quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Uma história encantada.

 

Essa é uma história encantada, - quase íreal de tão encantada que é. Trata-se da história de uma pequena bolsinha, dessas de guardar moedas. Ela era tão bonitinha que logo que foi fabricada foi, imediatamente, adquirida pela moça que a fabricou. A moça ainda nem tinha moedas pra por dentro, pórem mesmo assim não titubiou em levá-la consigo. E foi assim que a bolsinha passou a existir de fato, pois agora já não era um punhado de tecidos e fios, ela possou a fazer parte da vida de uma moça. A moça era cuidadosa e cuidava muito bem da bolsinha nunca deixou-a perdida e sempre conservou-a limpa.

Como é natural nas fabulas os objetos adquirirem vida e até falar - essa nossa bolsinha começou a soltar algumas palavras. Só a moça dona da bolsa é que entendia, mas a bolsinha falava. - E é também comum nas historias o elemento fantastico, Nessa história ele é espacial:  - a bolsinha cresceu e se tornou uma mochila de escola. Seus horizontes ampliaram-se, ela conheceu novas pessoas, fes novas amizades etc..

O mundo começou a fazer sentido, ou novos contornos…só ela era diferente. Enquanto todas suas amigas tinha rosto, pernas, braços ela era de tecido e plastico. Apareceu um desejo enorme de tornar-se uma garota. Mas como ela, uma mochila poderia se tornas uma garota, não era possivel isso, nem o contrário disso…

Nesse momento o autor que até aqui pretendia fazer de um fato uma fábula para, quem sabe, imitar Machado de Assis e suas agulas e linhas, parou e pensou… Ele, um autor, mediano, com pouca maestria nas letras, começa a sentir um repúdio da própria estoria de escreve, pois até a linha que antecede esse parágrafo esse texto tinha algum sentido, agora perdeu-se…o autor foi tomado por um medo, por um nojo mesmo. Porque a metafora é até boa, a intenção também até se justifica, mas a dura e estranha realidade assusta. O autor tem na lembraça o som inconfundível, quisá universal, de crianças brincando. E na memória a violência sádica dos homens. Duas imagens inconcilháveis e ainda assim, parte do mundo absurdo que habita…mas, á contra gosto, o autor continua e espera que sua literatura ainda que não faça o bem que não cause o mal.

A mochila estava num canto e observava, as crianças que brincavam ruidosamente, os adultos que passam apresados, um pouco de cêu azul que escapa por entre os prédios do centro da cidade mas, nada disso á alegra. Ela está triste porque não participa desse todo. E na sua umaginaçãozinha, por uma só causa: ela mesma. Afinal não pode uma cidade toda estar errada, e mais ainda, ele tem certeza que essa cidade comunica-se num idioma muito próprio que ela não entende justamente por ser mochila, por isso ela quer ser uma menina…

Havia uma sombra que vagava pelo centro, sem rosto, sem pegadas, mas qualquer um que a visse diria “ ali vai uma das nossas sombras”, numa dessas andandas a sombra notou a tristeza da mochila e quis saber o porquê dela.

“Porque não posso brincar, correr, desenhar, igual as crianças”

A sombra sorriu e falou que aquilo tudo, de brincar, correr… era bobagem e que ninguém naquela cidade gostava de criança que brinca. Todos gostam de crianças bem comportadinhas e silênciosas para não atrapalhar os adultos a trabalhar.

“Mesmo assim gostaria de ser menina”

Então a sombra falou que conhecia um lugar que poderia transformar a mochila em menina, mas que para isso ela deveria ir, junto com a sombra, bem quietinha e não contar nada para a moça. Seria uma surpresa…

Os dois, chegaram num lugar muito grande. Que de tão grande a mochila ficou ainda menor, e a sombra ainda mas dissimulada por entre todas as pessoas e sombras que por lá cominhavam. Lugar era mesmo cheio de mochilas, malas, pacotes etc..

A mochila foi transformada em menina.

Uma menina linda, que sorri e manda beijos, mas -  porque não há contos de fadas no mundo real -  essa linda menina está presa numa fotografia e porque a cidade não pode parar pra ver, seu sorriso e seus beijos são em vão.

Fim: O autor finaliza com a dúvida de essa estória é incompreensível porque dói, ou se dói porque é incompreensível. E pensa que só uma cidade de loucos admite que uma mochila vire uma menina e só uma cidade de sombras admite o contrário.


img:http://manasedesenhos.blogspot.com/2007/10/desenhos-para-festas-de-aniversrio.html

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