quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Aquele mundo


Passei a infância toda ouvindo o silêncio do meu pai e o cantar, murmurado, dos hinos de minha mãe. Numa casa sem Tv, onde imperava a moral calvinista. E naturalmente, eu era feliz. Porque, sobre tudo existia um mundo fantasioso, uma mente capaz de criar milhares de outros mundo alem daquele. Como não havia a imagem da tv, era a imaginação quem criava as paisagens dos mais longínquos paíes. Evidentemente a Bíblia era o livro capaz de sucitar as mais incriveis e terriveis aventuras. Do cêu ao inferno era tudo criado e vivido por mim, nas noites sem sono. Na rua onde morava, só havia pessoas mais velhas, e todos muito quietas. Existiam também algumas crianças. Porem, todas sob uma guarda acirrada das mães, porque em Curitiba não raro um homem “assim-e-assim” pegava crianças para vendia no exterior ou “coisa pior”.   
Entretanto, vez em quando, esse mundo de austeridade estremecia e uma verdadeira revolução acontecia. O silencio da noite, interno e externo as casas , era quebrado por um furgão que vendia churros. Era um furgão alienígena , amarelo claro, com um alto falante tocando musicas “do mundo”. Na parte traseira existia como uma lanchonete sobre rodas, onde uma moça, muito simpática, nos perguntava o sabor do churros, retirava-o de uma panela cheia de óleo quente, megulhava em outra cheia de acuçar, colocava-o numa maquina que o preenchia de DOCE-DE-LEITE!. Era o maximo do hedonismo, quase um pecado, e com o consentimento dos adultos!. E o pior: essa carroceria fechada era iluminada por um lux claríssima, quase cegava, pois todas as casa só tinha luz incandescente Philips 60W. O Carro do Churros trazia pra minha rua todo um mundo que eu jamais havia visto. E quando ia embora nos deixava, alem do gosto da massa, uma escuridão ainda maior e a duvida: O que terá mais no mundo de onde esse veio? 

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