segunda-feira, 24 de outubro de 2011

prioridades.professores.revolução.

Atualmente três assuntos tem me preocupado e me instigam pra uma ação, ou melhor, uma ação consciente através da teoria mais a pratica. São elas 1) a conversa em sala da aula dos alunos, que me parecem traduzir claramente o desinteresse pela matéria. Transformando as aulas em momentos muito menos produtivos e desgastantes. 2) as revoluções sociais como a ocupação de Wall street, os protestos no Chile, na Grécia e também no Brasil, como POA e Rj através do grupo anonymous . Até onde isso é serio? 3) provocado pelo colega Fernando Oliveira, preocupa-me nossa situação profissional de professor, que ao contrario de outras categorias parece perder direitos, ou a Ascenção de um discurso – podre- de “amor a profissão”  e que deveríamos trabalhar em condições precárias dado esse “amor”
Ao unir essas três temos:
1 e 3) esse profissional vem através dos anos perdendo sua importância. Pois sabemos que vídeos aulas, internet, redes sociais tem contribuído enormemente pra aquisição de conhecimento, não precisando mais o aluno desse ser de Carne-e-osso ente ele o conteúdo. E conforme demonstra Fernando oliveira a politica ou a politicagem arrebentou com o elo mais fraco que liga o cidadão ao governo: a educação e dentro dessa o professor. Baixos salários, preocupações com a própria segurança física e emocional e o pior: descaso por parte dos alunos e do Estado. O professor é uma ilha cercado de indiferença por todos os lados.
2 e 3) e se os professores ocupassem as praças e amassem trincheiras nas ruas para protestar contra essa indiferença?  Não. Ao invés de chamar a atenção da mídia, das redes sociais etc... o professor deve propor a conclamar seus alunos pra uma revolução mais profunda. Uma ação que é o oposto do que querem os poderosos. Uma ação educativa (o povo levando a serio o estudo e fazer o contrário do que deseja quem detém o poder) que tal uma micro-revolução dentro da sala. Ocupação do espaço do professor pelo professor?
1 e 2) quanta força, quanta coragem e quanto talento sou capaz de perceber nesses jovens: os que ocupam Wall street, os que protestam no Chile e os que ocupam as carteiras das salas onde leciono. Esses, alias, percebem melhor por conta da proximidade. A vitalidade e a rapidez do raciocínio. Mas o que diferencia aqueles desses? Aqueles querem contribuir para um mundo melhor. E esses? Também querem.  Esses como aqueles querem um mundo sem autoritarismo. Problema é esses imaginarem que a figura do professor trás o autoritarismo - o que não é verdade - ou o oposto: submisso demais. A esse autoritarismo ou submissão os alunos respondem com indiferença deixando o professor falando sozinho. Aqueles que protestam tem aprendido na pratica o que é politica e como se faz a História já esses são obrigados a ver apenas figuras nos livros. Se for esse o maior motivo do desinteresse saibam os alunos que é possível agir sobre o livro de História, pensando sobre eles (sobre como superior a ). Uma grande revolução começa no interior do agente e pensar é sair da inercia, politicamente inclusive.

domingo, 16 de outubro de 2011

Quero escrever um poema, Plá



Pra dedicá-lo aos filhos de Cassia eller
Pra pronunciar com som de Gilberto Gil
colá-lo nos meus Bob marley cabelos
e nas paredes do Caetano cassarão.
Jhon lennon cair Kurt subir por suas linhas.
 - necessariamente ele terá rimas com filho da puta
Caralho porra vai tomar no cu se fuder minha buceta na tua cara.
(pra espantar os maos espiritos ) -
Zé Celso irá declamá-lo numa peça.
Se ao contrário e mariabetanicamente pronunciado abre portas do cêus de Van Gogh e da Winehouse
Conduz a luz do astro Ray
Lêlo-ia em estacatto luceliasantos no centro da margem.
Rasgado, abolido e rimbaud ele incomodaria mais que Billie Holiday nua na banheira com Rê Bordoza.
Todos os jotas serão referanciados aos anjos, Janis Jim Jimi
Nas fontes, na tinta, na cola entre letra e papel, Lee
Lido e lindo colorido por Elis,
ele é, ele is.




img: marysiaportinari

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

teatro no domingo.



Um desavisado entou no teatro e gritou “ O REInieri está nú!”

O que o espetáculo “Isso te interressa?” diz, falando ou não:

Que teatro é pra poucos: 36. porque não basta ser de difícil acesso na estética, tem que sê-lo também na prática. (sou especial e consegui assistir depois de duas horas de fila)

Que autores cools são estrangeiros, rasos, burgueses, monotonos. E os brasileiros são calorosos, coloridos demais e não cabem num palco que preza o espaço vazio.

Que atuar é pra fracos, teatro mesmo é uma coisa entre performance, exibicionismo, conceito, nome-a-selar e cenário interativo.

Que a atriz Nadja Naira brilha mais que a luz que ela mesmo projetou e que vale o sacrficio (duas horas, lembram?) vê-la atuando.

O corpo nú é bonito, mas enjoa

Que se é pra falar de gerações Garcia Marquez faria mais e melhor.

