sábado, 9 de junho de 2012

Uma rosa pra Carol.


 

Carolina. A mais casta dos Neves, estava sempre adoentada, passava dias na cama. Suas irmãs para alegrá-la contavam historias de princesas, príncipes e suntuosos casamentos reais. Sonhadora – ela podia sonhar – imaginava uma grande festa para suas bôdas. Mas, o tempo não deixou, Carolina morreu aos quatorse anos. Como de costume, se virgens, enterravam com vestido de noiva.

Carolina, branca como uma folha de papel, num vestido igualmente branco com bordados em prata e um colar com pingente encravado de brilhantes e um madre-pérola no centro. O pai não enonomizara na derradeira homenagem à caçula. Na cabeça uma tiara de infinitos cristais, ao meio, uma pedra de rubi. Era, sem dúvidas, a mais bela noiva morta vista nas redondezas. E poucas coisas são tão belas quanto á uma virgem defunta.

Descansava em paz a menina. A familhia ia se consolando com a continuidade dos dias. E a noticia não parava de correr: “disseram que fora enterrada com panos finissimos”, “ com ouro e prata nos dedos” ou “que as flores eram de narciso importado, isso vi”. Tanto que o túmulo passou a ser visitado por muitos, quem nunca viram a menina em vida.

Numa noite, dois meses depois de  enterrada, três rapazes entram secretamente no cemitério. Munidos de picaretas e martelos eles violam o jazigo. Com pés-de-cabra e barras de ferro ele arrebentam as trancas que celava o caixão.

Dos desejos humanos, poucos encontram barreira na moral, ou no medo. E o da cobiça é um desses. Os homens nada sabiam da vida da menina. Apenas ouviram dizer que com ela estava uma quantia de joias e por essa eles procuravam. Mas, os deuses dos céus ou dos infernos, cobram caro a violação do reino dos mortos.

O mais jovem dos três homens chegou perto do rosto da moça. A visão o petricficou, parte do rosto estava apodrecido, vermes rompiam em indas e vindas as bochechas e os labios, entre o cabelo e a testa pedaços de carne penderam, era visível o crânio. Pórem intacto os brilhantes da tiara, o colar e o grande rubi que cintilava. O rapaz prendeu a respiração, pois o cheiro era insuportável e tateou o colar até o fecho. A moça soltou um suspirou profundo, ergueu os braços e enlalou-os, com força brutal, o pescoço do rapaz. Feito isso, permeneceu inerte, morta completamente, então.

Os dois ladrões correram e deixaram o novato nas braços fixos da noivinha, que possuida de uma força monstruosa o manteve assim até o outro dia. Quando foram encontrados os dois corpos, pois o rapaz morrera de um ataque de nervos.

fim



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