terça-feira, 10 de abril de 2012

caderno de exercicíos

Eu andando de cômodo em cômodo, parecia que a cada passo iria ouvir a voz dos meus tios, das crianças, dos primos falando de politica. Mas, só restava o cadáver dos tios, das crianças, eu tinha convencido os cadáveres dos primos que minha opinião é a mais forte, porque só eu tenho um pistola e uma escopeta nas mãos. Essa bela casa fica mais bonita quando silenciosa. Essa vista para a chácara, ainda tem o eco dos gritos? A tranquilidade voltou enfim. Eu a trouxe.

...


Chove.
A porra da porta está fechada, e eu aqui fora.
Merda, merda, merda, merda!!!! Se não sou o mais azarado porque nem isso a sorte me reservou pra concorrer.
Vou queimar a casa pra esquentar? Esqueci meu isqueiro
Vou me enforcar? A corda está podre, e me dá uma coceira danada no pescoço toda vez que tento.
Bato na janela, bato na porta, escalo a chaminé. Tudo em vão. A casa está lacrada.
Lá dentro um bebê chorando, um cavalo que relincha e uma velha, com uma vela.
Jogam truco.
É minha vez de jogar e eu aqui fora.
Na chuva.

...

Os casais dançam. Todas moças de saia, sorriem, e os rapazes repetem o coro com prazer:
“Foder de quatro, foder de lado.
Hoje a noite é no mato é no mato”.
Chalote, quente de tequila, para um dos músicos. Que passa? Dar uma mijada gata. Quer que eu segure? Só se for agora... No banheiro Charlote não dá tempo pra conversa, cai mamando, e o cara prova que além do baixo sabe tocar uma boa siririca. Goza Chalote. Olha para o teto e tem uma visão. Todos ali numa só família, irmandade. Ela volta ao salão e proclama sua profecia: “todos devem gozar juntos e os mais fortes ajudar os mais fracos”. Mas ninguém deu ouvido. As moças sorriem e os rapazes continuam no estribilho ególatra: “fode de quatro, fode de lado, hoje é no mato, é no mato”. Triste Charlote. Terá de fugir para a capital pra tornar-se Charlote Danke a sacerdotisa do pau duro.






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