sábado, 30 de junho de 2012

O o bisplo



Porque, quando etc.. Não importa. O rito que vou descrever deve preferencialmente ficar em sigilo. Estávamos em um cemitério, em frente ao jazigo cujo epitáfio era: Aqui jaz um poeta\esse silencio, são suas obras completas. E eu, o bisplo  deveria, como sempre, pousar sobre a sepultura a flor de papel, símbolo honorifico de nossa antiga seita. Mas que por falta de outra demonstração acatamos também, nessa que é a reformada bispos e apóstolos de Maarte. Mas chovia. Do céu ruíam milhares de gotas de agua, precipitavam como suicidas as gotas e...bem, meus companheiros, obviamente não se importavam, visto que não mais possuíam corpos. Mas eu estava encharcado, com sono, frio, e sabia que na volta perderia o ônibus. Tentei apresa-los, mas, todo mundo sabe com é conversar com espíritos....um saco, falamos e consideramos as coisas de modo muito distinto.  Assim iniciou-se o rito:
Aqui – tempo e espaço, cruzando-se como magica, todos e todas as sensações estão ou estiveram no aqui, e a literatura projeta-se qualquer lugar e tempo para o aqui. Donde podemos supor que algo que não está no aqui, não existe e também que algo que está e não se expressa tampouco está de fato, antes mantem-se como potencia.

Jaz- otimamente usando para corpos defuntos etc.. porem é quase um sinônimo de aqui, tudo que jaz, jaz no presente, ou se prezentifica no exato momento que expressa-se. Já Jazida seria mais adequado, disse um de nós que por sinal achava o poeta bem joia. Foi ignorado.

Um – mais que zero menos que dois, mas ainda assim tem toda a singularidade pra si. De modo que não só é único com o mais único de todos. Todos aqueles que dizem: sou um, amplia seu discurso para: sou um e não temo a solidão de sê-lo. O poeta em questão não só fora único como falou sozinho por toda uma vida. O mestre que estava ao meu lado fez uma referencia ao fato de que ele com poeta nasceu vários e foi ao longo da vida, deixando rastros seus nas paredes, folhas e pedras por onde passou, quando estava definitivamente único, morreu. Dai o mestre chorou (meio boiola o mestre) e eu tive de recolher suas lagrimas, como relíquias.

Poeta – aqueles que escrevem poesia, poemas e outras inutilidades. Bebem muito, trepam pouco e são a voz e o corpo do seu povo. Não existe um poeta que não seja expressão máxima da sua cidade, província, aldeia. São despojos da língua, necessários pra manter a razão na maioria, visto que assumem pra si a desrazão das palavras. E também transformam aquelas palavras que encontram-se no aqui apenas como potencia e as atualizam.

Esse – iniciemos a uma conversa, situou-se o estado presente como comum a interlocutor e ouvinte. Alguém disse esse, então esse é um laço que liga o presente, do que jaz, como o presente daquele que lê.  (foi o momento mais bonito da celebração) de modo que estamos conectados como que jaz , no exato momento que lemos o esse.

Silencio – (nada a dizer)

São – ouve um certo vuco vuco, ao chegarmos a essa parte, porque não sabíamos que o silencio poderia ser mais que um, e sim, há uma logica possível nisso, um se cala por não ter nada pra dizer, outro porque não pode dizer, outro ainda por medo, vergonha, pudor. O silencio é a musica universal. Saber dançar o silencio é saber criar a própria felicidade. E sim, são.

Suas – novamente estamos sós, o poeta desata o nó que ligava a ele, e cumpre sua missão de único, protagonista, vanguardista, recorda-nos que suas e apenas suas são as

Obras – vinda não sei da onde, e não sem razão. Inauguraram uma forma? Emocionaram? Fundiram idiomas num talvez tratado de paz?  Eram obras, eram coisas feitas e ocuparam um lugar no tempo,  vão desaparecer junto como idioma que foram feitas. Eram construções de matéria: palavra e às vezes, emoção. Obras pra pedreiro nenhum botar defeito.

Completas – com um circulo, um trajeto de cometa, a agua de um rio. Tem de completar-se, chegam, invariavelmente ao seu fim, nem antes nem depois, na hora exata. Um disse  “ a natureza não faz nada em vão” ignorei.  Não compreendi.
Finalmente acabou, corri para o tubo, mas perdi o ônibus.  

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