domingo, 29 de maio de 2011

F-ATO


Eu tenho que conseguir aquela posição, por dinheiro e por amor eu faço qualquer coisa, esse é meu lema.  Ou é o lema de alguém que eu não não lembro,  quero mas dinheiro que amor, é claro, pois com ele compre-se o amor, é claro. Desenhista de projetos, o posto mais requisitado abaixo do projetista. Mas, acima de qualquer outra coisa, e essa qualquer outra coisa inclui Fábio, Alex e Bruno, se eu estou acima deles,  estou acima de todas as classes e géneros que a humanidade já inventou: um japonês, um roqueiro e um crente. Eu negro, eu magro, eu que tive pneumonia e que no Carnaval só transou com uma prostituta. Ser desenhista é a libertação de um estágio miserável de auxiliar e comum e incomodo. O chefe não pode me atender, melhor penso em algo mais convincente, num argumento que convença até ao diabo, que sou o melhor.É FATO, que o japonês é fraco, o roqueiro é inconsequente, logo tem uma overdose e o crente, sei lá, vai virar pastor e sair daqui. Devo ser sincero? Falar a verdade? Sim e sim, falarei a verdade, se sou pobre, não devo me envergonhar, se sou pouco, também não há motivos pra desmérito, será que o chefe sabe que eu transei com a prostituta? Será que ele se lembra que derramei café na mesa logo na primeira semana? Se ele me humilhar com essas coisas, eu mato ele, foda-se , eu tenho como conseguir outro emprego, será que ele sabe que eu conheço assassinos de verdade, que lá perto de casa falamos de morte como quem fala de novela? Bando de playboiosada filha-da-puta me olhando como se eu fosse um nada, um escravo dessa merda, se esse bosta me humilhar eu mato ele, eles todos….

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