segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Carta do exílio aos cuidados de Glauco Matosso.

           

            Eu, filho da amônia e de um beliscão. Eu, paco exemplar de uma geração que não gera nada alem de gavidez indedejada, emprego que bate ponto e discusso ambientalista. Tenho o singular prazer de me ver espelhado nos seus oculos-escuros, vejo o que você escreve, tenho a impressão que te compreendo melhor que todos os outros que algum dia te leram. Fora isso tenho em mim todos os sonhos do mundo. E eles são cinzas, e cheiram a mijo abaixo do sol de uma segunda, que veio como uma guilhotina acabar com todos os desejos de um fim-de-semana, mas são sonhos altênticos, de alguém que se orgula de comer merda pra não comer enlatado. Porem dessa moral franciscana sem cristo resultou um belo capacho, talvez necessário pra manter a ordem, o machismo, a herarquia.
Não tenho prazer nenhum em nada disso.
E é tudo verdade: minha fraquesa, meu medo, a angústia de morrer sem nunca ter vivido. A total falência na arte, na literatura, minha patria-lingua não me reconhece em união civil. E essse exilio etilico a que me submeto, vuntariamente, começa a cobrar um preço maior que a constumeira ressaca. Hoje tem sol mas, há luz pra tantos becos, porões, quartos sob-urbanos que fazem dessa cidade uma capital.
Sobre sua literatura que me afaga, seu maldito pederata, vê-lo em pior situação só me dá uma vontade: mandar-te lamber minhas botas.
       

         com amor _|_

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