terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano novo e meio brinde a solidão.


Caíram-me lagrimas quando o relógio deixo-se mover tão facilmente, ignorando que meus sonhos pediam mais tempo, minhas lembranças ainda carecem de momentos, e que eu não estou pronto. Mas novamente ele vai e leva-me. Sabe-se lá pra onde. Espero que sejam para o mais próximo abraço e que seja o seu.  

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Que tanto faz acompanhado pelo amor de toda a vida, ou só, olhando os fogos que enfeitaram o céu. Em mim cabem muitos sonhos, muitas vozes e canções antigas. Eu por mim mesmo me acompanho mais nessa empreita, nesse ano que já passa. E passa-me, olhando o céu, a imagem que numa escala planetária estamos face a face. Essa distancia é um ponto de vista. Não é?

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A quem necessita de esperança – saibamos que todos esses fogos não são mais que mensagens de força, de beleza, gratidão, sinais de fumaça e barulho pra que os concidadãos vibrem juntos. Que por mais que nada restou das manifestações, quando foi de ponta a ponta o Brasil saiu em passeatas ao mesmo tempo? Estamos juntos. E que por mais que a perfídia nos governe, nós estamos aqui, essa é nossa vez, ou não é? 

domingo, 22 de dezembro de 2013

onze de onze

       Dispenso “feliz natal” e presentes. Não tenho religião alguma e não preciso de mais meias e cuecas. E a intenção dessa dispensa não é de modo algum uma provocação contra aqueles que precisam disso. Ao contrario é para mostrar a diversidade existente no mundo que as religiões, me parece, não gostam de ver. Nem todos tem sentimentos pela natividade de Cristo ou de Maomé, ou sei lá que salvador. Penso nisso enquanto olho pra duas gravuras que tenho na parece retratando Jesus. Vejo como ele é um ícone usado pela arte, pela teologia e outras ciências de diferentes modos e todos intencionais. A atual teologia da prosperidade com certeza é uma das fazes mais chatas do cristianismo. “Deus existe por que eu tenho um carro”, “Cristo me salvou de um desastre” e outras sentenças demasiadamente humanas. Tenho pra mim que isso não é tão distante assim do próprio Cristo da bíblia, se procurar nos seus livros encontramos esse mesmo discurso salvacionista e popularesco. Populista como é os seus seguidores mais barulhentos. Eu dispenso. Fico com meu silencio ateu. Como alias me parece ser o silencio da natureza, sem os homens. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

A frente.

 

“Oh!, oh!” o pai sempre acordava assim o menino, tocando-lhe o braço. Depois falava do almoço “quanto o sol tiver a pino, em cima da mesa tem comida”. E saindo dizia que Deus o abençoasse. Então o dia começava com a espera do sol que cumpria lentamente uma linha até em cima da casa. Quando ele estivesse bem no alto era hora de comer a comida da mesa: arroz, feijão, ovo.
A vida era uma espera. Primeiro pelo sol, depois do pai. Ele chegava à noite, ligava o radio, fazia a comida do dia seguinte. Calado. Sempre acordando o menino e deixando-o com a comida sobre a mesa. Saindo e caminhando pela estrada até sumir na curva. A estrada era longa, terra clara, tremulava sob o sol forte. Por ela o pai ia caminhando todos os dias até a curva. Então sumia e o menino esperava-o a noite.
Depois de comer o menino ficava olhando a estrada. Uma vez quis saber o que tinha depois da curva. Se o pai ia e voltava todos os dias deveria ser pelo menos algo importante. E foi...devagar. Caminhando até a curva, e pra alem dela.
Passou pelo mato denso ao lado da estrada, depois descampados, então a estrada ficou dura de pedra e continuou. Casas, quase caído de tão velhas e feias surgiram. O menino com passos firmes seguia para frente. Para dentro de uma multidão de barracos que apareceram amontoados ao lado da estrada. O caminhar tornou-se difícil, cada passo novas casas e coisas. Como carros, tão raros na estrada de sua casa. Havia muitas pessoas, caminhantes apressados e severos no olhar.
Era esse o lugar do pai? Era esse lugar onde ele vinha todos os dias? Um mundo deveras grande e vasto. Cheio de cores, e logo que a noite ia caindo, surgiam luzes, faróis. Esse mundo confuso de penumbra, de cores acinzentadas e pessoas andando para todos os lados. Esse era certamente o lugar onde o pai vinha todos os dias, por isso que ele não gostava de barulho. Ele vivia num mundo já barulhento. E por isso que ele vivia cansado: esse mundo corre depressa. Era esse o lugar que o pai trazia dentro e si a noite.
A noite tomou todo o lugar. Fundiu as cores, as grandes casas, as ruas, tudo negro. Diluiu as pessoas em vultos e o menino perdeu-se. Doía-lhe os pés. Era hora de voltar a trás. Ir, como o pai, para a casa. Mas, por acaso escolheu ficar.
Era esse o mundo do pai, não a casa pra dormir, roncar, ali era pra viver. Ele ficaria.
Fim.



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Não há violência em Curitiba.

Minha cidade sofre de um mal endêmico: violência gratuita. No dia 30-11-13 um morador de rua foi esfaqueado na praça rui Barbosa, no dia 07-12-13 um rapaz de 18 anos foi perseguido e morto no lago da ordem por um grupo ainda desconhecido, na reitoria um homem foi espancado. E há inúmeros outros casos de violência sem motivos. 

Entretanto a violência nunca é totalmente gratuita, não se trata de animais que brigam por passarem perto um do outro. Há algo por trás desses casos. E esse algo é a impunidade, a possibilidade de fazer, a oportunidade, e um total vazio fraternidade. Aprendemos desde muito cedo que pedintes e ciganos irão nos enganar, que não podemos ser motivo de chacota pra ninguém e nem de perdas financeiras; que o outro é inimigo ideológico ou concorrente, visto que essa é uma cidade feita pra ganhar dinheiro.  
Culturalmente Curitiba está no sec. XIX, é uma estação de vários imigrantes que não se integram. E no sentido cultural não há nenhuma ação governamental por mudança. E a ação policial é pouca ou se junta com o problema com ações desmedidas e opressoras. Que não é nada alem do reflexo dessa desintegração.

Há também o problema do álcool, muita bebida. Fossemos sérios, não fugiríamos desse tema. Porem o álcool só faz revelar algo enrustido no caráter do Curitibano. 

 Aqui a palavra “povo” não acha significado. A divisão é feita por classes, e também pelo lugar onde se está. (Identidades super transitórias). Para o deleite das nossas elites poderíamos até afirmar que “Não há violência em Curitiba” pois ela nem existe. O que existe são territórios cada um com uma lei. 
Pena que os fatos não mudam quando mudamos de ponto de vista. Essas vidas não existem mais e seus assassinos andam livres. 

Só me apaixono por ideias subversivas, consequentemente pelas pessoas que as têm. Nunca me ocorreu desejar a normalidade e a civilidade sexual. O bom mocismo no sexo é broxante. Nunca desejei ser aceito. Apaixona-me o estranho, feio, imoral. Tudo o que não pode ser dito em voz alta tem lugar no meu pensamento. Eu desejo aquilo que me dá asas pra imaginação, aquilo que gera remorsos, aquilo que não foi bem feito. No sexo sou o seu oposto. E por isso agora inquieta-me o seu ser, tão certo, aceito, civilizado. Seu semblante plácido me tira o ar. Você, assim, dentro do melhor padrão, agita-me como nunca. Que me resta senão cortar minhas asas, sentar-se ao seu lado? Quero ser assim, mais nada, mais ninguém. 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

caderno





Cara, que sonho ser eu o Dalton trevisam. Essas horas de noite eu olharia para o céu, sentiria o vento e teria mil inspirações. E depois sozinho sentaria na cozinha e estaria cercado por todos os meus personagens, e ao entorno toda a cidade, a que eu inventei e a que eu não inventei. Eu olharia para traz com um orgulho do caralho, e olharia pra frente, ou seja, para a morte, sabendo que a vida valeu a pena porque eu criei arte. Literatura da melhora qualidade. Porque eu seria um mito para todos, um enigma pra aqueles que procuram ilustrar-se comigo e pra mim mesmo: uma criação. Ah! Eu não seria apenas isso... seria dono da arte, das letras, domador das palavras ao invés de ser delas capacho. Discretamente feliz seria eu.

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...agora pra dizer a verdade isso [depender do sus] não me humilha de nenhuma maneira, a vida no Brasil não é fácil pra ninguém, nem pra aqueles que podem pagar por suas consultas. Somos um pais periférico refém de um Estado ruim e também de um mercado ruim. E nesse ponto esquerdas e direitas se encontram, porem ainda pelejam, por pura ilusão.

