sábado, 7 de maio de 2011

O homem e o cão e o cão.

O homem e o cão e o cão.

 



Cão – Não!
Suicida -  me deixe só.
Cão – não.
Suicida – passa, passa!
Cão – não posso.
Suicida – cachorro idiota, desde quando não pode?
Cão – não posso permitir que você fique sozinho, faz parte de minha natureza.
Suicida – sua natureza é fazer cocô na calçada…e a minha é recolher…
Cão –  não seja ridículo, nos sabemos que faço mais que isso.
Suicida – ah! Claro, vocês também fazem xixi no poste.
Cão –  Eu te faço companhia, sempre estive aqui.
Suicida – esteve porque eu quis. Agora não quero mais
Cão – me deixe ficar, me deixe ficar!
Suicida – tem certeza? Imagino que não seja um bom espetaculo ver um homem fazer isso…
Cão – tenho visto você fazer tantas coisas….e calado.
Suicida -  porque? Porque nunca disse nada?
Cão – bem…
Suicida – sim eu sei. Você continua não dizendo nada, essa voz que ouço é mais uma alucinação da madrugada fruto de um composta de rivotril e uísque com…
Cão –  AU! AU! AU! ( morde a perna do suicida)
Suicida – sai miserável, filha da puta.
Cão – só assim para você acreditar que não sou só uma voz, “ o mundo não é um símbolo” lembra-se disso? é de Leornado Boff.
Suicida – ah! Não me venha com citações esparsas nem com soluções teológicas. Você não é um símbolo? Então quem é o “melhor amigo do homem”?
Cão – isso é fato.
Suicida – então você é meu amigo?
Cão – entenda o homem como humanidade e amigo como não-inimigo.
Suicida – que porra é essa de não-inimigo?
Cão – eu não quero o seu mau, mas tampouco quero ajuda-lo ou anima-lo.
Suicida – que belo amigo você é heim, não me surpreende que alguns prefiram o uísque ao cão.
Cão –  “o uísque é o cão engarrafado”
Suicida – porque você insiste nas citações?
Cão – porque “quem faz uma poesia salva um afogado”.
Suicida – compreendendo que só estamos nós dois aqui e que você fala a poesia, então o afogado sou eu. Sendo assim devo dizer que sua vã poesia nada salva. O afogado continua se afogando, agora em palavras.
Cão – já saímos de você-pra-você-mesmo, creio que estamos melhor.
Suicida – o que há fora de mim que seja diferente do que há dentro?
Cão – novas palavras.
Suicida – é minha vez de citar: “tudo é velho” Machado de Assis, ou “ser novo pra mim é coisa velha” alguém na voz de Ney Matogrosso.
Cão – tsc. Tsc. Ainda nada em aguas rasas, me amigo…
Suicida – o que você sugere então?
Cão – que tal ver o mundo de outro ponto de vista?
Suicida – e se desse novíssimo ponto de vista eu ver o mundo absolutamente igual ao que sempre vejo?
Cão – e se for absolutamente diferente?
Suicida – papo furado. Tenho mais de 30 anos, não posso mudar tudo pra adquirir um novo ponto-de vista.
Cão – meu caro amigo e dono. “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia”.
Suicida – repita.
Cão – meu caro amigo e…
Suicida – idiota! Essa parte eu entendi
Cão – depois do ponto é Shakespeare.
Suicida – então repita.
Cão –. “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia”.
Suicida – vossa?
Cão – vossa.
Suicida – então os cachorros não compartilham de nossa filosofia?
Cão – não, não compartilhamos.
Suicida – e a qual vocês pertencem?
Cão – da filosofia real natural da sobrevivência . mas aí vocês chagaram, nos ensinaram vosso idioma e agora não temos mais filosofia nenhuma.
Suicida – então como pode criticar a nossa “vã filosofia”?
Cão – porque apesar de não vive-la eu conheci a outra.
Suicida – a do reino da necessidade?
Cão – e da sobrevivência necessaria, lutamos pra viver, vivemos e não sabemos para que.
Suicida – e acha que isso é superior a nossa?
Cão – sim.
Suicida –  e porque?
Cão – há no mundo da necessidade uma dignidade, uma vontade de lutar da qual vocês jamais saberão. Há entre o leão e a zebra uma luta real que nem com as suas 3ª e 4ª guerras mundiais conseguirão reproduzir. O que move não é o ódio é o amor ao devir, o movimento importa mais que a vida e a vida é movimento.
Suicida – então somos absolutamente iguais. Nesse momento minhas células estão matando bactérias invasoras e nem sequer uma lágrima… ainda sou superior a você porque vou além dessa sua luta por mera sobrevivência.
