terça-feira, 8 de janeiro de 2013

caderno de exercícios


http://desenhandodesenhos.blogspot.com.br/2011/01/desenhando-asas.html



Eu sou um anjo.
Rosto branco, olhos puros, asas de leve plumagem.
Cabelos encaracolados, voz de mansa tempestade.
Trago nas mãos papel e tinta para seu bilhete suicida.
Fui eu, alias que o entreguei a Kurt, Hemingway, Gogh.
Não tenha medo, completa a frase, o ponto final.
O agradecimento, a assinatura o fim.
De todos os beijos de boa noite, mesmo o de tua mãe.
o meu beijo é o melhor, meu boa noite é sincero.
o de mãezinha, também o era, mas sem saber o que era “noite”.
Feche seus olhos, serre os dentes, e não olhe.
a!
Ilusão? Falta-lhe o tato, a dor da...não era dor
O piano da vó, o som do vento ou verde da arvore.
Um novo plano? Há tempo? Que seja cedo, ou tarde?
Água, terra, fogo, ar.
Você é feito de elementos, assuma. Dispa-se da ilusão.
Deixei por aqui sua memória, seu desejo, sua unidade.
Aqui é todos e nenhum. Aqui é Alfa Omega ambos
Seu ato desprezível, sua vida fugaz, seus sentimentos? Nada.
Nada é nada. Tudo é devir.
Venha.

             *

Caríssima, com suas vênias, declino de nossa partida. Passam-me no espírito todos os momentos a que fui ligado a essa terra por laços maternais. E o respeito às tradições, as noites de verão, os jogos que inventaram a humanidade, contraem-me obrigações para com esse lugar. O sexo mal gozado nas pernas das putas.  Até o fim do mundo, aqui é melhor.

           *

Inventaram a forma perfeita de amor. Coletivo, junto e ao mesmo tempo. Gozamos de um tesão coletivo, frenesi que transporta-nos para alem de nos. Num reino de bocas, carnes, cheiros, sexos, suores, cores variadas e mil raças. Gosto de gente sobre terra fresca, gosto de vida sobre mundos mortos. E ainda gozo de vida, vida ao gozo.

            *

Olha a estação! Olha as pessoas as casas, olha! Tem arvores coloridas, tem flores, tem gente com flores nas mãos, é para nós? Claro! São para você querido. São nossos amigos? Sim! Nossos amigos. Ei! Veja! Tem churros! Vamos comer? Claro. Se aqui tiver rio, eu queria comprar um peixe, e depois deixa-lo nas águas do rio, para ele se sentir livre, porque peixes tem apena cinco segundo de memória e então ele teria cinco segundos para se sentir totalmente livre, você já pensou nisso? Em que? Cinco segundos de liberdade, livre por de tudo por cinco infinitos segundo, não é de dar muita inveja? Porque? Porque quando eu vi a estação, ainda dentro do trem achei que aqui seriamos felizes, e livres, mas não durou cinco segundos para perceber, aqui é igual o mundo é tudo igual. Querido, coma seu churros, não há mais mistério no mundo que um churros. A vida e o seu fim, a dança do destino a nossa volta, a mudança de estação. Tudo não deixa rastro mas o churros, esse vai deixar um rastinho de açúcar bem aqui, peguei! A! era meu, a boca é minha, o rastinho de açúcar era meu. Mas, sorte da próxima vez.

          *

exercícios sob o som de Pink Floyd 



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