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Da nesga de um céu, espremido entre o muro do vizinho e o beiral, vejo uma estrela. Uma única estrela num espaço determinado do espaço infinito do universo. Ela é a mais solitária das estrelas. Ela esta brilhando sem saber por que, sem se reconhecer no seu brilho. A mais solitária das estrelas despeja brilho pelo espaço, crê fazê-lo por costume e por necessidade de iluminar o entorno, ao menos. Mas, seu brilho, ela não sabe, cai aqui como uma elodia, um canto medieval sobre anjos decaídos e feridas na alma. Eu e essa estrela passamos noites a mirar-nos, sabemos que ambos não temos função alguma. Apenas dois nos milhões de estrelas e humanos. E nos calamos antes de perguntar “porque”, esperamos o sol, a luz da dia e suas ilusões.

domingo, 15 de dezembro de 2013

dez de onze.



Viva a democracia. Viva o presidente Mujica e viva todos os críticos desse presidente. Discutir a legalização da maconha assim como discutir os problemas dela é um ato democrático. E a democracia deve seguir por esses rumos mesmos, chocando-se com o contraditório, convivendo com a contradição até que tese a antítese se acrisolem numa, quiçá, síntese. Não podemos mais conviver com fluxos pré-determinados de critica exemplo: falar mal do governo é democrático, defende-lo não é. Não haverá espaço na democracia pra determinismos ideológicos, e sim pra espaços que podem determinar-se em ideologias. Nós vamos ser o ar que consume com tudo que é solido. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

novx de onze

Facebook malandrão me fazendo uma retrospectiva de 2013 toda alegre, chapa-branca, de um novo dia e um novo tempo que começou. Perai mermão!! Vamos começar falando serio nessa porra? 2013 foi um merda: todos os meus amores sonhados, constituídos e imaginados morreram na praia. Os planos de ser feliz, de estar com pessoas queridas, de viver intensamente o momento...falidos. Nesse ano perdi algumas amizades das quais convivo com o vazio até hoje. Resolvi problemas existenciais da mesma e conhecida maneira: álcool, e por ele vivi o desdém alheio (não sei se esse fato é positivo ou negativo). Alem da clara o obvia frustração com o “gigante acordou” que acabou em nada e leis que intimidam qualquer manifestação. A Rede de minha querida Marina Silva teve sua esperança ceifada na raiz (mas ainda vive) meus projetos de trabalho, de educação, de ser o melhor em qualquer coisa relativo a isso, morreram todos. Minha cidade continua matando inocentes, feriando os humilhados e exaltando a canalhice. De minha parte ainda tenho medo de envelhecer, de enlouquecer ou de ser tomado por falsas  esperanças novamente e novamente e novamente. A arte essa PUTA continua me iludindo, tira de mim o melhor e o pior pra entregar-me um mais ou menos, que alias, me sustem. E a facilidade da tecnologia ainda não disse à que veio, se pra expor nossas jovens e suas sex tapes ou pra nos apresentar o mundo segundo os brasileiros (melhor programa).  Face... vamos esquecer tudo isso. Esse prazo de 365 dias significou nada alem disso mesmo:365 vinte e quatro horas de 60 mim cada. Na historia do universo isso não é nem um pingo do i.  

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Pensando? Em nada, tenho pensado em nada pois estou enojado. De ter egolido mais uma vez a esperança, o desejo de ver as coisas melhorarem no meu país: assisti cheio de orgulho as passeatas e tudo que deles restaram foram três (fora as que virão) leis injustas. A primeira foi que os deputados agora limitam a entrada de publico na assembleia, a segunda é que mascaras não podem ser usadas, alguém ainda dirá que “nem na ditadura não se usava” mas, na ditadura a tecnologia não permitia o manifestante ser caçado como agora; a terceira é esse maldito mal-uso da lei de organização criminosa contra pessoas cujo maior crime é pensar. Enjoado de ver o governo tão cínico em raptar o país pra uso próprio.

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Essa cura gay é similar a colherinha torta pra crianças canhotas aprenderem a usar a mão direita. É a instrumentalização do preconceito/superstição. Já nasceu obsoleta.

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A TV era ruim, a internet é pior. Na TV quem tem voz são as empresas que pagam por publicidade, publica-se o que é útil para venda, ou seja, há uma intenção: o mercado. Na internet, quem tem voz são os agentes políticos,(partidos, militantes, igrejas) com interesses muito diferentes do individuo, distantes da ética, bombardeando o cidadão comum falsas campanhas pró isso ou aquilo que no fundo não é nada mais que difamação em forma de humor. Não há apenas uma intenção, o objetivo é desinformar, desajustar, desregular, re-escrever a historia a partir de uma visão caótica sem o verdadeiro nexo causal. Como diria Anderson Barteli: Bem vindo ao inferno.

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Sofro de variadas emoções ao assistir a noticia sobre tumulto nas agências bancarias por causa de boatos sobre o bolsa família. Antes de tudo é preciso lembrar que moralmente esse programa é necessário, pois um pais rico como esse não pode deixar as pessoas na miséria e programas sociais não é nem de longe exclusividade brasileira. Porem pelo nível das entrevistas o programa não tem incentivado a educação e a critica do povo, pelo contrario, parece que, por causa desses cento e poucos reais, o governo tem assumido um tom paterno, ou materno no caso, coisa que é péssima pra democracia. (uma entrevista disse que a Dilma mandou um presente para as mães) Quem, nos dias de hoje, tem o direito de achar que o governo “dá” dinheiro aos pobres? Ou melhor, quem tem o direito à ingenuidade?... outra surpresa foi saber que a despeito de toda aquela multidão, foram sacados, cento e cinquenta e dois mil, coisa que não compra um terreno na minha cidade. Ou seja, tá barato pra caramba pra o governo manter a pobreza e a ignorância. [comentário de meu amigo Novak: Cento e Cinquenta e dois milhões. Valeu]

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No sábado passado tive e curiosidade de conhecer o grupo “compartilhando conhecimento” que está fazendo palestras no Bagozzi. São pessoas inteligente, cordiais etc. porem que pena: São discípulos de Olavo de Carvalho, aquele sujeito mal-educado que vive pra ofender gays, comunistas, a Dilma, a Preta Gil, o Dráuzio Varella, o Jean Willian. E sim, esse sujeito foi citado varias vezes na palestra como um bom exemplo de educador. 

Disse o palestrante que a “a escola não tem nada de bom pra ensinar” e que a LDB não tem objetivo, portanto, para esse grupo o melhor é o tal do “home school” O que para mim soa como “não vamos deixas nossos filhos se misturarem que essa gentalha”. E um aprofundamento nos clássicos de modo a elevar o exercício imaginativo das estudantes. Quem alem de não ser nada novo, ainda é por si elitista e ufanista. (Será que eles querem filhos ou clones?)

Pena saber que o espaço que já foi usado para aulas coma a da prof. Anita, palestras como a prof. Maria Cristina Leite Gomes, cinema em debate, e até missa para são José. Agora está a serviço do pensamento conservador cheio de discriminações, ainda que disfarçado de “café filosófico apartidário”.

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Isso foi a minha retrospectiva 2013 no facebook. 

oito de onze


E esse etnocentrismo regional heim? Esse julgar o próximo a partir de um ponto de vista centralizado na classe econômica, na condição de consumo. E nem de longe previlegio de quem está no centro, as margens também se julgam por elementos centrais e logo se depreciam.

Ou

Esse paradoxo brasileiro de ser um pais cristão. Onde o dinheiro tem deus, tribunais tem crucifixo etc... e a solidariedade ser quase um tabu. Não é correto ser solidário, não é correto defender bolsa-familia, não é bem visto aquele que dá ao próximo sem esperar vantagens disso. Porque demônio a Solidariedade foi expulsa do cristão? Talvez porque o único deus sobre esse povo seja o Capital, e esse logicamente não oferece almoços grátis. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

sete de onze


É possível falar em anarco-politica?

Ou seja:

É possível existir uma ação política que traga em seu bojo a anti-politica do anarquismo?
Para Hobbes a superação do homem-contra-homem é a criação de um sujeito político chamado Estado. E no caso um Estado com poderes absolutos.  Na atualidade o Estado é constituído por grupos políticos/ideologicos, então, não é absoluto nos seus poderes. Entretanto no interior desses grupos encontramos indivíduos que não reconhecem a total representatividade desse grupo. Exemplo: um terrorista inspirado por uma religião decide por si próprio cometer um atentado. Ele faz parte de um grupo que talvez não o apoie nessa decisão, entretanto ele a comete. É possível desobedecer, as vezes é regra.

E

Também podemos dizer que a relação entre os diferentes grupos é uma relação de Grupo-lobo-de-grupo, ou sejam uma relação sem um mediador com poderes moderadores, um anarquismo no pior sentido.

