sexta-feira, 22 de abril de 2011

Frederico procura um pai



- há de ter um algum lugar um pai sobrando no mundo, porque há tantos filhos sobrando no mundo, tantos andando assim como que perdidos. Deve haver um pai sobrando no mundo, e é esse que eu procuro , junto com uma mãe talvez – não é importate – junto com uma familia – também não é importante – mas seria bom, pois há tantas pessoas perdidas no mundo, assim como eu que caminham e ser perdem entre entradas e saídas, entre idas e vindas… deve haver algum pai sobrando porque filhos sobram, e pessoas que sobram tem que ter um pai.
Frederico buscava um pai nos mais diversos locais, putero:
-pai?
-que pai o que moleque tá maluco, que porra é essa , quem deixou entrar esse moleque aqui.
Na farmácia:
-pai?
-é… eu..
-o senhor queira me desculpar, esse menino inconveniente… é brincadeira dele.
E para frederico: sai, sai daqui deixa o senhor comprar remédios em paz.
-onde já se viu, a gente vê cada coisa hoje em dia.
Na papelaria:
-pai?
-Eu? Eu pai? Não meu deus não pode ser, não . não pode ser, porque porque ela nunca me disse? O Pai eterno… ele nunca me disse! Ela nunca me disse, oh! Deus! Adeus.
E o homem vai abaixo no viaduto próximo
Na livraria:
-pai?
- que pai o que, fui seu professor não é? Sempre me chamam assim, começaram a chamar pelo de “tio” depois pelo nome, agora de “pai” vocês realmente perderam a educação. No meu tempo não era assim, saiba que no meu tempo…
Frederico vai embora.
É sinceramente é muito difícil, nesse mundo, procurar um pai. É quase impossível, não haveria motivo pra alguém procurar um pai> frederico está atras de si mesmo, é essa,  caro leitor a verdade, isso deveria ter aparecido como subtítulo do texto “frederico está atrás de sim mesmo” … (quem é si mesmo? Eu? Você? Quem é) qualquer filosofia deveria começar com a pergunta: quem somos nós? Perdidos no mundo, jogados (?) entre a terra e o céu, nossas solas dos pés assentam na terra, nossas cabeças cruzam o céu e nossa imaginação vai muito além disso (porque diabos imaginamos?) já um macaco qualquer não sonha nada além do que é. O ser humano sonha, imagina constrói universos inteiros apartar de ilusões.
A gente quer apenas um lar e comida, é tudo que buscamos no entanto entre o calor do lar e a sociedade da comida um obstáculo: imaginação ( que ser gostaria disso?) e Frederico imagina, uma casa com um pai e com, talvez uma mãe, irmão e talvez irmãs, se esse gênero esta sempre em segundo plano, é porque afinal se já se esta fraco porque iria querer mulheres ao seu lado? Se já está cansado da vida porque mais um ser assim, apático ao seu lado? Não. Frederico não quer ninguém que lhe atrapalhe, essa é bem a verdade. Não quer ninguém que lhe agarre ao seus pés e lhe impeça de correr na hora necessaria quando os inimigos entrarem por aquela porta, ou por esse céu, ou dentro de sim mesmo. Ele quer correr com ninguém preso ao seus pés, é por isso que mães e irmãs não fazem parte do cardápio dos sonhos de frederico, ele que sim, pai e irmão que possam correr tanto quanto ele. Obviamente não poderia estar com mãe, visto que na hora da fuga atrapalha (amor pesa)
O amor que as novelas falam e os filmes repetem, Frederico não quer amor, quer coragem, prazeres sem medida nem sonhos que o despertem no meio da noite , ele quer a vida já vivida, (dos outros, pode ser) o pai que outros já não usam, que já levou de um ponto a outro, um pai que já ensinou como realizar realidades possíveis (frederico só que sonhos possíveis)
A procura já lhe cansa (a leitura também) nada faz sentido, quando isso parece uma transloucada procura de apenas mais um bêbado (frederico cresceu e bebeu) e continua a procurar entre milhares de caras uma, que lhe seja favorável, compreenda e conduza. Que conduza entre noites e noites. O tempo passa (como passa?) a procura continua, porque? (você já está homem, Frederico, porque procura algo que não encontraste a milênios atrás?)
De repente: a figura de seu pai se fez tão clara e obvia, era aquele que esta ali, sempre, como um símbolo, (a busca era mais profunda que um pai-homem) Pai ele sempre teve, só nomeara de forma errada, era tão obvio. (Frederico, não se iluda com o obvio, sua procura é a da humanidade, quem tu procuras é chamado: Deus, o nome da tua procura é Deus, não te iludas mais. Chama agora entre as noites turbulentas da tua cidade, e das madrugadas iluminadas pelos semáforos chama: meu Deus onde estas?)

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