sábado, 9 de junho de 2012

caderno de exercícios.




                                                    Uma bailarina de pés quebrados;
                                                          um cão sarnento;
                                                          uma vida sem amor;
                                                          palavras sem sentimento.


 

 Falta injustificada

Faz quatro ou cinco dias, mas poderiam ser meses ou até anos. Eu resolvi por conta própria acabar um suplicio. Fiz o que qualquer pessoa faria. Ou melhor, fiz o que qualquer personagem de Goethe gostaria de ter feito: suicidei-me. Fracassei, porem. E a quatro ou cinco dias ou anos recebo a visita de amigos e parentes. Em seus olhos um misto de curiosidade mórbida, com desprezo e não raro um riso preso. Confesso que também eu quero rir às vezes, mas tenho dois tubos da boca, pra oxigênio e comida. A senhora minha mãe, que veio de sua cidade assim que soube do ocorrido tem no olhar a mais difícil das perguntas, e o paradoxalmente o mais apaixonado carinho. Entretanto com o seu amor de mãe não foi capaz de evitar um tormento eterno que ela causou em meu espirito: me perguntando ao ouvido “Porquê?” desde então passo noites e dias ou talvez anos, como disse, a procurar a resposta e não a encontro. “Porquê? Porquê?” ecoa como uma reza satânica. “Porquê? Porquê?” como se todo o universo esperasse por uma resposta convincente. “porquê? Porquê?” por amor?, Doença? Fome? Arte? Honra? Ou !?. “Porquê? Porquê?” e por mais que tente não consigo lembrar, ou criar, um motivo só posso pensar: “porquê não?”.

Ato cronológico.

A mãe está nas últimas contrações. O bebê nasce. Os médicos entregam o menino para a mãe que sorri num misto de alívio e dor e entrega ao pai. Ele sorri, ponha o bebê a distancia do braço, tira o revólver da cinta, mira na cabeça da criança e dispara. O projétil sai da arma, segue o rumo da testa do menino. Lento mas, ininterrupto. Colocam o bebê no berço, na cama, na pré-escol
a, no primário e o projetil avançando sempre. Sem perder seu alvo. Chega a adolecência, a vida adulta, ao amor e desamor, á velhice. Aí falta poucos milimetros para que o pequeno pedaço de chumbo cumpra sua meta. E numa noite, com o céu nublado e vento frio…xeque: o velho sente uma leve dor de cabeça, desculpa “é um AVC” e deita. Xeque-mate: morre.


O desquite aconteceu 
Porque você tinha mais
sonhos do que eu

 
Com essa cara de fome
Nem o tempo te come.



Peidei em sol-maior
Se é mais porco
Peide em Bach de-cor.



Digo,
sou sincero:
o simples do mais simples
é o que quero.

  


 a) depois de um sexo selvagem você pergunta confiante "foi bom pra você?".
 b) depois de um sexinho malomeno você pergunta ansioso "vamos nos ver de novo?".
 ou
 c) depois de um fio-terra você ordena vingativo "agora cheira o dedo desgraçada!".



Nome de filha que homenageia o velho e o novo: Hacker de Queirós.


Meu pensamento está como a flecha de Zenão, não se move porem não está parada, antes inquieta-se no mesmo lugar.



É como estar numa galeria de arte, cercado de obras-primas dos melhores pintores e escultores mas perceber que trata-se de um labirinto… a cada volta mais e mais obras, a cada virada mais e mais beleza mas, não saída. Viver é muito perigoso.

  
O homem de colete e bigode dança ao som do creu. As pessoas riem, porque ele é solitário e bêbado, porque ele não pertence a essa cidade nem a moda atual. Não há censura, nem decoro: todos os diferentes serão tratados com diferença e quase sempre descriminados. “Haja de tal modo que a máxima de tua ação seja inferior a minha e assim posso ser feliz”. Eu por minha vez, aconselhei-me a partir, a deixar para traz essa multidão indigna de liberdade, mas... (inferno) só existo pertencendo-a. Então me juntei a roda dos que escarnecem e tive uma ótima noite.


