sábado, 30 de março de 2013

n'if



1 achou um verme na salada.
2 achou a picanha mal passada
3 não achou nada
4 não foi, acha 2 chato
5 não interessa á ninguém
6 é desinteressante também.

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Alguém achar coisas podres na comida virou noticia. Alguém comer lixo por falta de comida já não é mais. Meu desprezo para as pessoas que vinculam essas “notas”: que tenho eu com isso? Isso é tudo que aconteceu na vida desse infeliz? Isso é defesa do consumidor, ou defesa de um modo consumista, vazio, calórico?
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Receita:
1 lata de coca-cola light
2. isqueiro
3. crack a gosto.
Queimar as pedras (fogo brando) aspirando a fumaça.
Então essa substancia ira mascarar a sua realidade. Separando o seu interior do se exterior. A dura realidade porem continuará existindo. E, cara, sinceramente, nem é tão dura assim: a realidade está mais para um emaranhado de equações matemáticas cujo “x” é sua atitude perante ela. Quanto mais medo do real você tiver, mais terrível será a realidade. Quanto mais coragem tiver, para encarar a realidade de frente mais fácil ela será.  A vida é um jogo. E por falar em jogo, que tal jogar “cinco pedrinhas” com essas pedrinhas que tem na mão? Perceba: no começo as pedras vão cair e você perde. Depois irá conseguir controlar melhor. E por fim, atingirá a perfeição. Viver é isso.
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Uma espécie rara essa de Caim, que mata sem rancor, que mata por inveja, ódio e outros sentimentos humanos. Não raro é a de Abel, pobre coitado, vitimado por amar demais, inocente. Cristão sem Jesus. O pecado e a podridão agora andam de joelhos, mãos para o alto e olhos marejados. Cadê Caim?



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Ouve: há, haverá.

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n'if

Estrela do mar
Estrela do ar
Brilhar
Nadar
Azular a noite
boiar no azul.
Um cortejo de cavalos marinhos, um desfile água- militar
Um grande cavalo, os astros cavalgar
Infinito céu.
Infinito céu-mar.

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Jean Wilham e o analfabetismo político.
Escrevo esse texto imaginando que você, caro leitor imaginário, saiba quem é Jean Wilham, que o agora deputado é defensor das causas lgbt e também participou do BBB em edições anteriores.  Imagino também que você saiba que para ser eleito como deputado e eleito, com voto popular, vencedor do BBB esse cara só pode ser um discurso que agrade as massas, ou seja, discurso coxinha voltado para a direitinha com pitadas de progressista. Então é absolutamente falsa a noticia que esse cara defende coisas antipopulares como a pedofilia, ele jamais defenderia algo assim, ainda mais numa emissora tão grande como a CBN, da globo alias. Mas, o que chama de fato a atenção é que esse cara, com o seu discurso coxinha, comum a todos parlamentares (menos os velhos direitões, esse podem ser radicais) tenha que vir a publico desmentir essa calunia. Que publico burro é esse que é capaz de crer nessas bobagens?
Porem... estamos falando de política, de politicagem, uma área onde vale tudo para promover um de derrubar o mesmo se assim for conveniente. Se estivéssemos numa ditadura como a de Fidel, Jean não teria o direito de se defender. Se tivesse numa ditadura como de franco, esse mesmo deputado iria pra cadeia. O que acontece hoje no nosso país, essa curva acentuada pra o conservadorismo parece ser inofensiva, mas ela é a semente pra um engessamento político pior que o dos tempos da ditadura.

