domingo, 29 de abril de 2012

Opus 29 – opera para invernos



O ator corre de um lado para outro, não percebe que sobre si, um milhão de estrelas brilham, ele chora, corre e chora.

Para no centro do palco e diz com profundo pesar o nome da mulher amada, que o deixou. ele nesse momento representa toda a raça humana, que é bela o suficiente pra amar, e burra o suficiente pra chorar por amor. Seu coração está estilhaçado, ele faz planos suicidas, e pensa em mandar flores, ou a orelha. Sua, ou aquela que fora sua mulher, não poderá jamais preencher o vazio que deixou, porque agora ele é o vazio. Seus pais surgem com conselhos, o uns biscoitinhos, a mãe tem um ar suplicante, de quem implora para o filho que se erga, o pai traz no semblante uma imagem complacente, porem parece sorrir dessa juventude que nada sabe e tudo finge saber “bem feito, idiota, quem mandou trata-la como uma deusa”. Nosso herói continua destruído no centro do palco, e novamente não percebe os milhões de estrelas que orbitam no céu, indiferentes aos seus suspiros, porque o universos não pode parar novamente por causa de uma simples paixão mal resolvida, porque se o mundo um dia esteve com ele foi na ocasião de seu nascimento.
Um coro de homens o encoraja a vingança, sua mãe pede que perdoe.

O mundo já está tão violento, ela diz ao que os homens respondem, sim uma morte a mais ou a menos nem será percebida. O chão escapa de seus pês, ao olhar para o alto e perceber que o céu está cheio de estrelas e ele esta completamente só. Mas tenta ouvir o que falam: a vingança vale, não vale. o pai mudo, o céu tão belo. Seu peito começa a sangrar, suas mãos endurecem, ele percebe que o momento crucial da decisão aproxima-se, deve perdoar ou vingar, deve matar ou morrer, sorrir superior ou chorar solitário.

As deusas musas descem do céu

As estrelas que até aquele momento apenas assistiam, descem na cena. São mulheres lindas e estão nuas, com seus seios firmes livres, bicos e aureolas rosadas hipnotizam a todos os homens do coro, até o pai, que até então não tinha prestado atenção na cena, não consegue não olhar as mulheres lindas e nuas dançando, seus cabelos, suas bundas, braços, cinturas, barrigas, tudo o mais perfeito, a beleza encarnada num corpo.  As musas dançam em grupo, são unanimes na beleza.

O coração do ator bate junto com  das musa

Uma das musas chega-se perto do ator, ela é linda loira e alta, tem olhos profundo e canta numa língua impossível, as musas a acompanham como num transe. Elas brilham, ela toca no rosto do ator, elas aproximam-se mais e mais, com suas bocas sugam-lhe as feridas, com suas salivas, umedecem seus olhos, com seus cabelos secam suas lagrimas, despem-no.

A mãe tem um ataque de nervos.

A mãe trava a cara numa mascara odienta, franze os cenhos, e pragueja contra a sem vergonhice dessa juventude ousada. Diz a todos  que eles, e as musas não entendem nada de arte e que se teatro é isso, o que é Shakespeare, Racine. Se a arte é isso que pode ser uma obra de Michelangelo, lixo? Lixo? Lixo é isso que se vê atualmente, quando um urinou vira arte vocês vão mijar aonde? aonde? nos palcos? Meu ouvindo é penico? Questiona  a mãe. E sai.

O ator sente a volta do espirito

Será o seu pai, ou o fantasma de seu pai? Nem um nem outro, seu pai não morreu e é o próprio que está a sua direita e não tira os olhos dos peitos de uma das musas... o espirito que se aproxima do ator é aquele que sempre moveu toda a arte teatral, o renovação do mesmo e puro sentimento de ver e ser visto, da novidade, do novo de novo, de no vo. E o espirito do porvir.

A humanidade fala

Se um homem apaixonado que pensa em suicídio ou vingança é o mote para uma peça teatral, se as estrelas estão nomeadas e os medos já não assustam, então:
Humano demasiadamente humano e.... grita o ator, preso na sua humanidade, nos limites do corpo, nos limites do desejo, nos liames estreitos da razão. Em tudo vê a mão do seu pai, ou sua própria mão, em tudo percebe o seu paco reflexo que o interroga. Cadê a poesia? pergunta-se. Mas as pura poesia, musa das mais castas estava fazendo um oral para um dos homens do coro. E a ciência? Mirava o céu. Dizia que ele só pode ser curvo, ou largo, ou relativo. e surda não prestava atenção aos apelos dos pasionados.

O ator canta

A cantora e resolvem aceitar suas caricias intimas, sugando-lhe os bicos dos peitos. Acaricia a bunda e dá-lhe uns tapas, ao que ela responde com gemidos, falsos.

A mãe volta

Vim pra pedir perdão. Todos a olham, ela treme os lábios e fala novamente, perdoe-me porque te amo, porque te quero num caminho reto, um caminho que foi trilhado por nossos antepassados e bem ou mal, estruturou nossa vida.  Quero as coisas nos seus lugares e a vida seguindo ao seu aspecto mais natural, pois tudo mudou, menos o meu amor.

As musas sobem ao céu.

Começa uma grande tempestade, as musas sobem pelas gotas, a agua lava o sémem derramado, os homem do coro iniciam um canção sobre a vitória na guerra. O pai aproxima-se da mãe com respeito, o ator decide continuar sem grandes conversões, apenas com saudade e rancor.

Todos olham para o céu com curiosidade.

Mas as gotas impendem de ver as estrelas.

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