terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Caderno de exercícios

Técnica:
Pra ganhar a vida
Escreve bilhetes suicida.

. . .

Sugestão:
Não acate
É apenas opção.


. . .

Guarde seu amor
Esconda seus sentimentos
(eles são preciosos) e
(eles são você) mantenha-se
Casto e reservado
Pois o amor é importante. Porra

Guarde seu amor
Reserve, como vinho,
Seus melhores sentimentos.
Mantenha-se casto e cerimonioso
Pois, todo esse sentimento
Será posto a prova:

Numa noite, bêbado e fudido
Há de entregá-lo a quem nem
Merece ser citado…

Luxo é importante. Porra

. . .



Testamento (fatídico) do mal artista


Já expus,
tudo

(até o pus)

Droguei-me ao público

(pudico)

Cantei minhas dores

(tenores)

Lacei opinião

(doce solidão)

e…

nada, as musas, a inspiração abandonaram-me ao léu. Na ruína do que seria o mais rico castelo. Já nem tenho prazer em/me ver.
            (O mal artista é aquele que não se apraz na arte de outros e tampouco consegue criar a sua. É um órfão estério. É o fim de todos os sonhos, é solitário de nascença , cujo testamento nada consta)

. . .

Com Céu.

 
            Era uma vez um Francisco de Assis que chamava os bichos e os astros de irmãos. Eu que não sou santo, não chego a tanto, chamo-os de amigos. E as vezes, no auge da riqueza, tudo que precisamos é de um amigo. Eu, que me dou o direito de ser bobo, vejo, acima um bom amigo: esse céu azul, bucólico, uniformemente monótono. Com ele converso:

- E agora? Anoitece. Vais descansar?
- Nada. estarei na noite também.
- E não se cansa? Tudo tão igual.
- Não. Nada é tão igual assim. Aliás, quem é você? E porque esto conversando contigo? se nem conheço teu idioma.
- È…eu…
- Hahaha! Estava brincando, queria ver até que ponto você é capaz de sustentar essa maluquice.
- Há!...você me assustou. Mas, sabe que eu também tenho a noite toda
- Se tudo é sempre igual, como tinhas perguntado. Engano seu, eu vejo tudo daqui de cima. Assisto (calado) aos grandes eventos da humanidade, sei decor todas as grandes revoluções, (que enchem o céu de fumaça) e também as miudezas: as pequenas miudezas humanas, tão cheias de graça, tão pueris e, invejáveis. Os primeiros beijos, (todo humano tem um) toda primeira saudade e a primeira dor. Não raras vezes vocês me olham, me encaram como se eu tivesse alguma resposta (oh! Céus!). Ver o ser humano sendo humano não deve ser tão interessante mas, sendo eu… Interessantíssimo!!

- E a monotonia?

- Não sei. Nunca estive doutra forma. Sempre fui em todos os momentos, apesar das intempéries, esse que vos fala. Sem passado ou futuro. Apenas presente, sem pontos de referência pra antes e depois, só a totalidade.

- Te invejo. Sou justo o contrário, tenho tempo determinado pra cada coisa. Tenho fim. mas, pior que o meu próprio fim é o fim das coisas, das amizade, das tardes de sol..

- Não posso saber se o que você fala é verdade é-me impossível experimentar. Porem, vejo beleza nessa susseção. Creio que, como agora, o canto do grilo sucesse ao da cigarra, cada um no seu tom. Ou seja, o antes e o depois com suas belezas particulares e conectados.

            Nesse momento deixei de tagarelisses e fui assistir TV.

Fim

. . .



E se?

Cessássemos nessa a última sessão
O espetáculo do sofrimento alheio?
Ou seja, a maldade humana
Sobre humano.

E se todos os nossos maiores
Problemas provem desse?

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