Novamente você tinha absoluta razão: não sei cuidar da mim, nem dessa casa, nem de um miojo que fica cinco minutos ao fogo e tem que temperar depois... AH! Sim eram três minutos. E você não gostava quando eu colocava o tempero pronto, que dá azia e comia em frente a TV que dá miopia. E dizia que eu não sei me alimentar direito e nem me vestir bem. Tudo isso! Você tinha razão. Então por que partiu? Aqui você estava sempre certo... Porque ir ao encontro desse incerto futuro, porque não escolher esse habitual mundo de coisas tão familiares? Acho que você não sabe o que quer. Eu sei: você de volta. Tudo de volta.


Imediatamente calei. Esperei que o coração e a mente se aliassem. Pensei em correr, mudar de rumo. Pensei na praia, no água do mar, nas nuvens que certa vez descrevi num poema lindo, que todos acharam péssimo. E quando calmo refiz a pergunta. A resposta foi a mesma. Corri. Mudei de rumo. Fui ao mar. Rasguei todos os poemas. E não, não posso suportar. Você lembra? Era apenas um personagem 2d de minhas segundas intenções, era um ponto entre mil relações que construí. E agora desfia minha teia, com a calma velha que destricota. Você não tem medo de mim? Você não tem pena de mim? Dó....tem?


Ensinamentos: se você der um peixe para um homem ele come um dia.
mas, se você der um homem para um peixe, meu irmão, ele como por uma semana...
e mais: se você der um caramelo pra um banguela, vei, ele batalha com ele por duas semanas... e se você der uma mão pra um canibal, ele lancha.





 E no próximo bloco: (sabemos que até lá você já deve ter esquecido tudo de importante que foi dito nesse ((menos da bunda da fulana)) e deve ter adquirido novos desejos imprescindíveis por meio de nossos comerciais, terá a paradoxal sensação de que tua vida é uma merda sem aquele carro, mas, pode parcelar em sessenta vezes e ser assim feliz e que para dor nas costas nada melhor que uma droga nova, novíssima, muito melhor que aquela outra recente, e que mulheres são facilmente atraídas pelo cheiro do novo perfume e que tudo cientificamente provado é tão certo quanto Deus. Você faz parte de um povo que não desiste nunca e não pode, em hipótese alguma ,fazer parte daqueles que não tem Visa, Net, Axe (( ou outro algo de poucas letras))) no próximo você tem a importância que teve nesse: nenhuma.



Facebook vicio psicanalista barato que me ouve e ouve e sei lá o que pensa provavelmente o pior visto que nada pode dizer a não ser curti ou nada e a segunda opção é muito muito mais usada e meus pobres dardos indiretos ão de atingir o alvo? meu fiel amigo devo admitir que apesar ou por você posso me imaginar conectado com o mundo dos anonymos e cults e críticos e politizadas amigos virtuais que da minha vida nada sabem e eu por minha vez aprendo sobre mim na medida em que não sou nada disso porem chega esse momento que tenho pena de mim forever alone sorte ter adicionado Derpino que ironicamente me questiona e a minas pira no Jesus curtido por milhões e criticados por outros milhões é linkado googado gifado pra render mais e mais discussões e divisões partidárias nesse mar vermelho azul rerepartido pela citação de Clarisse e caio quando a primeira dizia sentar a vara nesse escritor baitola mas foi bloqueada. então aproveita e #vetaTudo



Acordei, cadê minha antiga solidão? Onde está a velha nostalgia da Curitiba perdida? Cadê os sonhos da juventude que ia mudar o mundo? E o sentimento de amor universal? Ah! Lembrei que os matei todos ontem, pouco antes de dormir, pouco antes de desistir. Estão todos mortos e seus corpos putrefatos já nem cheiram. Que bom que fiz ontem o que deveria ter feito hoje, assim posso inventar novos fantasmas pra viver hoje e matar amanhã. Assim posso construir novos castelos mal-assombra-los e derruba-los outra vez. Um bom dia, também acaba.


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