terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

mas&porem


Mas... a vida não foi criada pra que racionalizamos sobre ela, racionalizamos sobre os conceitos que criamos, sobre a natureza, os fatos históricos, etc.. a natureza, no entanto, tal qual o universo cintila ignorando-nos. E por isso as vezes só posso parar e assistir a tudo, sem saber o que fazer em relação a tudo isso. Oxalá que o mundo tivesse uma chave. Ou pelo menos, um porta trancada. É o oposto, o mundo nos desafia em confunde porque não tem portas fechadas, não tem fora e dentro ou certos e errados.  Ele nos desafia á luz do sol de meio dia, é tão real que parece ilusão. Sempre haverá um paradoxo, algo como uma esquina no infinito, o tempo impalpável que nos leva e nos escapa. Não escapamos do tempo, ele nós escapa. Acordar sentido-se velho e saudosista é ser velho e saudosista, mas, com um toque de razão, - que ainda que não nos convença, acalma – sentimos o tempo infinitamente maior que esse, e nostalgicamente habitamos as lembranças, dai o dia vem, e nesse passado e presente vivemos.
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Sobre esse tal presente – de amigo oculto, alias – cabe uma pergunta: porque nunca puro? Porque é impossível viver o tal presente sem estar carregado de passado. Mas, ainda saber o tal passado, que integra-se puro ao presente, foi também um presente e tal qual o presente presente foi encharcado de outro passado. E... com a licença poética por que não pensar o mesmo a respeito do futuro, não seria ele, apenas uma ilusão dos sentidos, um epifenomeno da mente versus realidade? Sendo, portanto, tão presente quanto o presente, e tão impuro quando os outros dois. De modo que na vivencia nem passado nem futuro apenas um grande e indivisível presente, com relâmpagos de passado e futuro a todo instantes. Ou será, uma absoluta ausência de tempo que constantemente é assombrada por fantasmas da memória e imagens do futuro que, por assepsia, a mente insiste em deletar?
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Hoje li algo sobre dramatização, em duas linhas todo o desafio que sempre enfrentei, traduzir para coisas objetivas ideias abstratas. Para 1. Compreender o meu mundo, 2. Me salvar da loucura das abstrações 3. Fazer arte, só pelo gosta da arte 4. Enriquecer, de dinheiro e de ideias. Mas veja: um homem com um livro á mão. É apenas um homem, lendo palavras de um outro homem com os limites inerentes aos homens e as palavras. Um homem com um livro na mão está descobrindo que um homem com um livro na mão perde tempo. Um homem que acabou de descobrir o que já deveria saber, um homem que acabou de descobrir que não deveria estar ali, e sim em outra parte, fazendo outra coisa. Um ser que vê no não-ser sua essência. Um ser que escapou da essência e sucumbiu no tempo. O grande absurdo é responder, o que faz esse homem continuar sua quase-vida? Porque ainda não se matou? O quanto desse quase ainda é algo que vale?
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É bíblico: os mortos ressuscitaram. É fato: as tumbas são objeto da vaidade humana. É verdade: nada mais humano que a vaidade pura. E que será daquele monumento, tão visitado e aplaudido, cujas flores nunca murcham. Quem há de voltar e abdicar o direito a ser o tal soldado desconhecido, dono da mais bela tumba. Ou, a morte fará dos homens, irmãos e solidários que abdicaram da exclusividade assumindo em conjunto de milhares as ditas honras. Que me parecem ser tal como o alimento, quanto mais gente a mesa menos satisfatório. Algo me diz que o tumulo do soldado desconhecido ficara sem dono. Ainda que seja tão imponente. O todo (os soldados) não se reconhece na parte ( da honra). Uma coisa só é igual a si mesmo e não a partes de si.
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Tenho a mais pura e alegre ignorância a respeito da blogueira cubana, sei apenas que ao que parece tem um blog e critica seu pais. E é muito corajosa. Algo que até são Kant apoia pelo direito a critica. Mas, o Brasil não é terra de chá e palavras finas. Recepcionou a moça com cartazes a acusando de querer coisas que eles já tem. Mas, essa blogueira parece querer liberdade de expressão. Então, a coisa é mais complicada que supunha, será que se Gramsci lutasse por liberdade de expressão ele seria ainda melhor? Será que se Fernando pessoa não encontrasse obstáculos na sua liberdade de expressão, ele seria ainda melhor. Ter liberdade pra se expressar não me parece mais importante do que capacidade de pensamento e isso não há, ainda, país algum que proíba.  Esse blog que escrevo, nunca sofreu nenhuma limitação, nem por isso ele é livre, é preso a limitação intelectual do seu autor e também dos seus leitores. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

