sexta-feira, 15 de março de 2013

crepusculos


Todos os homens, 
Que são homens.
Um dia apontam uma arma para o próprio peito...
...que é aonde guardam os amores, saudades, palavras,
e aquelas outras palavras-não-ditas, silenciadas.
...que é onde calcificaram os sonhos, 
cristalizam a alegria e petrificam a fé.
...quer velho, vivo ou agonizante, ou boa-praça.
Eles acertam o alvo, que é definitivo.
Todos os homens um dia estouram.

para Hemingway e Vargas.

......

Ao forte confiança, ao tolo esperança.
Se tirar as duas dos dois, ambos 
Clamarão por tolerância.

....

Estamos pessimamente confortáveis:
O sonho acabou.
A realidade é muito real, até parece ilusão. 
É possível comer comida chinesa em qualquer esquina. 
E a própria china, também não passa fome. 
A musica embala nossos quadris e a puta até dá pra pagar...
A policia não entra em casa, o bandido só às vezes, a TV é uma graça. 
Só não temos paz, porque também não temos força pra guerra. 
Por quê? Tiraram algo precioso, essencial e necessário, levaram-no e dele não temos mais nada, nem a palavra que o nominava, ficou apenas o vazio e os pequenos pacos sinônimos “precioso, essencial, necessário”, “era algo precioso” “era...”.

....

Meu coração sangra numa mesa de bar, entre bitucas de cigarro e cerveja derramada. Nesse bar da vida, mal frequentado, escuro e com um péssimo crooner que canta o mal do amor em voz rouca. Ele só sangra por falta da sua razão, da “luz dos olhos seus”, ele sangra de clichês como um romance melodramático. Ele tem sangue pra mais duas garrafas e depois ou você o salva ou ele se afoga nessa poça vermelha, coagulada na “falta que você me faz”.

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