segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O passatempo do passar do tempo.


"Deus existe?" é uma questão comum em discussões pretensamente filosóficas. "Pretensamente" porque não é de direito de filósofos ou de filosofias determinar verdade ou falsidade á está questão. Ainda mais quando sabemos que numa pergunta como essa escondem-se diversas outras como: Qual Deus? Porquê? Etc...

Sapientíssimos, gordos e bem-servidos, Agostinho e Tomas de Aquino eram ilhas de vida iluminada no mar de ignorância da idade média. Eles pensaram filosoficamente a existência de Deus. Tomas, influenciado por Aristóteles demonstra isso em cinco teses, entre elas a do movimento: se tudo está em movimento, existe algo que impulsiona esse movimento. Vejamos: o tempo, está em movimento e é impulsionado por… outro tempo, o seu anterior, ou o mesmo tempo, que imensamente  grande passa sem que percebemos (nós os finitos) a sua finitude. Para os teólogos ele, o tempo, está subordinado ao Eterno, que é Deus. Então passado e futuro são necessários, pois já estão configurados pelo próprio mover-se do tempo, sob o olhar atendo do Eterno. Sendo assim o movimento é necessário e não-livre.

Na língua portuguesa usamos tempo para tempo-relógio e também para tempo-clima. Assistimos cotidianamente a previsão do tempo não para saber se as próximas horas terão sessenta minutos mas, pra saber como será o clima nos próximo dias. Porem o tempo-clima é essencialmente diferente do tempo-relógio porque não é idêntico a si mesmo, ou seja, um dia chove, outro não. Enquanto todos os dias tem vinte e quatro horas, invariavelmente. Nesse aspecto o tempo-clima demonstra que na natureza as coisas são livres e movem-se sem a necessidade rígida do A=A.

Para Nietzsche todos os movimentos provem de forças e essas são finitas por que as coisas (materiais) são finitas e estão submetidas a um tempo (ou possibilidade de tempo) infinito. Portanto um dia tudo se repete e volta a repetir-se infinitamente. E não seria isso acabar também com a idéia de movimento? Se tudo está num movimento necessario, tudo não está – paradoxalmente – parado? Um rio que segue seu curso, movimenta-se?

Afirmar que existe ou não o movimento, a liberdade, a eternidade é risível até mesmo quando proferido por pessoas do quilate de Hegel, Kant, Nietzsche porque eles não estiveram lá pra saber. Então pensar sobre isso é apenas um diletantismo mas que serve pra conhecer a fronteira do pensar, dos conceitos, das contradições. Para poder inferir juízos possíveis sobre coisas possíveis do mundo cotidiano. Não vejo melhor função pra o filosofo.



img: filósofo meditando, de Rembrandt

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