sexta-feira, 12 de abril de 2013

sem tempo....quem nunca?


Um tantinho só de imortalidade não faria mal. Juro que não a usaria para tripudiar da vida, nem pra me igualar aos deuses. Na verdade nada do que sou ou faço mudaria, estaria apenas mais tranquilo, sem aquele sentimento que tudo passa, e passa e passa e que o devir é regra, que eu e você amanha já seremos outro. Um pouco de tempo sem-tempo, pra não ser o  ser-em-transformação. O tempo, aquele mesmo que comia a Mosé (por trás) também anda me encurralando. Não estou confortável. Ei! Tempo, dá-me um tempo. Um Oasis cronológico pra pensar o devir, que dentro dele nem Heráclito, o obscuro se satisfaz.

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ão anda me encurralando. nmia a Mose sem-tempo, pra ser sem ser-em-transformaçele sentimento que tudo passa, que o devir Essas palavras são tal e qual escritos de um naufrago. Testemunho de que, aqui longe, havia alguém, sentimentos e esperanças, e que esses sentimentos e esperanças eram a herança de uma civilização, herança de uma família e de um ponto de vista que a solidão e aridez foram destruindo, restou....
Um homem qualquer, inteligente e até culto, solto (nunca livre) entre outros quaisquer.  Percebendo que sua vida não passava de uma repetição inútil decide morrer. Não é e nem nunca será um suicida, ele não tem motivos pra morrer, assim como também não os tem pra viver, sua decisão e racional, lógica. Para explicar melhor, num idioma que todos conhecem, ele decidiu morrer porque seus ganhos, não superavam as perdas, viver era caro. Ele vai planejar sua morte assim como alguém planeja uma viagem, ou seja, ira pra um lugar que não conhece, mas, assim mesmo deve definir como, quando e como deixa o que fica por aqui.
Ele procura um amigo e explana sua empresa. O amigo horroriza-se, recomenda-lhe psicólogo, remédios, igreja.
Decide sozinho planejar sua morte. E descobre que nem culturalmente, nem antropologicamente um homem é capas de pensar sua morte. Nem mesmo um médico, que vê a finitude do corpo todos os dias, é capaz de pensar a morte. Antes, o medico diria: falecimento. Os órgãos, separados, já não operam e isso faz do todo um morto.  O homem faz parte da natureza, a natureza desconhece a morte.
Tudo se transforma, não morre.
Ou
O ser humano, ser mais próximo do Ser, que a natureza. Vê alem de seus limites próprios, vê que pensa, e reconhece as fronteiras do pensar. Pensa sobre a morte, percebe que ele é o fim da sua individualidade, um fim bastante confortável. Mas, é incapaz de observa-la sem horror, nojo e repulsa. E por que?
?
Hipótese: somos dotado de um natural horror ao não-ser, porque somos em ultima instancia parte do Ser, e o ser nunca quer transmutar-se em não-ser.  Isso se mostra claro também na vida cotidiana, odiamos o erro, o engano, o congestionamento. Porque tudo isso não faz parte de uma narrativa retilínea, racional que criamos para a vida. Não é parte do logos. É parte do erro.  É em parte do não ser, a imagem falsa do mundo, da opinião.  E cada célula do corpo, e do ser, carrega o ímpeto de continuar sendo, então, até mesmo o mais racional dos seres está impedido de pensar o seu contrario.
Hipótese:  Seria a natureza sempre proporcional, ou seja, sempre buscando simetria e portanto pensar a morte só seria possível se fosse na mesma medida que se pensa o seu contrario: a vida, sendo necessário muitíssima energia para tal, e portanto impossivel para qualquer mortal.  
Hipótese: nossa vida gira em torno do desejo, a morte não é desejável e nem deseja algo. É-nos impossível pensar fora do desejo e portanto é impossível pensar a morte.  

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