sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Caderno de exercícios


Caderno de exercícios 07-09-11
Ouvindo o programa Classicos da Atualidade da È-parana e anotando as sensações.

 Obra nº 1 - Aore Tamaguchi

 Há sons agudos, diferenciados entre si, que compõem uma sinfonia arquetipica. Há o vazio, há o estrondo, há , finalmente o grave.
Estamos sós, porque não há um som que nos guie.
Nada nada nada (do que ouço) aparenta-se com  a familia brasileira que reune-se nesse feriado.
Um som só.
É um onintorrinco, só.
É um chamamento ao templo budista, é iconoclastia budista.” O mundo te olha e te interroga” diz o som.
Nada nada nada é parecido com você e você não é parecido com nada nada nada.
Apartir do crepusculo a noite é sempre igual, repetição de si em si

Obra de um galho descascado – Aore Tamaguchi.

 folhas  secas sendo pisadas, violino e cello.
Venta, estou com frio e sozinho. Posso estar louco porque minhas memorias são fantasmagoricas. Tenho um compromisso firmado com a mais alta classe da mais alta classe de arte. Sou artista. Nada me aceitaria, a não ser a arte. Não tenho amigo a não ser a arte, não tenho fome, a não ser de arte, não tenho voz, a não ser falas teatrais. nem toque que não seja dor e nem olhares que não simbolicos.
…sou seu , sou todo ouvidos, meu senhor, minha senhora, meu amigo. E se comessemos um prato de feijão?
Topós – Salin Loresco - Romênia

Se tudo passa tão depressa como posso gostar de algo? Como posso ser algo? E se nesse nevoeiro de infindavel devir eu parar pra pensar? Conseguiria pensar em algo? Ou tudo será com a agua que escorrega e já não é…
Bailamos pois tudo é estrelas e champanhe e ao fim quem sabe o melhor pianista, la fora a guerra continua e venta muito.
Bailamos, sê nossa simples condição.
A guerra nos é inata, o tempo nos aproxima. Mas e a beleza? E a marcha pueril? Marciariam o pueril? Não há mais o exato?
Sax – Salim Loresco – Romênia

Como é grande  e complexo e multicolor. Mas eu confio em você por mais grande e complexo e multicolor que você seja.
Essas paragens em que me conduz são cheias de vazio e com picadilhos de universalisação, por isso estou em casa. Assustam-me novamente o habitual, quando o Eu surge entre os mais audazes movimentos/expressões
Em mim, há lembranças terriveis de um vastissimo céu azul marinho, sem mar, fujindo para dentro e encontrando o fora. E essa lembrança de um natal infeliz (não tinha superado isso)
O culpa e o relogio que não sessam de bater, e a vontade que teima em ser feliz, apensar de tudo: Danço entre espinhos.
Lento e forte
Multiplo e uniforme
Forte sem forma
Amo, não sei a quem.
Creio numa narrativa veloz que proxima-se, apresenta-se, eu sabia que um dia o sentido apareceria….de perto…é sem sentido o sentido.
Novamente só? Ou devo bailar com o nada?
E se o nada me limita, levará á outrem? Sinto que há.
Pois sou navio, sem porto.
 ___ – Salim Loresco – Romênia

As pontiagudas catedrais do medievo tentam pefurar minha pele, até minha alma. Mas, resistirei (sou bravo, sou forte, sou filho do norte)
Não é a dor do Cristo que vai me salvar, também sou inofensivo ao seu amor, burguês “Sois pecador” , não – respondo – não tive tempo de ser o bastante.
Mas, meandros da fé: vivisitudes dum pomposo céu continuam a me convidar.
Proporções – Salim Loresco – Romênia – 1984

Vento. De flor em flor a abelha voa. A procurar abrigo não encontra morada, o mundo é grande demais e o folego não aguenta. Sente-se velha, grita, fere, encima e embaixo, pra fora e pra dentro. Continua a abelha e o mundo não é flor. 
Fonologo nº 5 – Salim Loresco – Romênia – 1993

As maquinas untadas, a repetição dos mesmos movimentos, nada há de errado.
Surgiu eu.
Reparo nas maquinas…eu deixo de confiar. A maquina impõe, com seu barulho, seu lugar. Não me olha, não se importa respeita somente as horas, nada deixa perturbar.
Aproximo com cuidado, quero olhar por dentro. Sou simpatico, seu igual um não-tormento.
Tudo é estranho e novo, te-lo ia maculado? Estragado, como aberto um ovo?
Valha-me Deus, isso pode ser melhor, se aqui e ali fizer-se uma mudança
no que só falta ter voz, coisa-maquina falador.

Os tecnoselvagens fazem um ritual estranho.
Copiam o modelo, repetem a matriz são deuse? São bruxos?
Invocam os mais perigosos softweres, convocam o pior hardWere,
São homens modernos.

Pajes da home page
Bruxas dos pantanosos ciber-lodo
Ferem a barreira do tempo, destroem o espaço.
Velejando  – Salim Loresco – Romênia – 2002

Amanhece, o dia nos convida…para mais um dia como de costume: o diferente. Rodopiam as esferas das horas que caem em gotas de pensamentos, alguns vazios, alguns cheios de nada e sem recheio cujo bojo é quem detem o grande sabor.
Desfina-se os minutos tricoteando os segundos. No tear do tempo não há ponto falho.
Já é hora!, já é tempo!
Fala o relogio
Tudo são horas, tudo é dó dia, diz o tempo.
E a sombra, invejosa escurece a noite.
  - - - - -
A guerra faz o general,
A profecia o profeta. E qual
Será o meu maior sinal?

Se prevejo um sinal, devo segura-lo,
 se entre esse e eu aparecer
 um maior devo segui-lo?

Qual seta qual direção me trazem aqui onde sou

No drama assombroso não há precipicio pra me lançar
Ou ao me lançar no precipicio
Não há baixo pra precipitar.

O repetir repete-se: não há horror na escuridão, só escuridão.

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