qartas


Um atacante se prepara para bater o pênalti. Centenas de pessoas na arquibancada, concentradas como se elas próprias participassem, ativamente do ato com suas energias positivas. Esse espetáculo dura três segundos. O gooooooooll ou o praaaaa foooooooora finaliza uma ação que parece ser coletiva. Mas, o que é essa tal de energia positiva? Se centenas de pessoas são capazes de interferir no curso da bola, apenas com suas energias positivas como seria se fossem bilhões? E se esses bilhões torcessem não por três segundos, mas por séculos. Pois há bilhões de pessoas a séculos torcendo com toda força e fé para que algum, alguém encontre uma solução definitiva para algo como o câncer, ou a AIDS e sabe o que acontece? Nada.
Existe em todos nós uma essência do lúdico, um lado jogador que alguém já chamou de “homo ludicus”. Essa esfera da vida é o que dá graça e emoção a tantas coisas como jogos, apostas, adivinhações. O problema é quando essa esfera Ludicus atinge peso maior que outras como a Sapiens. E tudo vira jogo, a religião, a pátria, a região, e surgem coisas como “o sul é meu pais”, ou “Jesus te ama” ou “ame-o ou deixe-o”, “homem mais mulher igual a família”. Ou seja, nós contra eles.
Estou de minha parte, torcendo e enviando energias positivas para que nos novos tempos haja mais espaço para o sapiens. Ou... a trasvaloração de tudo em vida, arte.  E então a consciência de que câncer, AIDS, hemorroidas não tem cura. Mas guerra, medo e preconceito têm.
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Eles eram pequenos. Não eram anões. Eram achatados, chatos pela moral, pelo certo contra o errado, pelo fashion. Eram limitados pela imposição do papa, do pastor, do colunista social, do cantor de sucesso.  A arte desses chatos era a glorificação do tédio e da mesmise como transcendência. Seu deus e ou deuses havia, necessariamente de ter sofrido (sempre no passado). Não compreendiam ironia. Só riam aos sábados. Mas, e mais, eles tinham corpo, sexo pêlos sangue muco suor saliva tesão e era aí, bem no meio do cu que a verdade iria nascer. E apartir dai que tudo teria de fazer sentido. A dor dos outros era traduzida. Louvado seja o corpo. Louvado o sangue. A ultima saída. E, crendo no corpo, serão grandes.

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É conhecido o fato de que Strauss visitando uma aldeia indígena escrevia num bloco e um índio achando a cena engraçada imitou-o. O índio não sabia escrever, nem tinha necessidade disso. Eu sou esse índio. Eu imito a vida da Janis Joplin para não viver o marasmo da minha, eu bebo porque Fernando Pessoa e Leminski bebiam. As vezes me tenho pena, as vezes me amo e tenho duvidas da veracidade de meu auto-amor.  As vezes sou Stauss e o índio ao mesmo tempo, vivo e assisto minha vida, anotando-a como um fato curioso que pode fazer ou não parte do costume local, experimentando ser eu. As vezes sou apenas Stauss, vendo e deixando o índio morrer a míngua apenas porque não me compete salvar ninguém. Nem a mim, nem a nada.
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Quem disse que não tem como viver sem amor? Quem foi que disse que toda panela precisa de tampa? Quem falou que tudo fica melhor com um sorriso, um carinho, um olhar cúmplice? Um toque improvável. Aquela lembrança persistente, que “me liga” é quase um pedido de socorro. Uma mensagem, sms, e... olá a tecnologia serve pra alguma coisa! E finalmente é possível compreender de que Vinicius de Morais estava falando. É possível ver a vida, com cores novas. Ainda que tarde. Ainda que por um instante. Quem disse?
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Puxei uma camiseta da pilha e vieram todas abaixo. Puxei conversa com um estranho e ele acabou me contando toda a sua vida. Puxei a campainha do ônibus e todos desceram. Puxei a porta e a casa toda se abriu. Puxei a descarga e toda minha obra foi embora.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

buceta


Era uma vez uma Buceta, Era bela, porem ... - deixemos os porem para o segundo parágrafo – a buceta era namorada de um caralho e amiga bem próxima de um cu. Essencialmente não diferenciava de outras tantas, mas essa porem...
Era uma vez uma buceta, que apesar do nome carnoso e sonoramente úmido não exista no mundo, era uma buceta textual, suas finalidades todas se encerravam no mundo imaterial da literatura. Se a buceta estivesse no titulo, sua função era, evidentemente, repelir leitores como as madames do Batel, as beatas da nossa senhora da luz e outros tipos comuns que não gostam da buceta. No subtítulo seu intento era afastar doutores, mestres e pos-doc em qualquer coisa que não fosse o simples prazer da palavra. Assim, buceta, no meio de uma frase qualquer ela poderia até estimular a leitura de um punheteiro qualquer, mas, assim: biceta buceta buceta e buceta ritmando no contratempo de uma bronha, ela vinha mesmo era atrapalhar qualquer tesão.
A buceta, no fundo do seu ser, imaterial, textual, só-palavra sem coisa era uma buceta que não coisava. Seu reino era aquele das palavras trancadas do lado de fora do fundo, como: liberdade, nunca, ife. O sabor da buceta está reservado aqueles que vivem fora do real, que se perdem em labirintos literários, cuja existência se limita ao final de cada livro, ao sonho de cada poeta ao som da palavra. A buceta é tão haicai quanto um sapinho pulado na água.