domingo, 27 de janeiro de 2013

conversas


A: eu
B: amiga cujo nome melhor não citar.

    *
B: sabe que tem mulher que não se masturba?
A: sim, mas você costuma se masturbar com frequência?
B: ah! Sempre que dá!
A: e usa algo, tipo..
B: vibrador? Não! Tenho nojo. Uso a privada.
A: como! A privada?
B: é...hehhe quando conto ninguém entende.
A: mas, você conta pra outras pessoas?
B: sim, mas ninguém entende. Nem minha mãe entende.
A:...

   *

A: você terminou com o namorado?
B: sim, ele fazia tudo que eu queria... não quero alguém assim.  Sabe?
A: não.

   *

A: você mora junto com um cara? São namorados.
B: não, ele é gay!
A: um... mas essa convivência tão próxima...
B: não ele é gay mesmo, se eu me jogar pelada na cama dele, ele vai me mandar sair...hehe
A: haha! Mas isso nunca aconteceu, não é?
B: na verdade já. Ele me mandou sair.

    *

B: achei que esse era o cara certo, ai até entregar minha virgindade do cu pra ele...
A: puxa...e agora?
B: já era... ele e o last cabaço.
    

sábado, 26 de janeiro de 2013

sal x las ( no qual o s representaria altura a comprimento l largura e x a referencia ao observador que por sua vez tem l largura a comprimento e s auturia)





 Inspiração: eu era apenas um pintor recém saído da faculdades de artes. Saíram comigo na verdade, meu senso estético era aviltante para aqueles burocratas. Mas, eu estava numa pré-seleção para expor no principal salão de “novíssimos” do estado. Eu estava no caminho certo. De minha parte só precisava ser genial, ouvir o que o mundo me sugeria como ensejo artístico, mastigar essas influencias com o meu toque pessoal e cuspir, defecar e urinar arte contemporânea. Foi assim que criei Sal x las um composição aos moldes redy made, com um toque de arte popular e grafismos: tampa de caixa de isopor, de um metro por sessenta centímetros e fita crepe.
  Configuração: o salão estava cheio de lixo, e de artistas. A única obra que dialogava diretamente com a cidade era Sal x las, e novamente fui desdenhado colocando-me num canto escuro e não ventilado, próximo, e eu diria “próximo demais” dos novíssimos conformadíssimos artistas egressos da faculdade “formadora” ou “deformadora”, como queiram. Não! Isso era demais. Fiz o que qualquer pessoa com brios faria. Numa tarde chuvosa entrei por uma porta lateral do museu, dotado de uma pasta grande. Olhei para minha obra e só tive um pensamento: vou salvá-la.
Complementação: a delegacia era fria, mal iluminada e cheia de papeis pregados na parede. Esses papeis foram envelhecendo, umedecendo. Eu, de pijamas, relatei aos policiais que vira um homem, com mais ou menos minha idade e minha altura, saindo do prédio do museu numa atitude suspeita. O retrato falado foi feito, disse que os olhos eram da mesma cor que os meus e pelas roupas ele parecia artista. Não era feio. Nota que o retratista estranhou.
 Finalização: Nas entrevistas chorei pedindo mais respeito às artes e a cultura do país. Por carta nos jornais implorei ao deplorável ladrão que devolvesse a obra, ainda que em retalhos. Ao menos assim ficaria provada que a causa do roubo fora a inveja. Rasguei, aos prantos a minha própria tela, e enviei para o meu próprio endereço. Recebi o pacote e quase tive um enfarte. A minha obra em retalhos numa caixa de papelão. Chorei dias e noites! Uma obra prima! Uma obra prima!   

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

caderno de exercícios


http://desenhandodesenhos.blogspot.com.br/2011/01/desenhando-asas.html



Eu sou um anjo.
Rosto branco, olhos puros, asas de leve plumagem.
Cabelos encaracolados, voz de mansa tempestade.
Trago nas mãos papel e tinta para seu bilhete suicida.
Fui eu, alias que o entreguei a Kurt, Hemingway, Gogh.
Não tenha medo, completa a frase, o ponto final.
O agradecimento, a assinatura o fim.
De todos os beijos de boa noite, mesmo o de tua mãe.
o meu beijo é o melhor, meu boa noite é sincero.
o de mãezinha, também o era, mas sem saber o que era “noite”.
Feche seus olhos, serre os dentes, e não olhe.
a!
Ilusão? Falta-lhe o tato, a dor da...não era dor
O piano da vó, o som do vento ou verde da arvore.
Um novo plano? Há tempo? Que seja cedo, ou tarde?
Água, terra, fogo, ar.
Você é feito de elementos, assuma. Dispa-se da ilusão.
Deixei por aqui sua memória, seu desejo, sua unidade.
Aqui é todos e nenhum. Aqui é Alfa Omega ambos
Seu ato desprezível, sua vida fugaz, seus sentimentos? Nada.
Nada é nada. Tudo é devir.
Venha.

             *

Caríssima, com suas vênias, declino de nossa partida. Passam-me no espírito todos os momentos a que fui ligado a essa terra por laços maternais. E o respeito às tradições, as noites de verão, os jogos que inventaram a humanidade, contraem-me obrigações para com esse lugar. O sexo mal gozado nas pernas das putas.  Até o fim do mundo, aqui é melhor.

           *

Inventaram a forma perfeita de amor. Coletivo, junto e ao mesmo tempo. Gozamos de um tesão coletivo, frenesi que transporta-nos para alem de nos. Num reino de bocas, carnes, cheiros, sexos, suores, cores variadas e mil raças. Gosto de gente sobre terra fresca, gosto de vida sobre mundos mortos. E ainda gozo de vida, vida ao gozo.

            *

Olha a estação! Olha as pessoas as casas, olha! Tem arvores coloridas, tem flores, tem gente com flores nas mãos, é para nós? Claro! São para você querido. São nossos amigos? Sim! Nossos amigos. Ei! Veja! Tem churros! Vamos comer? Claro. Se aqui tiver rio, eu queria comprar um peixe, e depois deixa-lo nas águas do rio, para ele se sentir livre, porque peixes tem apena cinco segundo de memória e então ele teria cinco segundos para se sentir totalmente livre, você já pensou nisso? Em que? Cinco segundos de liberdade, livre por de tudo por cinco infinitos segundo, não é de dar muita inveja? Porque? Porque quando eu vi a estação, ainda dentro do trem achei que aqui seriamos felizes, e livres, mas não durou cinco segundos para perceber, aqui é igual o mundo é tudo igual. Querido, coma seu churros, não há mais mistério no mundo que um churros. A vida e o seu fim, a dança do destino a nossa volta, a mudança de estação. Tudo não deixa rastro mas o churros, esse vai deixar um rastinho de açúcar bem aqui, peguei! A! era meu, a boca é minha, o rastinho de açúcar era meu. Mas, sorte da próxima vez.

          *

exercícios sob o som de Pink Floyd 



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

R.Cruz





o ato confessional na obra de Raul Cruz -  a dor virando testamento, como um sinal de alerta contra a solidão endêmica dessa cidade, o cinza entrando no corpo. O sangue saindo e coagulando nas mãos, provando que havia vida, só você não viu. O ultimo olhar do visitante que, você sonhava, era pra ficar. A santa, nossa, mas, tão sua. Igualmente estigmatizada, sem falar em todos os outros santos, e nem tão santos assim, mas ainda elevados para essa condição, pelo desejo. Que de modo geral é a moeda de troca pra qualquer espécie de vida, quando ele acaba, acaba.