E, também


É evidente que a atuação política do Islã, dividido em varias correntes, filosóficas e políticas irá de um modo ou outro inspirar ações iguais do cristianismo. Grupos radicais, políticos e filosóficos não são exclusividade de uma religião. Grupos fundamentalistas ganham cada vez mais força, pois traem a si mesmo inspirando os indivíduos para ações livres, às vezes radicais, ocultada pela sua ideologia. Os pastores que agora ocupam as TVs e os partidos são a primeira etapa desse processo. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

seis de onze

É possível emburrecer?

Ou seja, é possível saber algo, aceitar algo como moralmente correto e depois afirmar o seu contrario?
 Gostaria muitíssimo de dizer que não, que o saber é como a lei da gravidade que atua em uma só direção. Mas, a realidade tem provado o contrario. Sim! é possível voltar a estado de “inocência”, ou precisamente “barbárie”. E nossa realidade tem mostrado isso. Um exemplo disso são as cenas de truculência nos estádio, nas ruas, em saídas de baladas, alias a própria balada com suas musicas bate estaca são provas da regressão do gosto, pauperização da estética. Qualquer que seja o tema, as entrevistas da tv com alguns populares nos anos 80 tinham respostas mais criativas que hoje. O rock in rio é outro exemplo e nem digo de gosto disso ou daquilo e sim a apreciação de estilos musicais mais complexos, menos pedagógicos. É terrível afirmar que estamos mais burros que décadas atrás. E é terrível ver como isso é lucrativo para o status quo.  

Em seu artigo de sexta na Folha Marina Silva afirmava a necessidade de 10% do PIB pra educação. Temo que isso não surta efeito, pois em algum momento do Brasil colônia a educação teve muitos recursos e resultados decepcionantes. A questão parece ser mais cultural que estatal. Deve haver algum modo de deixar o pensamento, a reflexão mais sensual, ao gosto do povo. Por enquanto as escalas mais baixas do saber humano imperam, a saber: egoísmo, sexo, gozo.

Não me coloco de modo algum fora dessa lógica, apenas indico que PRE-PA-RA pois estamos descendo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

caderno

Sob matrix.
Não seria um filme sobre como controlar a própria mente? Neo deve aprender que é capaz de pular de um prédio a outro, Morfeu deve tentar controlar a mente pra não entregar a chave de Zion aos agentes, e outros exemplos claros... entretanto poderia supor que é também um filme que tenta a partir da empiria conhecer a metafísica. O que somos, em essência, partindo daquilo que pensamos ser em aparência.
Eu penso cenas que poderiam ser criadas nesse “estilo” matrix.
A ideia nasceu porque vivi uma experiência nos anos vinte. Eu corria contra um dos poucos rapazes que tinha bicicleta também. Nos corríamos como se estivéssemos num desenho animado em preto e branco-areia. E isso eu vivi de verdade. Eu lembro e foi massa. Então refleti sobre o fato das lembranças significarem algo, elas existem em algum lugar, e pra mim elas são formados por dejavus. (antes é depois) e com essa lembrança é possível conhecer a matriz. Porque estamos falando numa limitação num quadro, até então, ilimitado.

Pega esse então:
Tu: maquina com softwhere autônomo ao central (economia de gastos)
Tu: rebelde.
Espião: é implantado pra te destruir.
Tu+espião=agora.
Tu: um misto de Neo com Smith.

(Para os racionalistas a razão era totalmente boa, para Kant não. ) A tua racionalidade é a parte humana (Neo), a irracionalidade (Smith) são valores e praticas que pensas serem suas mas que em suma só servem pra sua destruição.

Nesse plagio de Matriz peço que façam algumas cenas. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

de onze

Dai vc mei que olha pro céu. Dai tem UM céu, dai voce tonteia e molha a camisa, (fica olhando pra cima!!!) dai voce olha de novo pro ceu. Dai o céu é o mesmo mas vc já tá com uma puta de uma mancha ma Camisa. Ou seja, vc é outro, o céu é o mesmo. Entõa?? Sendo o seu defeito de olhar pra cima aleoatoria mente distribuída entre a população, dai vc Tem dai vc olha e muda a aleatoriedade, a sua com a do céu estar daquele jeito. E se, prestenção!!!, olhar imediatamente depois?? Então voc e estára cometendo uma matriz, um numero regular na aleatoriedade da relação voce-TONTO-OLAHNDOO CEU X CEU. E LOGO IMEDIATAMENTE VC DOIS, VENDO O CEU DOI.  Meu deus uma regularidade na aleatoriedade. Feito uma matriz, agora só mantar pro morfel, ou pra mim.... Trinity. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

mulher bomba



Querida amiga. Sei que você está acompanhando o quadro do fantástico sobre as obras de Helen Palmer, pseudônimo de Clarisse Linspector. E sei também que a senhora se sente incomodada com o tom burguesinho que esse quadro tem dado as suas noites de domingo. Então eu que muito lhe quero bem, devo instruí-la no sentido de exorcizar essa burguesa que insiste em apodera-se da senhora. Pra começar deixe dessas besteiras de acreditar no amor. O sexo é melhor. Mas o sexo lhe traz  um vazio terrível certo? Pois é ai que começamos o nosso exorcismo. O que é esse vazio que você sente quando tem tudo, quando o amor e o sexo já se mostraram incompletos? Essa coisas é a tal da vida. A vida é uma vazio terrível, nada aqui dura pra sempre, nem nada é definitivo. E nós viciados em agremiações insistimos em imitarmos repetirmos, assim como nossos pais, assim como nossos amigos e assim, repetindo vamos fingindo que a felicidade nos sorriu. Quando não, nos apoderamos de tábuas salvadoras como a igreja, o trabalho, filhos etc.. Querida: dance. O vazio foi feito pra isso, pra dançar. Encontre o ritmo que o seu vazio lhe impõe e dance com ele. Dançar ao ritmo imposto por outrem é passar a vida no faz-de-conta que é feliz. Nada mais provocador, anarquista e sedutor que uma mulher, ser-para-o-mundo-masculino que ser ela mesmo na sua qualidade trágica. Desafie-nos com alguma autenticidade e nós repararemos em você, nas suas roupas, maquiagem etc...  bjs m.paumirinha. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

kautrô de onzce

South Africa. Um breve relato de como vejo o futuro.

Quem dentre nós quer sondar o futuro? Todos! claro.  Tenho suposto que o futuro será algo como a áfrica do Sul retratado nos clipes do Die Antwoord, com algumas semelhanças a mesma Africa do Distrito 9. Ou seja, uma confusão dos diabos, mega populoso, multi racial e multicolorido. Os direitos e as liberdades civis terão, necessariamente, ampliar-se de modo inédito na história do mundo. 
A imagem que melhor me traduz o futuro é a de uma esquina qualquer na periferia de uma cidade qualquer de um país qualquer na periferia do capitalismo. Produtos chineses, tecnologia descartável, modismos e promiscuidade estética. (Ainda que sejam essas pessoas as que de fato vivem o capitalismo, os prós e os contras, os do centro do sistema vivenciam apenas os benefícios). As fronteiras musicais, sexuais, raciais estarão cada vez mais virtualizadas e des-virtualizadas: ainda existiram, porem, cada vez menos de maneira efetiva; se existiram fronteiras ideológicas elas serão efêmeras. Penso que o sistema econômico deixará de ter um centro programático, será sim um sistema que age por vias diretas e temporárias, semelhante a natureza. Ou seja, a economia deixará de ser algo cultural pra ser natural, seus objetivos serão o lucro, expansão a todo preço, quase como um organismo autônomo. Dilatada as margens do atual sistema (não haverá centro) com a real inclusão dos atuais marginalizados. No campo político a democracia irá expandi-se cada vez mais, assim como seus prejuízos, suas burocracias, etc. mas um sistema totalitarista dificilmente sobreviverá aos ares futuros. Penso que o futuro próximo será mesmo o fim da historia de tão confuso e inédito. Porem, pra quem sabe dançar não pode haver melhor ritmo. 

Yolandi Visser and Ninja of Die Antwoord - New faces: Die Antwoord

domingo, 3 de novembro de 2013

três do onze.

Você não me conhece, ou melhor, nos vimos apenas uma vez... Eu puxei assunto contigo sobre a possibilidade de você ser parente de um vizinho, mas, já sabia que não, era só pra ouvir sua voz. Só pra não deixar totalmente em branco essa oportunidade. Pois desde o primeiro momento sua beleza me encheu os olhos. Um tipo de beleza tão cheia de vida, cheia de força, até mesmo um pouco aristocrática. Que eu na minha condição de proletariado só posso apreciar, acima de qualquer possibilidade recíproca. Mas, agora numa agonia estranha, algo como um orgulho de sentir isso me toma. Sinto-me como um pedaço da natureza que vê outro pedaço dessa mesma natureza e tem muito prazer no que vê. E mais: orgulho de gostar disso. Eu gosto de ver você, suas fotos, seu modo de relacionar-se com os amigos. Um certo olhar doce que as vezes surge nas fotografias. O desenho perfeito da sua boca, as palavras quase ingênuas que troca com seus contatos. Talvez eu tenha invadido mais que podia, ao ler alguns comentários seus, mas o faço com a mais plena admiração. Te ver, com esse sorriso enorme, é como ver um por-do-sol, sobre uma cidade fria. São reflexos de força e esperança. Passe bem.

ou

Reflexões de Quando Fuçava seu Face.

dois do onze

"talvez seja o necessário pra ser feliz, uma boa dose de loucura".
Não. Sinceramente não quero a loucura. É anti-estético, anti-higiênico como o suicídio. Mas essa realidade, que invade meu espírito, me deprime. Por isso eu bebo, por isso as vezes me alieno, pra tentar fazer filtro nessa realidade. Só ler nela o que me interessa.