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Coberto pelo manto de uma noite fria, com saudades, medos e desejos, me lanço rumo ao bom e velho enigma dessa, que é minha, cidade. Frio: chove, está frio, as pessoas usam roupas escuras, o vidro do ônibus está suado. Ainda assim não compartilhamos, cada um vive o tempo ao seu tempo, cada um dos torturados pelo vento recolhe-se na carapuça e reclama apenas com sua própria consciência. Noite: que guarda os silêncios, os assaltantes, tarados, mortos e mendigos, o crack. Noite que ninguém viu como veio, que nem se esperava tão densa. Toma a cidade pra si num abraço de tamanduá, ninguém sobrevive. Agua: cai do céu num bale guaírico, leve e brando, “chuva de molhar bobo” duplica as luzes, torna escorregadia a calçada. Ethos etilico: vou mais uma vez beber o quanto o estomago e o bolso aguentar, mergulhar minhas memorias todas em copos de cerveja vodca gim vou encontrar o sabor supremo de imaginar-me acompanhado dos antigos e preciosos amores. Amor: a única coisa digna de se viver. A! a noite, revela-se com seus vícios, eu estrangeiro mais que habituado e esse espetáculo cruel, de minhas falsas amizades, de meu verdadeiros desprezos. Eu beijo essa boca de mal hálito. E finda o passeio e um amigo morreu. Trabalhava num bar que eu frequentei, era alegre de riso aberto, era triste de alma, assim como as melhores pessoas que conheço, era Sergio. Não é mais.

. . .
E... e coming
Voa...
nada além de pássaro;
não... senão pássaro.

breve pardal;
lépido sabiá
vem, com
delicadeza,
fura-me os olhos
e voa.

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Proibiram a rima.
Imagina!
Igual pão sem margarina.
Sol sem céu em cima.
Dedinho sem dá na quina.
Como cocô.
                Oco.
                Cai solto
                Partiu.
E nem um assobio.

sábado, 16 de março de 2013


Tudo

Tudo pode

Tudo pode ser

Tudo pode ser dito

Tudo pode ser Palavra!

Tudo é ser - ser é palavra

(se por hora me calo, se tenho essa nódoa presa, se minha voz es...mo...re...ce. e se é só murmúrio esse som... Cale-se.Ouça! Meu tempo virá, o vento há de virar, a tempestade e o grito hão de rebentar minha e tua pele.

 Arrependa!)

Tudo é palavra, tudo é palavra. Eu terei meu nome!

sexta-feira, 15 de março de 2013

crepusculos


Todos os homens, 
Que são homens.
Um dia apontam uma arma para o próprio peito...
...que é aonde guardam os amores, saudades, palavras,
e aquelas outras palavras-não-ditas, silenciadas.
...que é onde calcificaram os sonhos, 
cristalizam a alegria e petrificam a fé.
...quer velho, vivo ou agonizante, ou boa-praça.
Eles acertam o alvo, que é definitivo.
Todos os homens um dia estouram.

para Hemingway e Vargas.

......

Ao forte confiança, ao tolo esperança.
Se tirar as duas dos dois, ambos 
Clamarão por tolerância.

....

Estamos pessimamente confortáveis:
O sonho acabou.
A realidade é muito real, até parece ilusão. 
É possível comer comida chinesa em qualquer esquina. 
E a própria china, também não passa fome. 
A musica embala nossos quadris e a puta até dá pra pagar...
A policia não entra em casa, o bandido só às vezes, a TV é uma graça. 
Só não temos paz, porque também não temos força pra guerra. 
Por quê? Tiraram algo precioso, essencial e necessário, levaram-no e dele não temos mais nada, nem a palavra que o nominava, ficou apenas o vazio e os pequenos pacos sinônimos “precioso, essencial, necessário”, “era algo precioso” “era...”.

....

Meu coração sangra numa mesa de bar, entre bitucas de cigarro e cerveja derramada. Nesse bar da vida, mal frequentado, escuro e com um péssimo crooner que canta o mal do amor em voz rouca. Ele só sangra por falta da sua razão, da “luz dos olhos seus”, ele sangra de clichês como um romance melodramático. Ele tem sangue pra mais duas garrafas e depois ou você o salva ou ele se afoga nessa poça vermelha, coagulada na “falta que você me faz”.