quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nietzsche e Anaximandro

Para falarmos sobre a metafisica de Nietzsche (1844- 1900), primeiramente vamos  saber o que ele fala da metafisica de outro filosofo : Anaximando de Mileto (610 / -546), distantes no tempo e proximos na visão tragica da existencia humana, como nos escreve Nietzsche no capitulo IV de A filosofia na época tragica dos gregos. Esse belo capitulo que dedicado ao Pré-socratico aonde o compara com outro, influência Nietzsche: Schopenhauer .
 Nas suas obras vemos críticas bastante negativas a Kant, Wagner, Sócrates, Platão, Aristóteles, Martinho Lutero, à metafísica, ao utilitarismo, anti-semitismo, budismo, à concepção de Deus, ao iluminismo e à democracia. Muito apreciador da Natureza, das guerras, dos pré-socráticos e da cultura helénica.
            
Dentre os poucos elogios deferidos por Nietzsche, coletamos citações, muitas vezes com ressalvas ao já citado Schopenhauer, Spinoza, Dostoiévski, Shakespeare, Dante, Goethe, Darwin,Edgar Allan Poe, Lord Byron,Gogol, Voltaire e a Wagner, grande amigo e confidente de Nietzsche até certo momento, quando Wagner aproxima-se do cristianismo com sua obra prima:Parsifal (1877)

             Da vida de Anaximando pouco se sabe. Foi discipulo de Tales de Mileto, escreveu um livro  intitulado Sobre a natureza -  cujo conteudo perdeu-se restando apenas um fragmento - era cartografo e participava da politica grega.
            Nietzsche,  alemão, filologo e filosófo de grande prestigio – postúmo – é critico da modernidade-racinalista-cristã,  escreve sob forma de aforismos.

“cada um testemunha de uma nova iluminação e expressão do demorar-se em contemplações” 1

            Inscrções sob pedras, é assim que o moderno frederich Nietzsche descreve a obra de anaximando, lapidada.
            Anaximando foi o primeiro pre-socratico a formar o conceito de uma lei universal presindindo o processo cosmico total, a isso dava o nome de Apeirom ou o Ilimitado.
            Nem fogo, nem agua o ilimitado não tem propriedades determinadas. Não tem forma, principio ou fim
                                                                       “…é sem idade em sem velhice.”2

É um ser perfeito de onde tudo se origina, porem origina-se imperfeitos e limitados, logo,mortais. O Apeirom não pode possuir propriedades determindas pois se as tivesse, dependeria delas a sua existencia, assim como a existência do mar depende da água que o forma, o vir-a-ser do indeterminado não cessa é um ser em si mesmo.

            Nietzsche nos apresenta a ideia de eterno retorno, como uma superação da ideia de Apeiron de Anaximandro, para o Filosofo alemão não existe um ser perfeito de onde tudo se origina , corrompendo-se no nada, mas sim criação e corrupção no mesmo lugar e melhor: do mesmo modo construindo e destruindo o mesmo: o eterno retorno do mesmo ( Gaia ciencia e Alem do Bem e do Mal).
            Anaximando pergunta o porque de tudo existir, porque as coisas são criadas e depois destruidas? Responde recorrendo ao campo moral, - vede como secam os mares? Vós substâncias materias e humanas estão aonde estão para expiar pela vida e depois pela morte vossas culpas.
            Nietzsche acresenta a essa terrivel maldição o retorno. O sofrer e o destruir-se nunca se acaba. Existe uma única saida: o homem aceitar a tragédia do qual faz parte, supera-la, cair no abismo da existência dançando. O alem-homem ( Assim falava Zaratrusta) é a única possibilidade de redenção.
            A tragédia do existir, o eterno retornar ao mesmo, é para Nietzsche a única vida possivel, qualquer olhar fora disso é auto-enganoso. Religiões e ciencia, são engodos pra não aceitar o absurdo do vazio da existencia.
            Nietzsche condena a metafisica á morte com o postulado , ainda que contraditorio: “Deus está morto” ( Gaia ciencia)
“Para Nietzsche, a morte de Deus é uma expressão simbólica do desaparecimento do horizonte metafísico, baseado na oposição entre aparência e realidade, verdade e falsidade, bem e mal.”.3

 de modo a mostrar ao homens que se a existia algum consolo na vida, ele acabou. Deve, o homem , viver de maneira trágica tal qual anaximandro que punha cotidianamente gestos e trages solenes, como se o estar-aí fosse um ato heroíco?



1.      A filosofia na epoca tragica dos gregos cap. 4
2.      framento de Anaximandro
   3.   Nietzsche ,  Oswaldo Giacoia, coleção Folha esplica

conclusão:


Viver tudo da mesma maneira? Tomar-se novamente parte dessa tragédia?... 'Tu és um deus, e nunca ouvi nada mais divino!1




1. Gaia Ciência. IV, 341

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