Alias é uma tese que tenho pensado. Nosso cérebro renascentista é capaz de suportar tanta informação? Tantos rostos. Duvido que Alexandre o grande tenha visto tantas fisionomias quanto eu. Pois por causa dessa virtualidade, rostos navegam sem corpos pelas redes e meu cérebro tenta de algum modo dar sentido a tudo isso. Trabalhando a exaustão. Alem de que tantas noticias, tantas frases, falas, novidades... seria possível digerir tudo isso sem ficar louco. Ou depressivo, ou estressado? Ou pior, conseguir deixar de viver nesse ritmo sem se desconhecer. Aspectos atuais da vida que não haverá respostas tão cedo. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

um de onze.

Olho um céu cheio de nuvens, um céu noturno que mereceria um sinfonia lenta, quase silenciosa. Penso que esse mesmo céu estava naquele dia em que eu esperava meus amigos, pra um show numa cidade próxima. Na verdade espera um só amigo, os outros conheci nessa mesma noite. Lembro de ter tentado me enturmar de qualquer modo, lembro também de ter me frustrado nesse propósito. O mundo é um lugar difícil.
Penso agora se eu sabia compreender a solidão nessa época. Creio que ela era um infortúnio, uma lastima pra um cara, como eu, que só queria ter companhia pra shows de rock. Agora tenho outra visão desse mesmo sentimento de estar solitário. Penso que é o ultimo estagio do “conhece-te a ti mesmo”. Pra compreender-se no mundo é necessário uma grande dose de solidão. Conhecer-se é ver-se limitado, num mundo tão vasto, tão cheio de gente e perceber que boa parte das pessoas que conhecia eram imagens inventadas por mim. Não! Ainda não criei amigos imaginários, criei sim qualidade pra pessoas das quais elas não dispunham. Quando passo no filtro “conhece-te” deixo de ter ilusões.
O prazer da amizade é insubstituível. O prazer da solidão é tão grande quanto, mas é uma conquista. O desprazer da amizade é contornável, mas, a dor da solidão é impossível disfarçar. Quando se está solitário, só ou acompanhado, vê-se cada minuto passando, e creio que é necessário ver mesmo, cada minuto de uma vida que esvai-se de falsos sentidos,ilisões, de perda de esperança, ou seja, de tudo que é negativo a vida. Porem, quando se está naquela solidão plena de si. Confortável dentro da própria pele (Maria Rita). Ah! É esse um ganho sem limites. É o conhecer-se. Desmistificar-se. Desertificar-se.
Como eu gostaria de ser como esse céu, voltar esporadicamente a forma antiga. Reviveria aquela noite e seus sabores doces e amargos. Mas.... pra nós o tempo é linear...

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Evolução:
Eu era uma vaca. Tava tão feliz de vaca.
Não fosse a necessidade de matar moscas não teria evoluído num ser de braços.

Toma agora seus filhas de uma varejeira. 

sábado, 26 de outubro de 2013

caderno de exercícios.



No caminho muitas,
muitas,
pedras, pedradas, pedregulhos.
Muitos tombos, também ralados...
muitas vezes perdido,
parado, muitas vezes. Desistir
Aí: essa pedra
com brilho longe
(não parece ser daqui)
uma pedra de marte?
Pedra que elava o caminha á jornada.
Brilho que cega, dada a escuridão em volta.
Minha pedra. De marte.



Da vida que nada se leva, só uma lembrança triste de um quase, um pouquinho mais pra amar, ser feliz, gozar muito. Uma pequena maleta contendo uma quase vitoria, um desses pacotezinhos pra um pão, cheio de primeiros beijos, sexos, quase namoros e só. Pouco, muito pouco faltou pra que se realizasse o maior sonho, o maior desafio o melhor talento... tudo um pouquinho e só, ao fim de tudo, um quase. Antes mesmo de morrer ele teve uma quase grande inspiração pra um poema, de um sujeito que vencia o concurso, de um romance com final surpreendente, mas era só um sonho. Acordou. Esqueceu. Vestiu-se pra viver seu ultimo dia de...
...bom dia, dois reais de pão, já vou almoçar, já paguei a prestação e até amanhã...

Então os dias se findaram, quando ele olhava para o joelho. Uma pequena bolha que parecia uma pereba qualquer, era câncer de pele. Tomou a perna, depois, algo no sangue o fez desejar uma morte rápida. Olhava para o próprio joelho como quem olhava uma terra distante, um monumento em fotografia. Mas era câncer de pele, era o fim dos seus dias. Tudo começou com uma pereba no joelho, então ele morreu, deixou de ser, ele mesmo um pereba na vida. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Vagaba


Carla, chamada Carlota, pois combinava mais com sua presença: cabelos escorridos ao lado do rosto, olhos baixos, pela fina e mãos brancas como de gesso. Solteira morava no oitavo andar de um prédio antigo. Os moradores, aposentados, ex-funcionários do governo. Assim, Carlota, era a mais nova e a mais envelhecida. Não se sabe como conseguia dinheiro, essa curiosidade diminuiu ao perceberam como eram modestas suas despesas; provavelmente alguma aposentadoria do pai ou mãe.
Carlota fala pouco, vai à missa, cozinha pra si, e quando faz dobradinha avisava aos vizinhos sobre o odor. Ela era tão parecida com tanta gente, que todos a tratavam com o “de casa” ainda que ela própria fosse de poucas visitas, e de poucos sorrisos.

Os moradores do prédio frequentava as missas da paróquia próxima, iam em bandos, caminhando meio em falso, reclamando das calçadas mal calçadas e falando que de tarde chove. Carlota ai junto, olhando as placas e as vitrines. Vez ou outra uma das velhas comentava que aquele vestido ali ficaria bom pra Carlota, que era magrinha. Porem, quase sempre ela era uma presença muda, surda, pálida.

Era a comum, próxima, aquela cuja existência não prevê novidades, era a figura que misturando-se ao mundo, faz mais parte do cenário que dá ação. Era Carola, a mulher magra de cabelos escorridos ao lado do rosto, que vivia sozinha no oitavo andar de um prédio no centro, a uma quadra da igreja e a duas do mercadão (seu mais longo trajeto, seu medo) a face comum do humano.

No natal as mulheres do prédio, arrumavam uma bela decoração na portaria e uma arvore grande com muitos enfeites, cuja arrumação era incumbência dos homens. Pois eram mais fortes e tinham menos medo de altura, ou porque as mulheres tinham pena desses velhos que afeminaram-se como tempo e lhes arregalavam com esses falsos méritos.

Esse ano revolveram, por inveja de um outro prédio, que fariam a representação da manjedoura de Cristo, com atores de verdade e roupas caprichosamente copiadas. Os maridos, três deles pelo menos, seriam reis magos visitando a sagrada família. Um momento pra se viver a humildade, o milagre, a caridade dos povos.

“ Eu gostaria de fazer a Virgem” disse Carlota, e completou “quero o papel da virgem”. Os senhores atônitos olharam para as senhoras e esperaram alguma reação. As senhoras entreolharam-se e chegaram num “tudo bem” incerto. Carlota faria a virgem Maria, mãe de Jesus, a mulher escolhida por Deus, por seus santíssimos méritos, pra ser a mãe do salvador do mundo. Dentre todas, a mais santa.

Na saída, ainda no corredor uma senhora comentou com a outra que Carlota fora um pouco apressadinha em se oferecer assim. Outra disse que era até feio fazer um virgem de verdade. Três outras acharam que Carlota estava alegrinha demais, por que ela se achava tão perfeitinha assim pra ser A Virgem? Essa menina, teria um segredo com certeza, era provável que quisera ser tão santa quanto a virgem pra esconder algum outro segredo. Outros relembraram que essa menina sempre foi estranha, ficava pelos cantos, sozinha e agora essa historia de querer o papel principal....ai tem coisa. Essas moças, disseram, santas do pau oco. Seria um sepulcro caiado? Alguma voz dissonante ainda arejou a honra da menina, mas era tarde.
Concluíram  que Carlota, Carla em verdade eram uma dessas soberbas que usam da religião pra se fazer de santa, pra querer o papel de protagonista, pra, com seus beleza pálida e cristã, fazer contraste com as outras, santas de verdade, envelhecidas pelos anos de dedicação ao catolicismo. E que, em verdade, mereciam o papel da predileta de Deus, mas, por serem, verdadeiramente, humildes, não se ofereciam.


