sexta-feira, 22 de abril de 2011

Aos seus lugares.



I.

O homem de chapéu destoa de nós outros, “não devemos usar chapéu” é o primeiro pensamento que me ocorre, depois disso não o vi mais, mas a lembrança do homem de chapéu dava a estranha sensação que algo iria dar errado, talvez a culpa, ou o medo- simples de estréias – ou a  diferenciação me irritava mais que a possibilidade de erro. Tudo pode falhar, mas não deveríamos lacrar todas as fendas do erro? Não deveríamos ser prevenido? Então porque o chapéu estava na cabeça e não no cabide?
Minha severa autocrítica começou a sentenciar “ acalme-se”, “respire”…
Entre tantas cabeças e vultos de cabeças uma que usava chapéu carregava o estigma de “novo” ,“vivo” e é tudo que não queremos, se estamos aqui pra manter tudo como tudo está , seguramente um chapéu deveria estar no cabide,  assim como os pensamentos devidamente calados e os sonhos devidamente assassinados. Se é uma sociedade adulta que queremos não permitiremos adolescência e juventude a soprar a vela do status quo.Alguém disse uma palavra que ressoou na sala, alguns mormuraram. Ninguém reagiu. Pensei se o atrevimento se dava ao homem de chapéu, esse deveria ser um provável dissidente, uma fenda.

II.

Tudo novo, tudo colorido, é preciso inovar sempre, mudar é preciso estar com as antenas ligadas, e o coração maior que peito. Se ontem fui homem hoje sou mulher, lésbica, blues, a marselhesa toca, as fronteira todas, se refazem, e o pólo sul surge na aurora, essa nova e brilhante aurora do meio-dia, dia-a-dia sem as noites, cem são estrelas, cometas com tragetorias inéditas… e o mundo se refaz, hoje é , era, será, o que foi ainda é, o que será já foi, o pretérito-mais-que-perfeito, perfeitamente abolido, o seguro morreu de velho, morreu de tédio, que morreu de fome. Coisas paradas juntam pó, o movimento produz o movimento, nascem as flores, que comem os frutos, que trazem o inverno em si, o inverno particular , o resto cai sobre a chama da galáxia, que transpira, conspira. Não há retrovisor, não há historia, não há livros, estamos livres dos livros. Apanagio dos velhos, niilistas, capa durável, sexistas. 

MMXI.

. ou a diferenciação me irritava mais que a possibilidade de erro. Tudo pode falhar, mas não deveríamos lacrar todas as fendas do erro? Não deveríamos ser previnidos? Então porque o chapéu estava na cabeça e não no cabide?
Minha severa autocrítica começou a sentenciar “ acalme-se”, “respire”…
Entre tantas cabeças e vultos de cabeças uma que usava chapéu carregava o estigma do meio-dia, dia-a-dia sem as noites, cem são estrelas, cometas com tragetória inéditas… e o mundo se refaz, hoje é , era, será, o que foi ainda é, o que será já foi, o pretérito-mais-que-perfeito, perfeitamente abolido, o seguro morreu de velho, morreu de tédio, que morreu de fome. Paradas assassinados. Se é uma sociedade adulta que queremos não permitiremos adolescência e juventude a soprar estrelas, cometas com tragetorias inéditas… e o mundo se refaz, hoje é , era, será, o que foi ainda é, o que será já foi, o pretérito mais que perfeito, perfeitamente abolido, o seguro morreu de velho, morreu de tédio homem de chapéu destoa de nos outros, “não devemos usar chapéu” é o primeiro pensamento que me ocorre, depois disso não o vi mais homem de chapéu destoa de nos outros, “não devemos usar chapéu” é o primeiro pensamento que me ocorre, depois disso não o vi mais

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