desejaria tornar-se heterossexual: pra sofrer menos preconceito, para não envergonhar os pais, pra fazer parte do todo, etc...Ou seja, preconceito, vergonha, participação (tolerância) esses conceitos sim que precisam ser revistos, ampliados e ou eliminados. Porque um povo deve aprender a se gostar. Nossos antepassados tiveram de “abrir maõ” dos privilégios de ser branco numa sociedade escravocrata-racial, igualaram-se em direitos (todos são iguais perante a lei) e viram que era bom. Depois tiveram de aceitar os refugiados, naturalizando-os. A única coisa que se recusa a mudar, num mundo onde a mudança é a lei, é a religião. Deus é eterno e imutável.  Assim como aquele desejo intimo de que as coisas não mudem, assim como aquele desejo escondido de querer ser jovem e forte ao mesmo tempo o tempo todo, assim como o desejo primário de ficar no útero, ou na cama nos dias de chuva.... sim, eu sou um calhorda, porque vejo a religião e Deus de modo psicológico e banal. Mas, amigos, convenhamos que um Deus eternamente preso na cruz não é senão uma imagem empoeirada. Se Deus Criador faz o mundo e o coloca em movimento, esse mesmo Deus também se movimenta. Então deixe o dogmatismo e a inércia pra o Diabo, e seu eterno recalque. Creio num Deus que dança.


Essas considerações são parte de um testamento. Um relato breve de alguém que viveu e viu. Que, estando sob forte ventania e tempestade em noites escuras teve tempo de perceber que haveria um Sol, tinha de haver um sol.   

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