“Olha moça, o papel da virgem, vai ficar com a neta dessa aqui.” Disse uma delas, com olhos secos e boca serrada, mirando bem no fundo os olhos úmidos de Carla. 

fim


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

courier

Eu estava sentado na mesa da cozinha, ao redor a família comia e falava, falava, falava. Seus lábios batiam e retiniam como se fossem de lata. Nada com nada, eram o que diziam. Eu tentava acompanhar a conversa, porem, ela mesma não seguia rumo nenhum. Olhei-os mais atentamente, seus movimentos exatos, olhos fixos, gestos estranhos. Não eram humanos eram autônomos agindo como humanos. As vezes, quando riam, eram animais. Quando graves e indignados apontavam inimigos eram como robôs, programados pra não gostar de outros robôs. E sempre, sempre estava como quem participa de um quadro antigo, bidimensionais. Nada me era estranho, porem tudo estava diferente. Pensei na possibilidade de eu estar louco ou que teria errado de casa nessa noite. Mas a verdade é que era ela mesmo minha família eu só estava crescendo. Sabia que dali um tempo, seria minha hora de automatizar a vida, os gestos, os sonhos. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

VI

turvo,
    turvo,
       cinza e ocre: um calidoscópio de lixo panos sujos sacolas colchões sobre um terreno fétido.

Tudo turvado como se sonhássemos, como se o mundo acabara de findar-se e o inferno não existisse e só restasse isso: a realidade ordenada por um não-deus julgador cruel, mas, sem penas. Intermitências de justiça, intermitências de sentido direção cor. Turva a fumaça do cachimbo de crack. Pequenas luzes que acendem que nada tem de ver com estrelas ou vaga-lumes e apagam.
A um século quem diria que isso seria futuro? Quem, olhando a invenção da imprensa diria que ela seria incapaz de falar sobre o homem? E esse futuro traz imagens realistas demais pra crermos no jornal: Turba cracolandia, zumbis sem rostos, espelhos no lugar dos olhos. Onde nos vemos. Turba ilhada no centro da cidade, dessa mesma cidade ilhada pelo niilismo moderno – eles já viram – que não pudemos perceber quando chegou – ele perceberam.

           Háaa: zimbu: zumbi que no lugar de celebro come c..hárá ié ié.

Turba que iria nos redimir desse namoro com a morte ( trazê-los á luz? Qual, essa? Está apagada a séculos, nós iludindo com seu lume e eles sabem).  Porem, cai sobre os olhos a negritude do véu do individual, separa-nos, pra fazer de conta que sobrevivemos. Cai a noite e um menino tateia o muro, pará em frente ao poste, procura o interruptor pra acende-lo. Não há interrupção, não há luz, o breu é total, dentro e fora. Ele cambaleia (pra ler ao ritmo do cuduro) cai, cai cai, cai, cai cai. O vento sobra, um outro morre. Fumei a pedra e to de porre. Cai cai cai, cai balão: tuberculose, com depressão.

 E jaz sobre a cidade uma lua branca, boiando sobre todos os sonhos e deuses, boiando como todos aqui em baixo. Branca como uma pedra. Inalcançável ao menino que desistiu de ligar o poste, (a pouco morre) a companhia elétrica também. Alias todas as companhias desistiram de acompanhar. Só a lua como quem procura um filho, mira as ruas.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

merda

[MERDA]
FEZES HUMANAS, SOBRE TELA. SEM DATA. 

OBS;
não! Não gostem dessa obra, não olhem para ela como uma parte artística da vida. Ela é uma merda. Um excremento de ideias, seu texto é um papel higiênico usado, duas vezes. Aprendam com ela a rejeitar! O artista, esse artista quer a rejeição. Quer a vaia. Viva! E conviva com a vaia. Use-a antes de tudo sobre esse artísta que voz fala. Pois, esse, sente-se perola e sente-os porcos. Vocês que comeram no coxo da musica pop, vocês que aprovam a programação colonizada das únicas rádios nacionais, vocês que assistem a choram com a mesma novela á décadas: não merecem minha arte, não merecem o meu gesto. Abortem-me. Ou antes, odeiem-me do mesmo modo que amam aos galãs. O publico, que fora respeitável, prostitui-se pelo conforto. E as artes, mortas, só podem feder pra lembra-los dos vossos narizes. Apodrecem! Vejam, vejam a feiura! Não estão acostumados não é? Pois saibam que aquela arte que vocês comem todos os dias é mais podre que isso. E ainda assim, os alimenta... vão! Não aplaudam. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

a manhã.

Numa bela manhã, como essa, esse pobre animal humano lamenta:

não o pouco pão-de-cada-dia;

não a morte, iminente.

Lamenta o esquecimento, essa dissoluta função cerebral.

Pobre animal, que do gozo de ontem só reteve o nome.

Bicho humano que amou, mas, esqueceu,

que desejou e esqueceu o gosto do desejo realizado,

que amou o que odeia agora, que odiou o que é agora indiferente.

Que perdoa porque não lembra a ofensa,

que ama o que vai perder;

Adora; o que será indiferente.


Que vive nesse eterno amanhecer e sorri, e é só de surpresa seu sorriso.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

#felixiano


1.
Daqui a cinco anos? Pretendo estar, assim como agora, agindo pra que minha vida seja melhor, ou seja, quero estar sendo alvejado por, pelo menos, quinze tiros na cara. Antes quero estar viciado em crack, fumando a ponta dos dedos numa viela qualquer dessa cidade. Quero ser a sombra do espírito cidadão, tudo que ele não deve ser. Quero, daqui a cinco anos, ser uma nota breve de jornal  “ morreram 15”. Porque essas vidas não vale uma coluna ou uma foto p&b.  Meus pensamentos daqui a cinco anos serão os mesmos de agora: Antes não tivesse nascido, antes fosse um daqueles que ficaram na camisinha, que precipitou pela menstruo, que foi parar na próstata de um viado qualquer. Porque desse ponto, de vista e de vida, tudo é relativamente inútil.
Conta proposta:
A vida é a coisa mais democrática que existe. Ela pode, ainda que fira em seu cerne, defender a morte. Em todos os momentos em que eu, desejando morrer, desejando a morte, relativizei a vida, usei, de modo absoluto, seu poder. Ou seja, necessito de vida, de modo pleno até pra, pensar e desejar a não-existência. Francamente senhores a vida não é algo que seja fácil pensar sobre. 

2.

Ia postar que Beoynce é uma mulher incrível (e é mesmo) mas dai lembrei que tem muita gente tão bom quanto. E ele foi meio cuzona ao babar o ovo do Obama, sem motivos.

3. #feliciano

De um dia para o outro ele tem o poder de determinar prisões, baseados nos seus valores. Inclusive contra aqueles que não concordam com esses valores. O fato das meninas serem presas é reversível, o fato de ele, a partir de agora, poder mandar prender é estabelecido. Bem vindo ao estado teocrático do Brasil.

Ou

Estado contraditório do Brasil. esse pais onde o topless é proibido na praia e liberado no carnaval, televisionado.  No país de tantos cristãos, tão pouca caridade, e se há é chamada de populismo (to falando das bolsas) Agora temos os mais liberais cosmopolitas criticando os mais médicos e (!) reprovando protestos, até mesmo os pacíficos como o das duas meninas que beijaram na igreja do Feliciano. Obvio que o culto, seja qual for, deve ser respeitado. Mas o respeito pelos direitos humanos, pela cidadania, não se consegue marcando hora com o sujeito. Se não é possível falar deve-se gritar.  

E (ironia alert) se esses religiosos dizem que a homossexualidade é 1) doença, porque eles não curaram as meninas ali, onde se faz tanta cura, e por que impedem que “doentes” entrem na igreja? 2) espírito. Por que não expulsaram esses das meninas, eles devem estar práticos nisso, visto o tanto de exorcismo que ocorrem nos programas evangélicos. Pode-se argumentar que os milagres só ocorrem quando o doente quer, ou o pecador se arrepende. Mas e no caso dos possuídos, como eles podem querer ser salvos já que é justamente o seu querer que está controlado pelo mal? 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pos-colônia penal.

 


Manual de instruções: o carcereiro deve checar se o encarcerado está 1. de pé, 2. imóvel e 3. acordado então os ajustes far-se-ão automaticamente pelo equipamento. O Encarcerado tornar-se-á 90% (noventa por cento) menor que sua estatura original.  Reversão. O mesmo procedimento ainda que dessa vez o encarcerado torne ao seu tamanho original.

As instruções não foram de todo ouvidas pela comissão parlamentar que acompanhava o caso. Mesmo assim o projeto foi aprovado e anunciado á impressa como a solução para a falta de vagas nos presídios, para a impunidade, para a justiça.

