sexta-feira, 25 de maio de 2012

O Gênesis.


Gênesis

                                                                                                                             Para Camila Lazarotto


                K. J. Puzzler nasceu praticamente cego. “esse menino é praticamente cego” disse o medico assim que olhou nos seus olhos. Que eram cinza-azulados. “ele deve usar lentes escuras por toda a vida” teria dito o homem-da-ciência. Os pais compraram as ditas lentes e recomendaram que jamais as tirasse.

                Todos os Puzzler trazem no sangue um quê qualquer de inventores, poetas ou outras genialidades. E com K. J. não foi diferente, ainda muito jovem ele descobriu a técnica de fazer vitrais. Mas como era genial logo sublimou a técnica. Com quatorze anos era o melhor vitraeiro da cidade.

                Sempre usando lentes escuras ele dizia “ver a luz” de forma diferente e por isso a necessidade de desenhar com ela. De fato, os vitrais de K. J. Puzzler se completavam com a luz do Sol. E o próprio Sol parecia muito satisfeito quando seus raios atravessavam os vidros, pintados e montados pelo talentoso Puzzler, para atingir os salões, escolas e pequenas igrejas dos arredores.

                Certa vez um viajante passou pela Cidade e encantou-se com os vitrais, levou a noticia até os superiores do Vaticano. E esses mandaram uma comitiva para avaliar as obras. Todos acharam-na divina a resolveram que o próprio Papa deveria conhecê-las .Mas não um obra qualquer e sim uma nova, feita especialmente pra ocasião da visita papal.

                K. J. Puzzler trabalhou por semanas, de sol a sol. Inspiradíssimo. Não era um vitral qualquer era a sua obra-prima na janela principal do átrio da catedral.  E para isso escolhera o tema: Gênesis.

                No dia da visita do Papa toda a cidade foi ver a inauguração do grande vitral. Que estava escondido sob uma enorme cortina azul. Assim que a orquestra terminou de tocar o hino da cidade, duas autoridades locais puxaram as cordas e a cortina precipitou de cima a baixo revelando uma obra magistral, sublime. O santo Papa pôs-se de pé e emocionado disse “lindo!”. K. J. Puzzler também emocionado sentiu que era o momento de, ao menos, espiar sua obra sem as lentes. Tirou-as lentamente, quando abriu os olhos sorriu ao ver tamanha beleza, mas a luz queimou-lhe os olhos e ele ficou totalmente cego.  

fim

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