terça-feira, 3 de julho de 2012


Tornei-me ateu assim como alguém se torna cristão, budista ou islâmico, ou seja, por escolha própria e depois de avalições pessoais e, ciente das consequências.  Enão só por escolha própria como por desenvolvimento de uma historia muito particular. Filho e neto de protestantes, participei na infância de uma igreja das mais severas, onde os ritos incluem vários nãos como não ter televisão, não usar barba, não usar bermuda, não beber só para citar os dirigidos aos homes. Para as mulheres a lista é bem maior. Toda essa severidade religiosa , esse dogmatismo me educou, forjou-me o caráter de modo que quando as duvidas fizeram-me perder a fé, só poderia tornar-me um agnóstico dogmático, ou antes, um dogmático agora agnóstico. Vejo claramente que minha historia pessoal me levou até ao ateísmo. Então não compreendo coisas como “associação de ateus”, ou “comunidade virtual de agnósticos”. Qual a validade de associar-se? Serão os ateus uma espécie de recife, ou insetos que precisam viver em colônias?

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O verdadeiro mal-estar na civilização brasileira é o corpo. Ele é visto e também vê. Ele toca e é tocado. Julga, expressa, contradiz a um discurso etc.. as dobras, a gordura localizada, a dor nas costas, as varizes tudo, absolutamente tudo é valorado, positiva e negativamente. Então só pode ser feliz aquele que constrói o próprio corpo como, transexuais, bombados, atletas, poposudas,ou aqueles que concatenaram criação e corpo: atores e bailarinos.

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É possível sobreviver às teorias literárias? Não se elas vieram antes da literatura. Mas eu, precisamente um mal leitor, nunca me importei com teoria, em localizar o autor no tempo, antes usei da intuição e li, li bastante. Para os teóricos porem, sou analfabeto funcional, para mim, um sobrevivente. Sobrevivo graças a liberdade anarquista me apresentada pela literatura. E que penso só existir nessa arte.

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Mazungo (homem branco em Moçambique) - Um homem brasileiro, munido desua fé em Jesus Cristo atravessou todo o atlântico, e todo o sul da Africa, para unir-se com outros homens, tão dessemelhantes deste  (pela cor, pela comida e pela língua) mas igualmente crentes,  com a missão de construírem  uma igreja,num sitio bastante árido, perto de Beira-Moçambique.  Esse homem é meu pai, herói de outras tantas guerras, quase todas relacionadas com a fé. E agora ele volta ao Brasil, não trás dinheiro ou premio, mas venceu a essa batalha, trás no rosto o sorriso calmo dos vencedores e muitos moçambicanos tem agora um templo para professar sua fé. Esse homem me orgulha, e seus irmãos moçambicanos me comovem e me ensinam, numa língua desconhecida, numa língua de resistência e coração.

2 comentários:

  1. Doutrinas podem acabar com pessoas, sim. Costumes não podem se tornar parte de uma crença. Mas nem todas as igrejas são assim, tem que conhecer... :)

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    1. obrigado pelo comentário, como vê, eles são raros aqui. meu texto era mais uma repulsa a esse ateísmo militante das redes sociais que uma critica as crenças.

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