Cada preso a partir desse procedimento iria ocupar dês por cento do espaço físico que agora ocupava. O que de modo pratico inaugurava milhões de vagas nos presídios brasileiros, com possibilidades de importar presidiários de outros países igualmente civilizados.

Pobres tem prioridade. Encolhidos eles, as dezenas, são colocados em carrinhos de mão e transladados até as minis-colonias penais previamente inauguradas com discursos aclamados e coléricos da presidente.

Há a paz. Tão esperada, a paz nas ruas, nos presídios, favelas, coletivos. Pois todos aqueles que cometem, cometeram ou perturbavam a ordem estão presos. Seus direitos, todos, respeitados: alimento não falta, uma só marmita alimenta vinte, seus banhos de tigela, seu futebol de botão adaptado aos jogadores.  A paz, tal qual uma pombinha branca voa fácil pelas praças e avenidas e condomínios das cidades.

Um som alto, uma denuncia e o vizinho é logo declarado culpado, diminuído, cumpre meses de prisão, é solto e aumentado em seu tamanho normal.

Um cuspe em rua publica, e a mesma sentença. Ainda que dessa vez, o individuo não retorne. Pois ouve alguns erros de cálculos e ao ter sua soltura declarada o sujeito sofre uma nova diminuição, dês por cento dos dês por cento que já era. Sumiu por entre as mesas da corte de justiça.

Mas, a paz reina.


Todas as ordens são cumpridas, todas as leis respeitadas. E as autoridades, no auge da justiça parecem até ter adquirido maior altura. A policia parece ter ganho uns metros, os juízes também, padres, pastores, bons samaritanos de modo geral, todos enormes. Andam pelas ruas a passos largos, comem muito, riem alto. Às vezes, sem querer, pisam num desses normais, que só por descuido, parecem com aqueles outros, diminutos fora da lei.  


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Eu (auto referencia é um símbolo, de covardia  e de vida adulta) pois eu mesmo digo, tal qual M. Chauí, que odeio a classe media, odeio o PSDB, odeio o Pondé, e tudo aquilo que se fala contra a esquerda.
(primeiro parágrafo polemista pra chamar atenção)
Amo o Che, o Fidel, o Lenin, ainda que não saiba diferenciar um do outro, de modo que meu discurso é recheado de Revolução, luta de classes, as elites etc...
(no segundo parágrafo provoco também os De esquerda)
E
(finalmente abro o jogo, falo com sinceridade)
Pois o discurso da direita, mostrando os reais e verdadeiros erros daqueles que seguiram as ideias do capital, desmorona não apenas essas ideias. Desmorona sim qualquer tipo de ideologia, qualquer tipo de construção político que se baseie no sonho de um mundo melhor. Aliás, essas mesmas palavras, mundo melhor, soam quase infantis aos ouvidos de hoje.
E quem diria....
Esse mundo existe. Copenhague, Oslo, Estocolmo exemplos reais de cidades cujos governos e Estados não aredaram de suas funções, como ditava o liberalismo, cujo povo, nem tanto ao céu nem tanto a terra, vivem bem com as liberdades individuais. Cidades que nos permitem sonhar.
(encerro sem definir-me, ou antes, mais que definindo)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

#simetria #casa


Num dia qualquer você resolve pesquisar no dicionário o significado de uma palavra que lhe estampa a cara, que forma teu pensamento, que lhe dá modelo ao justo.  E ele te presenteia com uma singular poesia:

si.me.tri.a 

sf (símetro+ia1) 1 Qualidade de simétrico. 2 Correspondência em tamanho, forma ou arranjo, de partes em lados opostos de um plano, seta ou ponto, tendo cada parte em um lado a sua contraparte, em ordem reversa, no outro lado. 3Proporção correta das partes de um corpo ou de um todo entre si, quanto a tamanho e forma. 4 Bot Disposição simétrica das partes de uma flor. Antôn: assimetria. S. bilateral: condição de serem os lados direito e esquerdo (do corpo, p ex), contrapartes um do outro.


Tenho pensando o quanto é necessário a Simetria nesse nosso equilíbrio no mundo, metade de mim é desejo, outra metade razão, quando uma dessas toma parte superior a que lhe cabe, torno-me um sujeito sem saúde, um desajustado. E o quanto é necessário superar a simetria se se quer levar a vida como obra de arte, ou como aventura (o contrario seria apenas sobreviver) como e quando é necessário deixar de pensar em “justo”, ou em “arrumado”, “ordem”, pra se elevar ao nível dos deuses e criar, inventar, inovar. E o quanto é ilusão achar que se pode criar apenas assimetricamente da razão, da forma fixa. Para alem de Nietzsche, no Nascimento da tragédia no espírito da musica, queria eu ter essa resposta pra hoje. Pra resolver minhas dores e agonias agora mesmo, seria a hora de correr? Espaçar, espancar? Ou a hora correta de mais uma vez baixar os olhos e arranjar forças pra mais um passo.

Ou

A verdade lógica não vale um pão Francês, então todos os dias, quando minha mãe põe os pães na mesa eu digo “Deus a abençoe” ainda que não creia nessas palavras. Pois as coisas que fazem sentido na minha vida, são regradas pela pratica familiar, são suscetíveis de gramática, tem cheiro de casa, sem essas mediocridades eu não existo. Tomará que eu tenha saúde pra continuar essa pratica simétrica, pra que eu não a deixe cair na mesmice e nem avance demasiado.

e


 O lar existe quando nele a o equilíbrio entre paz e alegria. Uma casa só de alegria não tem paz, e um casa de paz pode não ter alegria. Crianças e cachorros trazem alegria, conversas repetidas trazem paz. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

caderno de exercício.


Ela chegou, deixou algo na cozinha. Eu no computador pedi mentalmente que ela viesse, me desse um beijo no rosto. Desejei que trouxesse seu cheiro pra perto de mim, que me falasse algo com a boca cheia, do qual eu responderia um “hã?”. Ela chegou com toda a vida que alguém pode trazer de uma tarde de inverno, ela trouxe um pacote de bolachas pela metade. Ela tinha cheiro de roupas de inverno. Ela chegou, deixou algo na cozinha, disse alguma coisa, de boca cheia, ela chegou  perto e meu coração bateu forte, como sempre. 
Ouvindo mod era 



Deito-me pensando em sua barriga, sua coxa, corro a mão pelas suas pernas. De olhos fechados posso sentir seus pelos eriçados. Seu corpo de mil segredos ocultos, sua pele macia que cobre ossos duros, sangue quente e coração pesado de silêncios. Profundos silêncios que tento ouvir com os ouvidos no seu peito. Que tento arrancar com beijos. Sugar através da nuca, ouvidos, dobras do joelho, ponta dos dedos. Caminho-te como num território estrangeiro, hostil e amigo ao mesmo tempo. Encontro em ti parte de mim, e perco-me novamente. Pois quem terá tantas curvas, dobras, ladeiras e becos.... De que me serve mãos, olhos, ouvidos senão pra de dentro de ti me encontrar, senão pra te desbravar como terra estranha. Perca-me, perca-me ainda mais, pois é em ti o labirinto maravilhoso que me dá direção e sentido.
Ouvindo Cage. 



Casa, porão e sótão. - Cortinas portas e janela e jardim. Flores que nasceram nos vasos, lembranças que nasceram nos portas-retratos. Pó sobre cristais e cheiros tão habituais. Casa limpa, louça lavada, e o sol ainda brilha no dia que ainda existe. O que perdeu-se foi o sentido, a pressa e espera. Ninguém pra chegar, ninguém pra correr com pés de lama sobre o assoalho recém encerado e nem ninguém que traga pão, sorriso. Encolheu em cinza. As janelas ficaram mais próximas do chão, o teto mais alto. E o teto abaixou, e as janelas ergueram-se, o mundo girou ao redor, a torneira pingou. De uma hora pra outra, quase tudo falou, como antes, quase tudo cantou, antes de cair novamente na quietude de um dia de trabalhos feitos e ninguém pra chegar. Era casa, finalmente, fora um lar.

Ouvindo: Erik Satie "Trois Gymnopédies", no youtube




Meio. Múltiplo. Vago. Longo e frio. - Encontro-me com meu eu-infantil, meus jogos de consciência e as adivinhações. Daquele jogo que eu mesmo sou parte, que caio e reparto-me em dois, o perdedor e o vencedor. Daquele menino que não sabia seu lugar no mundo, por isso estava em todas as partes, e com seu olhar inventava espaços. Via o mistério onde só havia obviedades. Construía seu jogo com o pouco que resta a condição humana na infância. E tudo pra fugir do medo, do caos, do susto. O mundo  pode uma dia desses virar de ponta cabeça, (você, leitor, está preparado?) quantas palavras é possível falar com erre. E com eco, gritando. Ai! Não! Vá! Sai! Madeiraaaaa! NÃO GOSTO DE MACARRÃO COM FEIJÃO QUERO UM DEPOIS O OUTRO! Como falar com múltiplas vozes, como comecei a falar? Jogos palavrais, palas, palas, cala para plava pavla para varais, palavrais e quantas palavras que nada significam, que pastam num enorme campo a espera de serem abatidas pra consumidas e enfim estar a boca do consumidor. Muitas palavras aleijadas de silabas que não emendam, ou faltam-lhes partes essenciais ou caiu-lhes mais de um sentido (símbolo, sinal, alegria, gozo, manga, coma).  - Espero pela vida adulta e a ausência de curiosidades
Ouvindo: musica contemporânea.