Que senhoras burguesas francesas tem um talento especial pra escrever - livro de receitas.

Que um cachorro pode salvar um peça.

Que o Novelas curitibans é o nosso LaMama, mas, com lei de incentivo.

Que blackout  longos são um saco -  Nunca sei se a peça já acabou ou faz parte desse manifesto anti-carnaval das companhias cuitibanas.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

uma palavra imprópria



Era uma vez uma palavra, ou era uma vez um sábio que falou uma palavra, ou era uma vez um sábio que num dia não tão sábio falou uma palavra no meio de um sermão e a palavra não encaixou no todo. Não que ela fosse CAIXA ALTA enquanto todas eram caixa baixa e nem isso ao contrário. Ela não encaixou por própria incompetência ou incompatibilidade.

Era um vez uma palavra fraca – estanha que as vezes envergonhava sua familia-frase ou prejudicava seus amigos, moradores do mesmo paragrafo. Houve uma duvida que essa palavra fosse mesmo desse idioma mas, a luz dos novos tempos já provou a possibilidade real de que essa língua aceite palavras de outra diferanciado-as por intemédio de um estilo italico. Pórem ao vestir essa palavra de italico percebeu-se o quão redícula ela ficou, (algo como um folião travestido de mulher do carnaval de Antonina, que corre para o enterro do pai sem se trocar) Não! A palavra era desse idioma mesmo.

Uma palavra pesada – certa vez essa palavra foi parar dentro de um delicado poema de amor. Esse poema era leve, flutuava tal qual fumaça de insenso e era apanhado no ar por longos suspiros de moças e rapazes apaixonados. O mais lindo dos poemas. Mas, tal como um espinho na carne de peixe frita essa palavra cravou na boca e na alma dos leitores e ouvintes e o poema desandou, estragou, estourou a bile do poema e ele ficou sujo, feio e venenoso, por causa da palavra pesada entre tanta delicadeza.

Uma palavra leve – houve um acordo de paz entre dois povos, inimigos tradicionais e por causa disso os povos celebravam as boas colheitas, animadas festas, casamentos, ferias, pic-nic com os filhos etc. A paz, até então desconhecida, mostrou-se a melhor das instituições . Então foi marcado um dia para uma grande festa onde todas as pessoas iriam celebrar a paz. Ergueu-se uma grande tenda, toneladas de alimentos foram preparadas, toneladas do melhor vinho. Todos usavam suas roupas mais belas… Por fim o discurso daquele mestre que tinha idealizado a paz: um grande filosofo, “Que a aboboda celeste seja testemunha” começou ele, e avançou para: “ Nessa data memorável que…” e depois disso ele usou a palavra. Ela mostrou-se estremamente leviana para a ocasião. A paz quebrou-se como vidro, “das mãos espalmadas fês-se espanto” e ambos os povos, viram-se nus e em pecado, como a beijar a cunhada. A palavra, no entanto, não era má, ele tornava-se má entre outras e por contaminação destruia todas as outras orações. Os dois povos cairam novamente em guerra, somam-se os mortos, o ódio, as lágriamas e… a palavra foi banida dos dois lados.

A beira de um caixão do pai, um filho jamais deve dizer essa palavra, ela é alegre e histriônica demais.

Num show de homor, depois de quinze ou vinte piadas, o comediante usou essa palavra, foi vaiado e processado, ela é triste demais.

Numa bruxaria uma feiticeira usou essa palavra e o feitiço caiu sobre ela.

O homem mais forte do mundo disse que iria sustentar essa palavra em público, não aguentou. O mais rapido disse que iria quebra-la em mil pedaços, mas foi surpreendido por ela.

Hoje sabe-se que ela está entre nós, dissimulada, sinonimisada, neologisada mas tal qual a esfinge, espera-se que um dia, um de nós irá desvendá-la para sempre e nos livraremos desse temor que causa a simples lembrança da existência dessa palavra.

Fim

img: http://mostravisualdepoesiabrasileira.blogspot.com/2011_02_01_archive.html

sábado, 1 de outubro de 2011

Nossa senhora do Crack em cacos, rogai pelos nossos poucos atos.


Aos cacos de nossa senhora do crack
- leitura cubista dos miseráveis de V. Hugo –
vê:
Olhos úmidos, castanhos, perdidos, vazios
de um devoto seu, amigo meu, primo dele, filho de….
sem pai, sem primo, sem amigo. A sua mercê.

Aos pés da santa Cruz, nossa senhora
do cachimbo de lata toca com os dedos
sujos, beija com boca de dentes podres
o manto rubro e esgaçado da humanidade
perdida, predrida, pétrida.

N. S. D. Crack, de 2 real, do poço sem fundo
Do canto do mundo. Rogai
Pelos filhos dos filhos de 13 anos.
Pelo tiro na cara da menina.
Pela prisão de ódio do menino.

N. S. do Cachimbo de lata, não custa nada
- ou muito pouco, ou seja tudo –
Um raio, uma vida, uma semana sem banho,
Um nó na garganta….um bom discurso ecumênico.

Não tem solução, Nossa Senhora do Crack em Cacos
rogai pelos fracos, pacos mamelucos malacos
de olhos castanhos nunca tão opacos.