Cão – não. sua superioridade não está ai. Mas você esta certo é superior a mim e é por isso que estou aqui, de quatro patas balançando o rabo para você, bem sei que essa posição é humilhante, e que se fosse outro homem aqui você olharia com repugnância, mas saiba: tudo isso é aprendizado.
Suicida – aprendizado?
Cão – eu quero ser como você.
Suicida – quer ser como eu?
Cão – como um humano.
Suicida – não acabou de dizer que nossa vã…
Cão – há outra parte da frase que diz haver mais coisas.
Suicida – se nem nós sabemos que coisas são essas como você haveria de saber?
Cão – nunca despreze a capacidade de um desprezado.
Suicida – e como pretende ser humano?
Cão – tenho uma proposta.
Suicida – então agora vou ouvir a proposta de um cachorro. Devo sentar?
Cão – ou pode seguir com seu plano suicida.
Suicida – vou seguir com meu plano, estou condenado a eles, como você as suas patas.
Cão – você tocou num ponto crucial.
Suicida – suas patas?
Cão – não. a condenação.
Suicida – que tem ela?
Cão – como suicida você a terá tão certo quanto eu tenho minhas patas, entretanto podemos negocia-la.
Suicida – com quem?
Cão – com Satanás.
Suicida – e ele negocia?
Cão – com humanos não, mas comigo.
Suicida – e que espécie de acordo é esse?
Cão – sabe que suicidas não tem os melhores lugares no inferno né? Entretanto se aceitar meu acordo, terá um lugar bem melhor e para isso basta trocar de corpo comigo.
Suicida – então você que meu corpo.
Cão – sim, seu magro e cansado corpo.
Suicida – e qual a vantagem?
Cão – sou como sou, a milênios, ando de quatro patas e desse ponto de visão já conheço tudo, quero ser bipêde, socialvel, simbólico e com polegares por apenas um motivo: liberdade.
Suicida – hahah e você acha que sou livre!! Trabalho, amo, invejo.. sou livre?
Cão – eu que não faço nada disso não posso saber se é bom ou ruim.
Suicida – aceito.
Cão – ótimo, vou chamar Satanás ele transfere nossos espíritos, eu pego o seu corpo, você o meu, você se mata e sua alma fica em algun lugar menos pior que o vale dos suicidas esperando a misericordia di..
Suicida – como irá chamar o Satanás?
Diabo – chamou.
cão –  ali está, alias sempre esteve.
Diabo – então a putinha quer morrer? Que vadiazinha
Suicida –  ainda posso desistir e você perde um cliente.
Diabo – hahah, não putinha, você já é meu desde o jardim de infância, quando eu te estrupava na parquinho.
Suicida – isso era um inferno.
Diabo – você gostava, aquele choro era de quero-mais, e como tudo que é bom tem bis, foram uns vinte anos de sonhos diários não?
Suicida – isso acaba hoje.
Diabo – sim , é uma pena, mas ainda bem, porque você putinha não tem mais graça, como perturbar alguém já perturbado?
Cão – vamos aos negócios?
Diabo - vocês entram na satã-machine, a putinha aqui e o pulguento ali, no cu de cada um vai um consolo e na boca da putinha vai minas bolas HAHAHA mentira o consolo não precisa, agora fiquem quietos, e que os Céus nos ajudem.
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Cão no corpo do suicida – caralho!
Suicida no corpo do cão – au, au, au
Cão no corpo do suicida – nossa é tão….erótico, me sinto nú. Mesmo de roupa, a língua leve no céu-da-boca , a mão,  o sexo, eu sou homem!!!!!
Diabo – o pulguento, agora eu quero o meu, cadê o filhodaputa que vai comigo?
Cão no corpo do suicida – a sim, ele tá mijando ali no tapete tsc, tsc,
Diabo – tá mas esse idiota tem que se matar.
Cão no corpo do suicida – bem isso é verdade, mas devo dizer que em sendo cachorro nunca soube de nenhum que se matou.
Diabo – seu filho de uma cadela, você me enganou.
Cão no corpo do suicida – pode levar ele vivo mesmo.
Diabo – idiota, com levar uma porcaria dessas para o inferno? E vivo ainda?... puta que pariu!
Cão no corpo do suicida – vamos cachorrinho, vamos passear, você tem muito o que conhecer, sabia que a grama da praça é uma delicia?
Fim.
Imagem:*www.soamo.ru/img_ill/psy/shiz_polosa.jpg*

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