#agosto

Blz, belz, beleza, belezinha. Eu vou ficar aqui, sentado, calado, caladinho. Vou esperar esse cara. Fico assim olhando pro chão, ou, será mais certo olhar logo pra porta. Porque se esse cara vem , me chama eu to olhando pro chão e não ouço ele chama outro. O outro vai passar na minha frente. Tirando o fato de que ele vai receitar o meu remédio para o outro e eu vou ficar com o outro remédio, que provavelmente vai me deixar louco. Com câncer. E sabe como são as secretarias, ficam de olho no que você está fazendo e passam tudo isso para o medico lá dentro, então, quando ele sai da porta já tem uma ficha extensa de quantas vezes você olhou no relógio, (eu: duas. Ele: quatro eu sei. Eu: as outras vezes estava só lendo a marca no logotipo) e quantas vezes você foi ao banheiro. Esse item inclusive é o mais perigoso, existe mesmo a chance de eles te espiarem para ver se o sujeito lava as mãos, olha no espelho, olha dentro das narinas e confere o halito. Eu sei que isso é padrão. Então devo é ficar olhando pra o chão, mas prestando a atenção na porta. Se a primeira silaba que ele disse for a primeira silaba do meu nome. Ju  - levando – venal – vou até o banheiro – liano – pois não? Já seria minha hora doutor? Ou: já seria minha hora? (sem doutor) talvez eu deva até olhar pra o trinco, se ele se mexer já apronto pra levantar. Se não mexer não.  E digo que tarde fresca, que foto familiar bonita, conhece a praia? Ou: que consultório amplo o senhor tem muitos diplomas? Então nos abraçamos e concordamos em encarar esse problema de maneira natural e reta: cromoterapia.  A casa é melhor azul e verde, o teto com cores de aurora de verão e seus sapatos brancos. No tapete motivos em lilás. A cromo – so funciona – terapia – pra quem enxerga. O trinco! Minha – não? – silaba – será? Foi, não foi? Espero? Em pé? 

domingo, 25 de agosto de 2013

, , ,

Um. Porque eu vá viver muito, ou muito pouco. Ou mesmo porque eu devo e preciso desse entendimento gostaria de registrar nesses manuscritos essa ansiedade: porque só uma?

Dois. Por tantas dores, cólicas, sarnas, perebas, feridas e feridinhas, cânceres, cancros, calos, diarreias, viroses, febres, bronquites, alergias e fungos sob a pele. Alem do cansaço.

Três. Por  isso creio que uma só existência não é suficiente, creio ser necessário mais uma dose de eternidade, no inferno ou no paraíso – tanto faz – mais um tempo, mais um pouco de tempo


Já. Pra eu achar a resposta disso tudo, dessas dores que do corpo acumulam na alma. Dessa alma-rocha esculpida por esse vento-existir de modo que o que resta de mim é pedra polida e areia.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

#curitiba

almocei no restaurante de um real, na praça rui Barboza. É otimo ver aquela multidão de pessoas, pobres ou ricas, alguns aposentados, estudantes e mendigos comendo nas mesmas mesas, e também o incrível fato de essa multidão em geral ser ingovernável. Eles podem ser estimulados, podem ser incentivadas e até iludidos, mas dai pra que todos passem a pensar igual, é muito difícil. A multidão não obedece a um líder sem que esse seja realmente o protagonista, ou seja, aquele que agoniza primeiro. Ela que heróis, mártires, só dará ouvidos aqueles cujo rosto esteja marcado por lutas, vencidas e perdidas., a multidão é cruel. Por isso a democracia é um regime de crueldade e demagogia. Aqueles que de uma maneira ou outra conseguem convencer a multidão que sofre por e com ela sem que nada disso seja verdadeiro.

Ou

Já viste um intestino por dentro, ou um pulmão, até mesmo uma boca escancarada? É feio, nojento e até mesmo assustador. Pois o que esperava quando visse a alma das pessoas por dentro?

A fealdade humana está presente em cada exemplar desses seres. O horrível é parte desses seres. Surpreendente não é o crime e o ódio, surpreendente é o desejo por ver apenas o bom e o melhor. Porque queremos sempre o melhor das pessoas, se elas são constituídas por múltiplas partes. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013


Ame. Ou faça

                do amor

capricho mania traço personalista

corpo expiatório objeto de desejo tesão

estudo regra resumo intelecção

dieta fome gula e paixão.

Faça do amor diversão

curiosidade espelho luxo queda culpa medo

devassidão.


Ou ame. Ou viva.  

sexta-feira, 19 de julho de 2013

#Lula


Lula in NY.  Saiu finalmente a primeira coluna de Lula no NY times, louvável. O assunto foi as manifestações, os jovens e um pouco da historia das lutas populares no Brasil. obviamente o texto foi muito criticado por pessoas que não o leram e por outros que não gostam do autor. A essas só resta um foda-se. Porem o texto carregava uma marca, que alias é símbolo desse “Cara” a esperança. Essa bonita palavra esperança é totalmente empobrecida quando dita por um político; é patético um sujeito que tem as condições materiais para a mudança ter esperança que as coisas mudem por si mesmas. Devemos instaurar urgentemente o iPAD, partido dos ateus desesperançado, para lutar contra esses que creem que através de hinos evangélicos, de hinos nacionais,  de cara-pintada o mundo mude, a cultura se altere etc... o iPAD, por ser desesperançado só acredita em mudanças pequenas e lentas. O iPAD também rompe com setores, é em suma individualista, porque reconhece que nossa existência não se dá através de grupos, nacionalidades, setores, ela é única, individual e muito, mais muito mesmo, solitária. O final do texto do Lula dizia para os jovens entrarem na política para se representarem, então você, jovem, que já se sente um velho aos vinte, aliste-se ao iPAD, seja o freio dessa esperança desbaratada que reina no país.


Lula in NY II – “Lula, encontramos seu dedo,está no cu do povo” era com essa frase chula que uma medica demonstrava sua indignação contra o governo. Não foram poucos aqueles que a criticaram por ser tão vil, baixa etc.. mas o próprio Lula não disse nada. Por que 1) não sabia de nada, de novo, ou 2) estava escrevendo, com um tom finíssimo para o NY times. Ironia da vida: a doutora sendo chula e o metalúrgico escrevendo num dos maiores jornais do mundo. Podemos ouvir alguns poucos aplausos, e um ao fundo, é Heráclito. 

ps; o "i" do "iPad" é de ironia. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

