domingo, 29 de julho de 2012

G.Thomas & CiC


Coberto pelo manto de uma noite fria, com saudades, medos e desejos, me lanço rumo ao bom e velho enigma dessa, que é minha, cidade. Frio: chove, está frio, as pessoas usam roupas escuras, o vidro do ônibus está suado. Ainda assim não compartilhamos, cada um vive o tempo ao seu tempo, cada um dos torturados pelo vento recolhe-se na carapuça e reclama apenas com sua própria consciência. Noite: que guarda os silêncios, os assaltantes, tarados, mortos e mendigos, o crack. Noite que ninguém viu como veio, que nem se esperava tão densa. Toma a cidade pra si num abraço de tamanduá, ninguém sobrevive. Agua: cai do céu num bale guaírico, leve e brando, “chuva de molhar bobo” duplica as luzes, torna escorregadia a calçada. Ethos etilico: vou mais uma vez beber o quanto o estomago e o bolso aguentar, mergulhar minhas memorias todas em copos de cerveja vodca gim vou encontrar o sabor supremo de imaginar-me acompanhado dos antigos e preciosos amores. Amor: a única coisa digna de se viver. A! a noite, revela-se com seus vícios, eu estrangeiro mais que habituado e esse espetáculo cruel, de minhas falsas amizades, de meu verdadeiros desprezos. Eu beijo essa boca de mal hálito. E finda o passeio e um amigo morreu. Trabalhava num bar que eu frequentei, era alegre de riso aberto, era triste de alma, assim como as melhores pessoas que conheço, era Sergio. Não é mais.

. . .
E... e coming
Voa...
nada além de pássaro;
não... senão pássaro.

breve pardal;
lépido sabiá
vem, com
delicadeza,
fura-me os olhos
e voa.

. . .
 

Nada acontece entre o CIC e o Portão. Dai dia desses eu vou emudecer o bairro com meu brado redentor:

“Adoro Gerald Thomas”


E isso em nada tem a ver com seu traseiro estampado nos jornais, nem com sua ultima peça no FTC e menos com o fato dele ter sido amigo de Sam Beckett. Meu adorar e puro e simples: porque ele é inteligente e essa sua qualidade ilumina as outras: audácia, elegância e solidariedade. Audácia: porque se põe á favor de correntes imensas e perigosas do mar profundo da arte: o teatro como manifestação da subjetividade, ou antes, supra-subjetividade (imagens que todos temos e que é a nos oculta). Elegância: culto, fino e do tipo que você pode apresentar á sua avó na saída da igreja (sem medo de que ele fale alguma Buceta no lugar de Vagina (se é que vaginas&bucetas faram parte do assunto)). Solidariedade: porque os grandes espíritos são assim. Como Dalton Trevisan, Golias, Zé do Caixão etc.. surpreendem-nos lapidando joias colidas no infinito do mundo prontas pra mil pontas de interpretações. Isso só é arte. Espero que não fiquem chocados com tão apaixonadas declarações e que o mundo, por favor, continua sua caminhada rumo ao nada. Mas ficam todos cientes que entre o cic e o portão há um ( e outros) antropófagos consumindo com sus miedos.



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