#vandalismo

1.       Ajudar os hebreus na fuga do Egito beleza, mas, obstruir o mar vermelho já é vandalismo.  Geral vira piadista no fece nesses tempos de “já é vandalismo” e eu também quero jogar! Mas, digamos que o tal pássaro de minerva (filosofia) começa a subir voo, e querer entender os protestos e os possíveis desdobramentos. A coisa está cada vez mais com a mesma cara de sempre: Brasil oficial e Brasil real. Quando as bombas de gás e as balas atingem aqueles que julgam viver no Brasil oficial, a realidade se mostra dura, a violência da policia, do bandido, do estado faz parte do Brasil real. E esse é um pouco mais difícil arrumar. O oficia já está se arrumando pra transformar isso em plebiscito, em pautas, em reuniões com lideres. Etc.. querem castrar as manifestações do  Brasil real. De outro lado tem a frase feita “saímos do facebook”  se isso for verdade estamos feitos....”se forem tão bom em política quanto são em estética...” diz Caetano, “estamos feitos...” haja visto que as discussões no face são a face mais burra da internet, e acaba em ironia e sarcasmo, ou seja, nada.
2.       A presidente citou a bandeira nacional “ordem e progresso” e nada mais certo que nós pensarmos sobre. Porque, assim, como o hino nacional essa frase fala bonito mais diz pouco. Eu colocaria nesses stautus da bandeira a frase de Henfil: “só dói quando rio”. O Brasil tem essa qualidade, tudo é lindo, o sol, as pessoas, as praias. Mas, quando alguém mexe, quando resolve comparar, questionar, olhar melhor....dai dói. É muita pobreza, falta o essencial, e nessa falta sobra discórdia (o numero de mortes por brigas fúteis!) sobra espertalhões.  Das coisas belas há o povo, alegre e festeiro e quando eu tendo festar também dói mais ainda. Não resta escolha, ou se resolve as causas das dores nacionais ou vamos continuar rindo e doendo.
3.       Aporia – palavrinha foda da filosofia. Em si significa “sem poro”, sem saída. No pensamento filosófico a aporia é um bom resultado pois “zera” um raciocínio. Exemplo: Marx trabalha como pedreiro, ele vendo sua força de trabalho. Sem o trabalho de Marx, telhas, tijolos, cimentos.... Não se configuram sozinhos numa casa. Então quem compra uma casa, feita por Marx, compra na verdade o trabalho de Marx. Mas, o próprio Marx não conseguem comprar uma casa, pois ganha menos que isso. Marx ganha menos que seu próprio trabalho. É um exemplo de aporia Marxista. (como vocês podem ver Marxista aí só significa que o nome do sujeito é Marx se se chamasse Paulo seria Paulinista etc...) e (pra provar que eu não sou de esquerda, é démodé) com base nessa aporia podemos pensar numa outra, que andou circulando a internet esses tempos:
4.       “toda criança, adotada por casais gays foram abandonadas por casais heteros” é um pensamento obvio e visa reconhecer o direito dos casais gays de terem filhos. E, para o bem da verdade, não está correta. A principal característica dos casais heteros que abandonam crianças não é ser heterossexual. Portanto não podemos julga-los por esse mérito e sim pelo demérito de abandonar crianças. Então uma coisa importante para sociedade e mais importante ainda pra alguns casais, que é adotar crianças, não deve ser reduzida á uma frase pra circular mais facilmente pelo facebook. Nem tudo pode ser reduzido a uma proposição lógica. Na minha opinião a característica sexual das pessoas não afeta a paternidade ou maternidade, pode-se ser um péssimo pai sendo gay ou não.
5.       um homem sem religião é como um peixe sem bicicleta ou um homem sem facebook é como um peixe sem bicicleta ou a lastima de descobrir-se mascara sob a mascara sob...a sociedade e suas mentiras tão confortáveis e mais confortáveis ainda por sabemo-lás mentiras. Meu reino por uma única verdade, isso não é um desejo, é uma simples conclusão lógica, uma misera verdade vale todo um reino. Sabe-se que o caminho é feito de pedras, pedras, pedras.  
6.       Filmes assistidos.  
Trilogia millenium. Assisti 1, 3 e 2 e mesmo assim o 2 conseguiu ser surpreendente. Filmes incríveis em vários aspectos, fotografia atuação e principalmente o roteiro. E também assustador ao percebemos que a maldade humana não tem limites e o poder corrompe 99% das pessoas.
Na natureza selvagem – um filme de viagem, belas passagens relacionadas com a vida autentica e a vida moderna “civilizada”. O filme não é uma apologia do viver na selva e sim as perdas e ganhos por se ser o que se é. A verdade pode ser cara, mas, sempre nobre.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

#confissõesdamadrugada

Essa hastag esteve nos tt por alguns dias. Sempre penso que por trás dessas há vários adolescentes ociosos usando de maneira trivial um instrumento que poderia ser tão útil e bla bla bla... Dai depois que esse meu velho ranzinza para de falar penso que é exatamente pra isso que serve esses ferramentas, pra servir ao homem e pra que esse possa reconhecer-se no outro, até mesmo nas suas confissões, inconfessáveis de dia.
 
1.       Tenho medo de ficar louco. Não da loucura criativa de um Van Gogh, esse coisa charmosa, que é muito mais a explicitação de uns idiossincráticos, tenho medo daquela loucura de Camille Claudel, a loucura de um Lima Barreto. Loucura que as mentes, brilhantes ou não, adentram numa caverna escura, sem pensamentos lógicos, sem lembranças. A loucura parecer ser uma espécie de pesadelo sem fim. Devo dizer que não é sem razão que esse medo me assalta. Numas das poucas vezes que me aventurei a experimentar algumas substancias ilícitas, tive a sensação de que minhas paranoias todas acordaram: o medo do escuro, o medo de ser roubado a qualquer hora, o medo que de repente eu perdesse a consciência. Por essas e outras que tento levar uma vida mais saudável.  Outro motivo é que dois amigos já foram diagnosticados “loucos”. Obviamente “loucos” não foi a palavra usado pelos médios e sim “em crise”, (mas doutor somos um geração em crise!) Desses um deles fui visitar no hospital, estava como que em transe, ou com aquela cara de quem acabou de acordar e não está entendendo nada. Foi triste. Pior foi o diagnóstico de um outro amigo “isso deve ser espírito”. A religião tem uma explicação pra tudo, pior que ela só o senso comum. A loucura clinica é triste. Tenho medo dela talvez porque (confissão)  tenho muito egoísmo da minha personalidade, do meu foro intimo forjada a base de decepções e rupturas, mas ainda e, sobretudo, integra.  Então aqui fica registrado, se um dia eu ficar louco mesmo, saibam que estou odiando isso, e que um dia já foi lúcido.

2.       Que meu ateísmo é o resultado natural de um processo familiar: Bisavós católicos, avos protestantes, pais protestantes moderados, eu ateu. Ou seja, o sagrado passou das imagens e ritos, para ritos mais cotidianos, para consciência religiosa, e agora eu, sacralizo nada ou muito pouco. Esse sagrado pra mim está no alimento, por exemplo. Detesto quem come com banalidade, está na conversa, detesto papo-furado, está no riso: a gargalhada tem algo de vulgar e diabólico e sacralizo principalmente o silencio. Quer congregar comigo? Comamos em silencio e se for bom, rimos humildes perante o mistério do universo.

2.   Que em silencio eu desejo a morte pra quem filma alguém comendo, ou pior falando e comendo. Diretores de TV e cinema que fazem isso, por mim vossos lugares estão marcados no inferno.

3.       Que sou anarquista demais pra ser Zen. O budismo e o Zen-budismo muito me inspiram. Nas horas de profunda agitação lembro-me de um monge zen respirando, bebendo chá em silencio, olhando o mar. Penso na imagem de Buda, sorrindo. Penso que seria muito feliz se pudesse entender Buda, Dharma etc... Porem lembro-me  que o zen teve de ser o que é, ele enfrentou muitas guerras, fome, frio intenso. A vida do zen é cheia de atribulações e a meditação, a paciência, o kang fu, foram maneira de sobreviver. Eu não passei por isso, não precisei lutar pela casa onde moro, tenho um trabalho que exigem paciência, mas, sem comparações com o do Japão medieval ou da China medieval e moderna. Penso no Zen com respeito, mas não o encontro como tabua de salvação. E é do caráter do meu povo levar tudo em banho-maria, nas coxas, seria difícil um de nos viver a castidade, o total desapego, ser brasileiro é um privilegio e um vício.

4.       Também tenho o vicio de imaginar-me em outras e variadas vidas. Mas, quem não tem? Poderia ser um muçulmano, com uma túnica incrivelmente branca, rezando para Alá, com a cabeça em direção a Meca e ao sol se pondo no deserto. Meu ser acharia em minha tribo e religião a minha identidade. Eu saberia de cor passagens do alcorão, falaria baixo e com a articulação de quem reza, sempre. Seria profundo.

5.       Acho as pessoas feias, mais elegantes que as bonitas. Não a feiura clássica: falta de dentes; verruga no nariz, cabelos desgrenhados... Acho bela aquela feiura de uma Rossy de Palma, de um Bowie, a feiura luxuosa da Amy, magra de sutiã e um rosário ao pescoço. Acho que é mais identificação que propriamente gosto. O feio está mais próximo, é mais humano. Gente feia não surpreende quando estampa o caderno policial, os ônibus lotados, a câmara legislativa é cheia de gente feia. Porque gente bonita só serve pra posar pra foto.

6.       Volto a loucura. E encontro a raiz do medo. Numa tarde de verão o céu, de repente, escurece. Uma tremenda tempestade cai sobre as casas, arranca telhas, enche os rios e quebra galhos nas arvores, que pareciam tão resistentes. Então nós percebemos que a natureza, que nós cerca e também nos forma, é violenta. E deixar o pensamento seguir o curso de uma tempestade, pensar sem barreiras, pensar, por exemplo, em praticar um assassinato em serie ou no que é o Ser no seu interior,  é fazer tempestade na mente. Creio que isso tem um preço, não é possível pensar pra alem do comum e voltar a assistir o comercial da cerveja e rir. Em suma: pensar dionisiacamente (como Nietzsche) é exigir da mente uma capacidade que não sabemos se ela tem. Talvez por isso exista uma fabula de que nós estudantes de filosofia ficamos meio esquisitos.
      Seriam essas as confissões, poucas pra um mundo tão ávido de reality show, mas suficiente pra me tirar o sono. E agora compreendo melhor esse tag, não é que a confissão afaste a insônia, ela é que tira o sono. Sim, confissões só dão sono em padre.